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Enxaqueca requer tratamento médico, alerta neurologista

Repro­dução: © Mar­cel­lo Casal jr/Agência Brasil

“Não é uma doencinha qualquer”, diz especialista Leandro Calia


Pub­li­ca­do em 23/05/2022 — 06:33 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

No mês de con­sci­en­ti­za­ção da cefaleia, o neu­rol­o­gista Lean­dro Calia, mem­bro da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC) e do cor­po clíni­co do Hos­pi­tal Albert Ein­stein, aler­tou que as pes­soas que cos­tu­mam ter dores de cabeça, chamadas cefaleia na lin­guagem médi­ca, devem procu­rar auxílio médi­co e não acred­i­tar que a doença não tem trata­men­to. “Tem con­t­role”, asse­gurou Calia, em entre­vista à Agên­cia Brasil.

O neu­rol­o­gista esclare­ceu que é denom­i­na­da cefaleia crôni­ca a cefaleia (dor) que ocorre mais do que 15 dias por mês, há mais de três meses. “Isso se chama cefaleia crôni­ca diária”. Dos qua­tro tipos de cefaleia crôni­ca diária, os mais fre­quentes são a enx­aque­ca crôni­ca e a cefaleia crôni­ca diária do tipo ten­sion­al. “Qual­quer uma que durar mais de 15 dias por mês, por mais do que três meses”.

Segun­do Lean­dro Calia, a grande difer­ença entre cefaleias crôni­cas e cefaleias episódi­cas é o maior com­pro­me­ti­men­to na qual­i­dade de vida nas pes­soas que têm cefaleias crôni­cas. Não se deve usar tam­bém o ter­mo enx­aque­ca como sinôn­i­mo de cefaleia, aler­tou o neu­rol­o­gista. “Não é a mes­ma coisa”.

Disse que a cefaleia pode ser secundária, quan­do é sin­toma de algu­ma doença, como um tumor, menin­gite, covid-19, por exem­p­lo. Mas pode ser primária, quan­do é uma doença por si só, isto é, não tem out­ra doença cau­san­do a dor. “Aí, são cen­te­nas de tipos de cefaleia”. Cefaleias primárias incluem a enx­aque­ca e cefaleia do tipo ten­sion­al, a cefaleia em sal­va (crises de episó­dios fre­quentes). Calia adver­tiu que a exem­p­lo de out­ras doenças, como o dia­betes, por exem­p­lo, a enx­aque­ca primária tem trata­men­to. “Tem con­t­role”, reit­er­ou.

Limitação

De acor­do com o espe­cial­ista, a primeira causa de per­da de um dia de tra­bal­ho, de estu­do ou de qual­i­dade de vida é a enx­aque­ca, abaixo dos 50 anos de idade. “Não é uma doenc­in­ha qual­quer. É uma doença que limi­ta muito a qual­i­dade (de vida) das pes­soas. Na enx­aque­ca crôni­ca, a dor per­du­ra durante mais de 15 dias no mês”. Insis­tiu que a pes­soa que tem enx­aque­ca não deve lidar a doença como se ela fos­se algo banal, sim­ples, uma coisa qual­quer ou uma des­cul­pa para não ir ao tra­bal­ho. “As pes­soas con­fun­dem uma dor de cabeça leve com a enx­aque­ca crôni­ca, que é um infer­no”. Infor­mou que só 30% a 40% das pes­soas que têm enx­aque­ca crôni­ca têm carteira assi­na­da, porque não con­seguem man­ter um tra­bal­ho com uma dor que dura mais de 15 dias por mês.

A importân­cia da con­sci­en­ti­za­ção sobre o assun­to pode ser avali­a­da pelos dados a seguir, indi­cou Lean­dro Calia. Somente a enx­aque­ca acomete 16% das mul­heres e entre 4% a 5% dos home­ns, o que sig­nifi­ca que 20% da pop­u­lação mundi­al têm enx­aque­ca. Con­sideran­do a enx­aque­ca crôni­ca, que dura mais de 15 dias de dor ao mês, por pelo menos três meses ou mais, o número atinge entre 1% a 2% da pop­u­lação mundi­al. Isso sig­nifi­ca que a cada 100 pes­soas, uma ou duas sofrem dessa doença.

