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Garnier nega envolvimento em trama golpista: “me ative à minha função”

Almirante foi primeiro a falar no segundo dia de interrogatório no STF

Alex Rodrigues – Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 10/06/2025 — 11:18
Brasília
Brasília (DF), 10/06/2025- Depoimento do almirante, Almir Garnier dos Santos (Marinha). O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes começa a ouvir os réus do núcleo 1 na ação da trama golpista, os interrogatórios ocorrerão presencialmente na sala de julgamentos da primeira turma da corte. Foto: Gustavo Moreno/STF
Repro­dução: © Gus­ta­vo Moreno/STF

O ex-coman­dante da Mar­in­ha, almi­rante Almir Gar­nier, afir­mou que se ateve ao seu papel insti­tu­cional ao par­tic­i­par de reuniões no Palá­cio do Planal­to, nas quais o ex-pres­i­dente da Repúbli­ca Jair Mes­sias Bol­sonaro teria dis­cu­ti­do o resul­ta­do das eleições pres­i­den­ci­ais de 2022 e um supos­to plano de golpe de Esta­do com os então chefes das Forças Armadas e inte­grantes da equipe de gov­er­no.

“A Mar­in­ha é extrema­mente hier­ar­quiza­da. Seguimos bem à risca o estatu­to dos mil­itares, que diz que a um sub­or­di­na­do é dado ape­nas o dire­ito de pedir, por escrito, uma ordem que ele rece­ba e con­sidere fla­grante­mente ile­gal”, disse Gar­nier nes­ta terça-feira (10), ao min­istro Alexan­dre de Moraes, no segun­do dia de inter­ro­gatórios do Núcleo 1 da tra­ma golpista.

“Eu era coman­dante da Mar­in­ha. Não era asses­sor políti­co do pres­i­dente. E me ative ao meu papel insti­tu­cional.”

Denun­ci­a­do por sus­pei­ta de colab­o­ração com a supos­ta tra­ma golpista, Gar­nier negou as acusações que a Procu­rado­ria-Ger­al da Repúbli­ca (PGR) lhe atribui – den­tre elas, a intenção de mobi­lizar o efe­ti­vo da Mar­in­ha em apoio a qual­quer ini­cia­ti­va que bus­casse impedir o can­dida­to eleito Luiz Iná­cio Lula da Sil­va de tomar posse em 1º de janeiro de 2023.

Brasília (DF), 10/06/2025- O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes começa a ouvir os réus do núcleo 1 na ação da trama golpista, os interrogatórios ocorrerão presencialmente na sala de julgamentos da primeira turma da corte. Foto: Gustavo Moreno/STF
Repro­dução: Alexan­dre de Moraes inter­ro­ga réus do Núcleo 1 na ação da tra­ma golpista — Gus­ta­vo Moreno/STF

“Como é nor­mal nas min­has ati­tudes, eu me aten­ho às min­has funções e respon­s­abil­i­dades”, acres­cen­tou Gar­nier, negan­do que, durante a reunião ocor­ri­da em 7 de dezem­bro de 2022, Bol­sonaro ten­ha aven­ta­do qual­quer hipótese de rup­tura autoritária do proces­so democráti­co.

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“Havia vários assun­tos [em pau­ta]. Entre eles, a pre­ocu­pação do pres­i­dente [com a segu­rança públi­ca]. E que tam­bém era nos­sa [pre­ocu­pação]. Com as inúmeras pes­soas que estavam insat­is­feitas e que se posi­cionavam em frente aos quar­téis do Exérci­to, o que pode­ria traz­er algu­ma difi­cul­dade para a segu­rança públi­ca – até porque não se sabia muito bem para onde iria aque­le movi­men­to”, desta­cou Gar­nier.

Segun­do o almi­rante, além do próprio Bol­sonaro, par­tic­i­param do encon­tro de 7 de dezem­bro o então min­istro da Defe­sa, Paulo Sér­gio, e o então coman­dante do Exérci­to, gen­er­al Freire Gomes, além de asses­sores pres­i­den­ci­ais, como o então aju­dante de ordens, Mau­ro Cid..

Ain­da de acor­do com Gar­nier, foram apre­sen­ta­dos alguns tópi­cos e con­sid­er­ações acer­ca da pos­si­bil­i­dade de dec­re­tação de uma GLO (Garan­tia da Lei e da Ordem), mas nen­hu­ma min­u­ta ou doc­u­men­to que con­ferisse algu­ma legal­i­dade à pro­pos­ta.

“Eu não vi nen­hu­ma min­u­ta. Não rece­bi nen­hum doc­u­men­to, nen­hum papel. Vi uma apre­sen­tação na tela de um com­puta­dor. Lem­bro que o con­teú­do dizia respeito à pressão pop­u­lar nas ruas, con­sideran­do que havia insat­is­fação, pes­soas nas por­tas dos quar­téis e algu­ma coisa de cam­in­honeiros. Tam­bém havia algu­mas con­sid­er­ações acer­ca do proces­so eleitoral. Talvez, algu­ma coisa lig­a­da à for­ma como as questões eleitorais acon­te­ce­r­am. Mas não me lem­bro dos detal­h­es”, disse Gar­nier.

Ele negou ter dito, na ocasião, que as tropas da Força Aérea Brasileira (FAB) estari­am à dis­posição de Bol­sonaro, con­forme o ex-coman­dante da Aeronáu­ti­ca, brigadeiro Car­los Bap­tista Júnior con­tou em depoi­men­to à PF.

“Não hou­ve delib­er­ações. E o pres­i­dente não abriu a palavra para nós”, asse­gurou Gar­nier, insistin­do que, durante a reunião, Bol­sonaro não falou em golpe de Esta­do.

“Ele fez algu­mas con­sid­er­ações e man­i­festou o que me pare­ceu serem pre­ocu­pações e anális­es de pos­si­bil­i­dades — e não uma ideia ou intenção de con­duzir as coisas em uma cer­ta direção. A úni­ca que perce­bi e que me era tangív­el e impor­tante era a pre­ocu­pação com a segu­rança públi­ca, para a qual, a GLO é um instru­men­to ade­qua­do, den­tro de cer­tos parâmet­ros.”

Sobre as eleições pres­i­den­ci­ais, Gar­nier disse não ter rece­bido qual­quer infor­mação que indi­cas­se a pos­si­bil­i­dade de fraude no proces­so eleitoral ou prob­le­mas com as urnas eletrôni­cas, mas voltou a defend­er que “quan­to mais trans­par­entes os proces­sos, maiores serão as garan­tias de que ter­e­mos tran­sições pací­fi­cas, deses­tim­u­lan­do a neces­si­dade de uma inter­venção, como uma GLO”.

Interrogatórios

Até a próx­i­ma sex­ta-feira (13), o min­istro Alexan­dre de Moraes, rela­tor da ação penal do Núcleo 1 da tra­ma golpista, vai inter­rog­ar pres­en­cial­mente o ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro, Bra­ga Net­to e mais seis réus acu­sa­dos de par­tic­i­par do “núcleo cru­cial” de uma tra­ma para impedir a posse do ex-pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula da Sil­va após o resul­ta­do das eleições de 2022.

O inter­ro­gatório dos réus é uma das últi­mas fas­es da ação. A expec­ta­ti­va é de que o jul­ga­men­to – que vai decidir pela con­de­nação ou absolvição do ex-pres­i­dente e dos demais réus – ocor­ra no segun­do semes­tre deste ano.

Em caso de con­de­nação, as penas pas­sam de 30 anos de prisão.

Matéria ampli­a­da às 11h27

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