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Unidos da Tijuca homenageia orixá filho de Oxum e Oxóssi

Escola busca quarto título no Grupo Especial do carnaval do Rio

Fran­ciel­ly Bar­bosa*
Pub­li­ca­do em 18/02/2025 — 07:02
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 28/01/2024 -Detalhe de carro alegórico, no barracão da Escola de Samba Unidos da Tijuca, na Cidade do Samba, zona portuária. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

A preparação para o car­naval de 2025 começou cedo na Unidos da Tiju­ca. Des­de março do ano pas­sa­do, car­navale­scos e com­po­nentes da esco­la tra­bal­ham no enre­do Logun-Edé - San­to Meni­no que o Vel­ho Respei­ta. O tema, desen­volvi­do pelo car­navale­sco Edson Pereira, con­ta a história da divin­dade cul­tua­da pelas religiões de matriz africana con­heci­da como “príncipe dos orixás”. Segun­do a tradição iorubá, Logun-Edé é fil­ho de Oxum, orixá asso­ci­a­da à pesca e à água doce, e Oxós­si, rela­ciona­do à caça e às flo­restas.

“Quan­do cheguei na esco­la, exis­tia um dese­jo muito grande de faz­er um enre­do sobre Logun-Edé. Tin­ha out­ros enre­dos tam­bém, mas achei que esse seria um momen­to muito espe­cial para tra­bal­har essa história e traz­er uma ener­gia pos­i­ti­va, que a comu­nidade abraçasse”, diz Edson à Agên­cia Brasil. Fig­urin­ista de for­mação, ele começou a tra­bal­har no car­naval em 1992 como pin­tor de arte, pas­san­do por out­ras funções ao lon­go dos anos. Antes de estrear como car­navale­sco da esco­la amare­lo-ouro e azul pavão, ocupou esse car­go por 16 anos na Unidos de Padre Miguel.

Logun-Edé

“Fiz uma pesquisa exten­sa para saber como con­ju­gar esse orixá à história da esco­la e desco­b­ri­mos muitas coisas que pare­cem coin­cidên­cias, mas que são fatos”, comen­ta o car­navale­sco sobre as relações entre a esco­la e o enre­do escol­hi­do para o car­naval deste ano. Fun­da­da em 1931 no bair­ro da zona norte do Rio que traz em seu nome, a Unidos da Tiju­ca nasceu na Rua São Miguel, que no sin­cretismo reli­gioso cor­re­sponde a Logun-Edé. Além dis­so, a esco­la tem as mes­mas cores do orixá em seu pavil­hão, o amare­lo e o azul, e com­par­til­ha do mes­mo ani­mal que a divin­dade: o pavão.

Rio de Janeiro (RJ), 28/01/2025 - O carnavalesco Edson Pereira, posa em um dos carros alegóricos da agremiação, no barracão da Escola de Samba Unidos da Tijuca, na Cidade do Samba, zona portuária. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: Car­navale­sco Edson Pereira posa em um dos car­ros alegóri­cos da Unidos da Tiju­ca — Tânia Rêgo/Agência Brasil

“A par­tir dis­so, começamos a enten­der como é trata­do esse orixá que se jul­ga um meni­no, mas que o vel­ho respei­ta pela sabedo­ria e pela bravu­ra dele, e vemos a relação no mun­do con­tem­porâ­neo de Logun-Edé com a esco­la e com o que esta­mos viven­do atual­mente”, con­tin­ua. Em uma das salas do bar­racão da Unidos da Tiju­ca na Cidade do Sam­ba, Edson tam­bém desta­ca a importân­cia de se dis­cu­tir a ances­tral­i­dade e a negri­tude nos des­files de car­naval, temas que a esco­la não tra­bal­ha­va há mais de 20 anos, de acor­do com o car­navale­sco.

