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Anderson Torres diz que nunca tratou de golpe de Estado

Repro­dução: © Joéd­son Alves/Agência Brasil

Depoimento do ex-ministro à PF foi tornado público pelo STF


Publicado em 15/03/2024 — 19:03 Por Daniella Almeida — Repórter da Agência Brasil — Brasília

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O ex-min­istro da Justiça e Segu­rança Públi­ca Ander­son Tor­res, em depoi­men­to presta­do em 22 de fevereiro à Polí­cia Fed­er­al (PF), em Brasília, afir­mou que em nen­hu­ma opor­tu­nidade no Palá­cio da Alvo­ra­da, após o segun­do turno das eleições pres­i­den­ci­ais de 2022, tra­tou de golpe de Esta­do, nem mes­mo da abolição do Esta­do Democráti­co de Dire­ito, Garan­tia da Lei e da Ordem, Esta­do de Sítio, Esta­do de Defe­sa, inter­venção mil­i­tar ou algo do gênero.

Na oiti­va, Ander­son Tor­res declar­ou nun­ca ter ques­tion­a­do a lisura do sis­tema eleitoral brasileiro e que não rat­i­fi­cou as palavras do ex-pres­i­dente da Repúbli­ca Jair Bol­sonaro de que have­ria fraude nas urnas eletrôni­cas.

Os tre­chos da fala do ex-min­istro são respostas a ques­tion­a­men­tos feitos pelos agentes da PF sobre a reunião min­is­te­r­i­al de 5 de jul­ho de 2022, lid­er­a­da pelo ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro, com o primeiro escalão do gov­er­no fed­er­al. Entre os par­tic­i­pantes, estiver­am min­istros de Esta­do, secretários exec­u­tivos e asses­sores da Presidên­cia da Repúbli­ca. O vídeo da reunião faz parte das inves­ti­gações fed­erais sobre a ten­ta­ti­va de golpe de Esta­do, em 8 de janeiro do ano pas­sa­do.

No depoi­men­to, tor­na­do públi­co nes­ta sex­ta-feira (15) pelo min­istro do Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF) Alexan­dre de Moraes, Tor­res con­fir­mou ter par­tic­i­pa­do da reunião após ser con­vo­ca­do pela Presidên­cia da Repúbli­ca, mas sem apon­tar o respon­sáv­el por orga­ni­zar o encon­tro. Ele tam­bém disse não saber o moti­vo de o pré-can­dida­to à Vice-presidên­cia Wal­ter Bra­ga Net­to e do dep­uta­do fed­er­al Fil­ipe Bar­ros terem par­tic­i­pa­do do encon­tro, vis­to que não inte­gravam o gov­er­no.

Minuta do golpe

Sobre a min­u­ta de decre­to do Esta­do de Defe­sa no Tri­bunal Supe­ri­or Eleitoral (TSE), apreen­di­da na sua residên­cia, em 10 de janeiro de 2023, ele disse que não a escreveu, e que não tin­ha con­hec­i­men­to do teor do doc­u­men­to apre­sen­ta­do em reunião no Palá­cio da Alvo­ra­da, em 7 de dezem­bro de 2022, pelo asses­sor Fil­ipe Mar­tins.

O ex-min­istro da Justiça afir­mou no depoi­men­to à Polí­cia Fed­er­al que descon­hece qual­quer plano rela­ciona­do ao mon­i­tora­men­to e even­tu­al prisão do min­istro do STF Alexan­dre de Moraes, em sua residên­cia, no mês de dezem­bro de 2022.

Fraude

No depoi­men­to, tor­na­do públi­co nes­ta sex­ta-feira (15), Ander­son Tor­res negou ter propa­ga­do infor­mações de vul­ner­a­bil­i­dades e fraudes nas eleições de 2022 e que não rece­beu qual­quer relatório a respeito da existên­cia de qual­quer fraude eleitoral. Ele declar­ou ain­da que não viu par­cial­i­dade do Poder Judi­ciário no proces­so eleitoral de 2022.

O ex-min­istro nega que ten­ha solic­i­ta­do a min­istros que difundis­sem infor­mações a respeito de fraude no sis­tema eletrôni­co de votação.

Sobre as pos­síveis con­se­quên­cias da não reeleição de Bol­sonaro, em que ele disse “sen­hores, todos vão se foder! Eu quero deixar bem claro isso. Porque se … eu não tô dizen­do que … eu quero que cada um pense no que pode faz­er pre­vi­a­mente porque todos vão se foder”, o ex-min­istro reit­er­ou que as palavras dele tratavam, na real­i­dade, de um chama­men­to para que todos os min­istros atu­assem den­tro de suas pas­tas para que pudessem con­tribuir com o proces­so eleitoral e que dese­ja­va ape­nas a vitória. E que a expressão “se foder” sig­nifi­ca­va a per­da de todos os avanços que cada um dos min­istros tin­ha obti­do ao lon­go dos 4 anos de tra­bal­ho.

Quan­to à declar­ação que teria prometi­do atu­ar de uma for­ma mais inci­si­va, o ex-min­istro disse que se refe­ria à dire­triz de com­bate aos crimes eleitorais, com emprego de equipes com­ple­tas em cam­po, para atu­ar de maneira proa­t­i­va, espe­cial­mente por parte da Polí­cia Fed­er­al.

PCC

Em relação a declar­ação durante a reunião min­is­te­r­i­al sobre a supos­ta relação do Par­tido dos Tra­bal­hadores com o Primeiro Coman­do da Cap­i­tal (PCC), Ander­son Tor­res disse que se refe­ria ape­nas a duas reporta­gens divul­gadas qua­tro dias antes da reunião sobre citações do empresário e pub­lic­itário brasileiro Mar­cos Valério Fer­nan­des de Souza, con­heci­do pelo envolvi­men­to no esque­ma do men­salão. Ele, no entan­to, disse não saber o anda­men­to da apu­ração na Polí­cia Fed­er­al das referi­das reporta­gens.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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