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Umbanda faz culto à Iemanjá na véspera do réveillon no Rio

Virada do ano terá palco dedicado à música evangélica em Copacabana

Gilber­to Cos­ta — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 31/12/2025 — 11:29
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro(RJ), 30/12/2025 - Pessoas se reunem para celebrar, agradecer e levar oferendas a Iemanjá, misturando tradições iorubás, sincretismo religioso e preservação cultural, na Praia Vermelha, na Urca, zona sul do Rio. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ana Beat­riz de Oliveira, 23 anos, foi a primeira a chegar à Pra­ia Ver­mel­ha, na zona sul do Rio de Janeiro, para assi­s­tir e par­tic­i­par na noite de ontem (30), véspera do réveil­lon, do rit­u­al em devoção à Ieman­já, orixá fem­i­ni­na que nas religiões afro-brasileiras, como o Can­domblé e a Umban­da rep­re­sen­ta as águas, seja nos mares ou nos rios.

A jovem trazia rosas amare­las para pre­sen­tear a enti­dade, geral­mente rev­er­en­ci­a­da com as cores azul e bran­co. “Eu fui com­prar rosa bran­ca, mas não tin­ha. Só tin­ha pal­ma bran­ca, só que esta­va mur­cha.”

As rosas amare­las eram ofer­en­das de Ana Beat­riz em gratidão à Ieman­já.

“Eu vim agrade­cer pelo ano. Vim agrade­cer por eu ter con­segui­do me for­mar [em arquite­tu­ra], porque foi muito difí­cil”, con­ta ao tam­bém diz­er que está empre­ga­da no últi­mo escritório que esta­giou antes de se for­mar.

Wash­ing­ton Bueno, 58 anos, cabeleireiro e maquiador, con­seguiu com­prar pal­mas bran­cas ain­da viçosas para Ieman­já. Que­ria pedir a ela por tra­bal­ho, saúde e amor. Ele, no entan­to, tin­ha uma deman­da espe­cial: menos vio­lên­cia de gênero.

“Nós brasileiros esta­mos um pouco em con­fli­to. Há questões de [fal­ta de] respeito ao próx­i­mo, né? Tive­mos este ano de 2025 com tan­tas agressões às mul­heres”, lem­bra. “Nós falam­os tan­to que nos­so país é um lugar gen­til. Cadê essa gen­tileza? Eu estou aqui para pedir um ano mais de con­sci­en­ti­za­ção com o bem-estar e cuida­do de um do out­ro.”

 

Rio de Janeiro(RJ), 30/12/2025 - Pessoas se reunem para celebrar, agradecer e levar oferendas a Iemanjá, misturando tradições iorubás, sincretismo religioso e preservação cultural, na Praia Vermelha, na Urca, zona sul do Rio. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução:  Pes­soas se reúnem para cel­e­brar, agrade­cer e levar ofer­en­das a Ieman­já, mis­tu­ran­do tradições iorubás, sin­cretismo reli­gioso e preser­vação cul­tur­al, na Pra­ia Ver­mel­ha, na Urca, zona sul do Rio. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

As pal­mas bran­cas, rosas amare­las e out­ras flo­res lev­adas à Pra­ia Ver­mel­ha podi­am ser deposi­tadas, jun­to com car­tas, per­fumes e cham­pan­he, em um bar­co, azul e bran­co, de cer­ca de dois met­ros de com­pri­men­to, com a imagem de Ieman­já, e que orna­men­ta­va o espaço para a gira na areia da pra­ia orga­ni­za­da pela Asso­ci­ação Umban­da e Cul­tos Afros (Auca).

O cul­to, chama­do de “Pre­sente de Ieman­já”, foi quin­to ocor­ri­do na últi­ma sem­ana do ano em devoção à enti­dade, e que rece­beu apoio da Prefeitu­ra do Rio de Janeiro (Coor­de­nado­ria da Diver­si­dade Reli­giosa).
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Rio de Janeiro(RJ), 30/12/2025 - Pessoas se reunem para celebrar, agradecer e levar oferendas a Iemanjá, misturando tradições iorubás, sincretismo religioso e preservação cultural, na Praia Vermelha, na Urca, zona sul do Rio. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: Cel­e­bração mis­tu­ra tradições iorubás, sin­cretismo reli­gioso e preser­vação cul­tur­al, na Pra­ia Ver­mel­ha, na Urca, zona sul do Rio. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Palco gospel

Ape­sar do suporte logís­ti­co e de segu­rança da prefeitu­ra para os even­tos reli­giosos de matriz africana, há lid­er­anças da Umban­da que enx­ergam trata­men­to difer­en­ci­a­do com out­ras religiões nos even­tos de fim de ano.

O babal­awô Ivanir dos San­tos, pesquisador e doutor em História Com­para­da pela Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ), estran­hou o patrocínio da prefeitu­ra a um pal­co ded­i­ca­do inte­gral­mente à músi­ca evangéli­ca em Copaca­bana na noite do réveil­lon (hoje, 31). “Por que esse priv­ilé­gio?”, ques­tiona em entre­vista à Agên­cia Brasil.

“Não se tra­ta de ser con­tra o pal­co gospel, não é esse debate. O debate é haver pal­co para ape­nas uma músi­ca reli­giosa”, pon­dera ao diz­er que católi­cos, mulçu­manos, bud­is­tas, assim como o povo do Can­domblé e da Umban­da pro­duzem músi­ca reli­giosa para seus ritos e lou­vores.

San­tos assi­nala que a ausên­cia de um espaço ded­i­ca­do a músi­cas dos ter­reiros rep­re­sen­ta um “apaga­men­to” de quem na déca­da de 1950 ini­ciou uma tradição de fes­te­jar a pas­sagem do ano vesti­do de bran­co na Pra­ia de Copaca­bana, fazen­do cul­tos e ofer­en­das à Ieman­já.

Ele teme que o apaga­men­to de tradições cul­tur­ais e reli­giosas acabe por se impor uma cul­tura espir­i­tu­al “hegemôni­ca” e pouco tol­er­ante com out­ras for­mas de cre­do.

Em entre­vista cole­ti­va ontem, após saber das críti­cas ao apoio à músi­ca evangéli­ca, o prefeito do Rio, Eduar­do Paes, salien­tou que “há uma parcela muito sig­ni­fica­ti­va da nos­sa cidade que gos­ta de músi­ca gospel e que quer — e pode — ter seu espaço”

“Esse públi­co não vin­ha para Copaca­bana e ago­ra vai vir, vai con­viv­er com pes­soas fazen­do ofer­en­das a Ieman­já. Isso é o sin­cretismo reli­gioso do Brasil e da nos­sa cidade.”

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