Calia afir­mou que há uma estigma­ti­za­ção, ou pre­con­ceito, em relação à enx­aque­ca, con­tra as mul­heres, porque a enx­aque­ca ata­ca mais a pop­u­lação fem­i­ni­na. Lem­brou, ain­da, que a primeira causa de inca­pac­i­tação nas pes­soas que deix­am de ir tra­bal­har ou estu­dar, no mun­do, é dor lom­bar. “Só que dor lom­bar é uma condição que vem de diver­sas doenças. Cen­te­nas de doenças causam dor lom­bar em qual­quer faixa etária”. A segun­da causa é enx­aque­ca. Mas con­sideran­do pes­soas abaixo de 50 anos, a enx­aque­ca pas­sa a ser a primeira causa, com impactos econômi­cos. “Isso é um prob­le­ma mundi­al”.

Tratamento

No Brasil, 2% da pop­u­lação têm enx­aque­ca crôni­ca, enquan­to 20% a 25% têm enx­aque­ca que não chega a durar 15 dias por mês de dor, há mais de três meses. “Se forem 10 a 12 dias, não é chama­da crôni­ca”, adver­tiu Calia. Para tratar a dor no dia em que ela se apre­sen­ta, os espe­cial­is­tas fazem um trata­men­to de res­gate, com anal­gési­co.

Ele expli­cou, con­tu­do, que “tratar é não ter dor. Tratar a enx­aque­ca é con­tro­lar as crises de dor de cabeça para que elas não ocor­ram”. A isso se denom­i­na trata­men­to pre­ven­ti­vo. “É o úni­co trata­men­to que mere­ce­ria esse nome”. Tem que tratar para a dor não ocor­rer.

“Hoje exis­tem medica­men­tos injetáveis, admin­istra­dos em pon­tos nas regiões frontal, occip­i­tal (pos­te­ri­or da cabeça), tem­po­ral e pos­te­ri­or do pescoço, que relax­am a mus­cu­latu­ra. Dessa for­ma, impede que os neu­ro­trans­mis­sores lev­em os sinais de dor até o mús­cu­lo, reduzin­do a per­cepção pelo sis­tema cen­tral”, com­ple­tou a médi­ca neu­rol­o­gista e neu­ro­pe­di­atra, Thais Vil­la, dire­to­ra da Sociedade Brasileira de Cefaleia, e tam­bém tit­u­lar da Acad­e­mia Brasileira de Neu­rolo­gia e mem­bro do Con­sel­ho Con­sul­ti­vo do Comitê de Cefaleias na Infân­cia e Ado­lescên­cia da Inter­na­tion­al Headache Soci­ety.

Lean­dro Calia expli­cou que se a pes­soa pode faz­er uso de medica­men­tos injetáveis uma vez por mês para que dimin­ua a fre­quên­cia de dor. Isso é con­t­role, ou seja, diminuir a fre­quên­cia de dias com dor, diminuir a duração de cada dor, a inten­si­dade da dor, aumen­tar o efeito pos­i­ti­vo dos remé­dios anal­gési­cos quan­do a pes­soa está com dor. “Mes­mo quan­do a gente não con­segue zer­ar a dor, ten­do um con­t­role como esse, os pacientes são eter­na­mente gratos. Eles saem do infer­no. Hoje exis­tem vários trata­men­tos”. O grande aler­ta da con­sci­en­ti­za­ção é mostrar às pes­soas que não devem cair no pres­su­pos­to de que não há trata­men­to para enx­aque­ca crôni­ca. “Procu­ra o médi­co e vai se tratar”, recomen­dou Calia.

Ansiedade, estresse, depressão, roti­na inad­e­qua­da de sono são algu­mas condições que podem dis­parar crises de enx­aque­ca, que per­du­ram por até 72 horas. Out­ras causas impor­tantes são insô­nia, jejum pro­lon­ga­do, pou­ca ingestão de água, seden­taris­mo e o con­sumo em exces­so de cafeí­na e bebidas alcoóli­cas.

Edição: Valéria Aguiar

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