Ape­sar de ser um orixá menos difun­di­do em com­para­ção aos out­ros, Logun-Edé “traz uma sabedo­ria muito grande e muitos con­hec­i­men­tos para a nos­sa cul­tura”, afir­ma Edson. “Acho muito impor­tante hoje falar­mos sobre esse orixá. Não somente sobre o orixá, mas tam­bém sobre a sua ances­tral­i­dade, sobre a nos­sa ances­tral­i­dade, de uma maneira que pos­samos ensi­nar às pes­soas.”

Preparação

“O proces­so foi muito cal­mo este ano porque começamos muito cedo”, con­ta Junior Ban­deira, na Unidos da Tiju­ca há 12 anos. Na agremi­ação, Junior, que veio da esco­la de sam­ba Imper­a­triz de Olar­ia, de Nova Fribur­go, na região ser­rana, é respon­sáv­el pela con­fecção de fan­tasias, tra­bal­han­do com uma equipe de cer­ca de dez pes­soas. No mes­mo andar, a esposa dele, Denize Peres, lid­era out­ra equipe com aprox­i­mada­mente a mes­ma quan­ti­dade de pes­soas envolvi­das na pro­dução das roupas.

Rio de Janeiro (RJ), 28/01/2024 - Junior Bandeira, responsável pela confecção das fantasias da agremiação, no barracão da Escola de Samba Unidos da Tijuca, na Cidade do Samba, zona portuária. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Repro­dução: Junior Ban­deira, respon­sáv­el pela con­fecção das fan­tasias da Unidos da Tiju­ca — Tânia Rêgo/Agência Brasil

São mais ou menos 380 fan­tasias con­fec­cionadas por cada ateliê, que lev­am de 30 a 40 dias para ficarem prontas, segun­do Junior. “Quan­do tem o mate­r­i­al, con­seguimos faz­er em torno de 30 a 40 dias, mas tem todo o proces­so de chega­da do mate­r­i­al, isso demo­ra um pouco, ficam algu­mas pendên­cias para o final, mas é mais ou menos esse tem­po que leva”, expli­ca.

Todas as fan­tasias são pro­duzi­das no bar­racão, com acom­pan­hamen­to da direção e do car­navale­sco da agremi­ação. Após o des­file, as fan­tasias são des­man­chadas, e o mate­r­i­al é ven­di­do para esco­las de out­ras cidades, para ser usa­do no próx­i­mo ano. Ao todo, a Unidos da Tiju­ca reúne atual­mente em torno de 150 pes­soas envolvi­das na con­strução do des­file deste ano.

A esper­ança de Junior é que a esco­la seja campeã do car­naval, retor­nan­do para o bair­ro da Tiju­ca com o quar­to títu­lo como vence­do­ra do Grupo Espe­cial do Rio de Janeiro. O últi­mo foi con­quis­ta­do em 2014, com o enre­do Acel­era, Tiju­ca!, que hom­e­na­geou o pilo­to de Fór­mu­la 1 Ayr­ton Sen­na, mor­to em um aci­dente de car­ro durante o Grande Prêmio de San Mari­no, na Itália, 20 anos antes, em 1º de maio de 1994. A agremi­ação tam­bém foi vence­do­ra nos anos de 2010 e 2012, com os enre­dos É Seg­re­do! e O Dia em que Toda a Realeza Desem­bar­cou na Aveni­da para Coroar o Rei Luiz do Sertão.

Em março, a Unidos da Tiju­ca será a primeira esco­la a des­fi­lar no dia 3 de março no Sam­bó­dro­mo da Mar­quês de Sapu­caí, no Rio de Janeiro. À Agên­cia Brasil, Edson garante que as expec­ta­ti­vas para este ano são “as mel­hores pos­síveis”. “Pre­cisamos faz­er desse enre­do, desse des­file, o mel­hor des­file das nos­sas vidas aqui na Unidos da Tiju­ca, para poder­mos cumprir com as expec­ta­ti­vas não só da comu­nidade, mas tam­bém do mun­do do sam­ba”, afir­ma.

*Estag­iária sob super­visão de Viní­cius Lis­boa

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