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Lula entregará a cientistas medalha retirada por Bolsonaro

Repro­dução: © Val­ter Campanato/Agência Brasil

Premiação havia sido concedida e depois foi retirada por decreto


Pub­li­ca­do em 02/02/2023 — 21:37 Por Léo Rodrigues — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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O infec­tol­o­gista Mar­cus Viní­cius Guimarães de Lac­er­da e a san­i­tarista Adele Ben­za­k­en serão con­dec­o­ra­dos pelo gov­er­no fed­er­al com a Ordem Nacional do Méri­to Cien­tí­fi­co. Em novem­bro de 2021, os dois chegaram a ser agra­ci­a­dos com a hon­raria em decre­to assi­na­do pelo então pres­i­dente Jair Bol­sonaro. No entan­to, dois dias depois, ele edi­tou um novo decre­to can­ce­lando a con­dec­o­ração. Em protesto con­tra a medi­da, out­ros 21 cien­tis­tas agra­ci­a­dos assi­naram uma car­ta renun­cian­do cole­ti­va­mente à hon­raria.

“Lula devolverá a medal­ha a ess­es dois cien­tis­tas. E todos aque­les que recusaram a con­dec­o­ração no gov­er­no ante­ri­or tam­bém irão rece­ber a medal­ha”, anun­ciou a min­is­tra de Ciên­cia, Tec­nolo­gia e Ino­vação, Luciana San­tos, em dis­cur­so hoje (2) no Rio de Janeiro, durante a 13º Bien­al da União Nacional dos Estu­dantes (UNE).

A Ordem Nacional do Méri­to Cien­tí­fi­co foi cri­a­da em 1993 para recon­hecer con­tribuições cien­tí­fi­cas e téc­ni­cas de per­son­al­i­dades brasileiras e estrangeiras. A indi­cação dos agra­ci­a­dos é real­iza­da por uma comis­são for­ma­da por nove mem­bros, des­ig­na­dos de for­ma par­itária pelo Min­istério da Ciên­cia, Tec­nolo­gia e Ino­vação (MCTI), pela Acad­e­mia Brasileira de Ciên­cias e pela Sociedade Brasileira para o Pro­gres­so da Ciên­cia (SBPC). A lista de nomes deve ser elab­o­ra­da levan­do em con­ta os serviços rel­e­vantes à ciên­cia, tec­nolo­gia e ino­vação e o destaque den­tre por suas qual­i­dades int­elec­tu­ais, acadêmi­cas e morais entre os pares.

Ao can­ce­lar a con­dec­o­ração de Mar­cus Lac­er­da e Adele Ben­za­k­en, Bol­sonaro não apre­sen­tou nen­hu­ma jus­ti­fica­ti­va. Após o episó­dio, a renún­cia cole­ti­va de out­ros 21 agra­ci­a­dos não foi a úni­ca reação da comu­nidade cien­tí­fi­ca. Mais de 270 pesquisadores con­dec­o­ra­dos em anos ante­ri­ores tam­bém pub­licaram uma car­ta. Eles acusaram o gov­er­no de cen­surar e perseguir cien­tis­tas e man­i­fes­taram pre­ocu­pação com o uso da hon­raria com inter­ess­es políti­cos e ide­ológi­cos.

Adele Ben­za­k­en havia sido dire­to­ra do Depar­ta­men­to de HIV/Aids do Min­istério da Saúde entre 2016 e 2019, quan­do foi demi­ti­da do car­go pelo gov­er­no fed­er­al após a pub­li­cação de uma car­til­ha volta­da para home­ns trans. Já Mar­cus Lac­er­da lid­er­ou um estu­do no qual con­cluiu em 2020 que a cloro­quina era inefi­caz para o trata­men­to de covid-19. Seu arti­go foi pub­li­ca­do na Jour­nal of the Amer­i­can Med­ical Asso­ci­a­tion, uma revista cien­tí­fi­ca de refer­ên­cia inter­na­cional.

Bol­sonaro defendia o uso da cloro­quina para enfrentar a pan­demia de covid-19, emb­o­ra não tivesse respal­do cien­tí­fi­co. Após pub­licar os resul­ta­dos de sua pesquisa, Mar­cus Lac­er­da chegou a ser ata­ca­do nas redes soci­ais por apoiadores do então pres­i­dente, incluin­do seu fil­ho, o dep­uta­do fed­er­al Eduar­do Bol­sonaro.

Edição: Aline Leal

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