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Cid: Bolsonaro buscava fraude nas urnas para justificar intervenção

Afirmação foi feita em interrogatório da ação penal da trama golpista

André Richter — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 09/06/2025 — 17:14
Brasília
Brasília (DF), 05/06/2025 - Mauro Cesar Barbosa Cid durante interrogatórios dos réus da Ação Penal (AP) 2668 no STF. Foto: Ton Molina/STF
Repro­dução: © Ton Molina/STF

O tenente-coro­nel do Exérci­to Mau­ro Cid afir­mou nes­ta segun­da-feira (9) que o ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro esper­a­va encon­trar uma fraude nas urnas eletrôni­cas para con­vencer os coman­dantes das Forças Armadas a aderirem à ten­ta­ti­va de golpe para revert­er o resul­ta­do das eleições de 2022.

A afir­mação de Cid foi fei­ta durante a audiên­cia de inter­ro­gatório da ação penal da tra­ma golpista. Ex-aju­dante de ordens de Jair Bol­sonaro, Cid é primeiro réu do Núcleo 1 da tra­ma golpista a ser inter­ro­ga­do pelo min­istro Alexan­dre de Moraes, rela­tor da ação penal do golpe. O mil­i­tar tam­bém está na condição de dela­tor nas inves­ti­gações.

Durante o depoi­men­to, Cid disse que Bol­sonaro e o gen­er­al Wal­ter Bra­ga Net­to, ex-min­istro do gov­er­no e vice na cha­pa de 2022, esper­avam encon­trar uma fraude nas urnas para jus­ti­ficar uma inter­venção mil­i­tar no país.

Por esse moti­vo, segun­do Mau­ro Cid, o ex-pres­i­dente pres­sion­a­va o gen­er­al Paulo Ser­gio Nogueira, ex-min­istro da Defe­sa, a insin­uar que não era pos­sív­el descar­tar a pos­si­bil­i­dade de fraudes na votação eletrôni­ca.

“A grande expec­ta­ti­va era que fos­se encon­tra­da uma fraude nas urnas. O que a gente sem­pre viu era uma bus­ca por encon­trar fraude na urna. Com a fraude na urna, pode­ria con­vencer os mil­itares, dizen­do que a eleição foi frau­da­da e, talvez, a situ­ação mudasse”, declar­ou.

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Em 2022, Nogueira envi­ou ao Tri­bunal Supe­ri­or Eleitoral (TSE) um pare­cer téc­ni­co para afir­mar que não é pos­sív­el afir­mar que o sis­tema eletrôni­co de votação está isen­to da influên­cia.

Os mil­itares fazi­am parte da comis­são de transparên­cia cri­a­da pelo próprio TSE para fis­calizar as eleições.

Por vol­ta das 16h45, o inter­ro­gatório de Mau­ro Cid foi sus­pen­so para o inter­va­lo. O depoi­men­to deve prosseguir até as 20h.

Interrogatórios

De hoje a sex­ta-feira (13), Alexan­dre de Moraes vai inter­rog­ar o ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro, Bra­ga Net­to e mais seis réus acu­sa­dos de par­tic­i­parem do “núcleo cru­cial” de uma tra­ma para impedir a posse do ex-pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula da Sil­va após o resul­ta­do das eleições de 2022.

Con­fi­ra a ordem dos depoi­men­tos:

  1. Mau­ro Cid, dela­tor e ex-aju­dante de ordens de Bol­sonaro;
  2. Alexan­dre Ram­agem, ex-dire­tor da Agên­cia Brasileira de Inteligên­cia (Abin);
  3. Almir Gar­nier, ex-coman­dante da Mar­in­ha;
  4. Ander­son Tor­res, ex-min­istro da Justiça e ex-secretário de segu­rança do Dis­tri­to Fed­er­al;
  5. Augus­to Heleno, ex-min­istro do Gabi­nete de Segu­rança Insti­tu­cional;
  6. Jair Bol­sonaro, ex-pres­i­dente da Repúbli­ca;
  7. Paulo Sér­gio Nogueira, ex-min­istro da Defe­sa;
  8. Wal­ter Bra­ga Net­to, gen­er­al do Exérci­to e ex-min­istro de Bol­sonaro.
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