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Ex-ministro diz que alertou Bolsonaro sobre gravidade de golpe

Paulo Sérgio Nogueira é um dos réus da ação penal da trama golpista

André Richter — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 10/06/2025 — 18:25
Brasília
Brasília (DF), 10/06/2025 - Depoimento ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes começa a ouvir os réus do núcleo 1 na ação da trama golpista, os interrogatórios ocorrerão presencialmente na sala de julgamentos da primeira turma da corte Foto: Fellipe Sampaio/STF
Repro­dução: © Fel­lipe Sampaio/STF

O ex-min­istro da Defe­sa Paulo Sér­gio Nogueira afir­mou nes­ta terça-feira (10) que aler­tou Jair Bol­sonaro sobre a gravi­dade da pos­si­bil­i­dade de dec­re­tação de medi­das golpis­tas no final do gov­er­no do ex-pres­i­dente, em 2022.

Nogueira, que é gen­er­al do Exérci­to, é um dos réus da ação penal da tra­ma golpista e foi chama­do para ser inter­ro­ga­do pelo min­istro Alexan­dre de Moraes, rela­tor do proces­so no Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF).

O gen­er­al foi acu­sa­do pela Procu­rado­ria-Ger­al da Repúbli­ca (PGR) de endos­sar críti­cas ao sis­tema eleitoral, insti­gar a ten­ta­ti­va de golpe e de apre­sen­tar uma ver­são do decre­to golpista para pedir apoio aos coman­dantes das Forças Armadas.

O ex-min­istro con­fir­mou a par­tic­i­pação na reunião real­iza­da pelo ex-pres­i­dente para apre­sen­tar estu­dos para dec­re­tação de medi­das de esta­do de sítio para revert­er o resul­ta­do das eleições, mas negou ter apre­sen­ta­do o doc­u­men­to.

Nogueira disse que aler­tou Bol­sonaro sobre a gravi­dade da ten­ta­ti­va da golpe e que ele e o ex-coman­dante do Exérci­to Freire Gomes saíram “pre­ocu­padís­si­mos” da reunião.

“Alertei da seriedade, da gravi­dade, se ele [Bol­sonaro] estivesse pen­san­do em esta­do de defe­sa, esta­do de sítio. A gente con­ver­san­do ali numa tem­pes­tade de ideias, as con­se­quên­cias de uma ação futu­ra que eu imag­i­na­va que pode­ria acon­te­cer se as coisas fos­sem em frente”, afir­mou.

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Minuta de golpe

Paulo Ser­gio Nogueira tam­bém reba­teu a acusação da procu­rado­ria e negou ter lev­a­do a min­u­ta de golpe para os coman­dantes das Forças Armadas.

“Eu nun­ca tratei de min­u­ta de golpe com meus ex-coman­dantes”, declar­ou.

Urnas eletrônicas

O ex-min­istro tam­bém negou ter sofri­do pressão do ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro para alter­ar o relatório de audi­to­ria das urnas eletrôni­cas uti­lizadas nas eleições de 2022 e insin­uar que não seria pos­sív­el descar­tar fraudes nas urnas eletrôni­cas.

Segun­do o gen­er­al, as con­clusões do relatório entregue ao Tri­bunal Supe­ri­or Eleitoral (TSE) foram feitas com base no pare­cer dos téc­ni­cos das Forças Armadas.

“O pres­i­dente da Repúbli­ca [Bol­sonaro] jamais me pres­sio­nou, seja para man­dar o relatório só para o segun­do turno, seja para alter­ar o relatório. O que me deixa de cabeça quente é saber pela denún­cia [da PGR] que eu havia alter­ado esse relatório”, afir­mou.

Nogueira tam­bém pediu des­cul­pas a Alexan­dre de Moraes por ter feito críti­cas, sem fun­da­men­to, às urnas eletrôni­cas e a min­istros do TSE.

“Que­ria me des­cul­par pub­li­ca­mente por ter feito essas colo­cações. Nes­sa reunião, tra­to com palavras total­mente inad­e­quadas o tra­bal­ho do TSE”, afir­mou.

Interrogatórios

O rela­tor da ação penal, Alexan­dre de Moraes, inter­ro­ga oito réus acu­sa­dos de par­tic­i­par do “núcleo cru­cial” de uma tra­ma golpista.

Além do ex-min­istro da Defe­sa, já foram inter­ro­ga­dos:

Fal­ta o depoi­men­to de Wal­ter Bra­ga Net­to, gen­er­al do Exérci­to e ex-min­istro de Bol­sonaro, que será ouvi­do em segui­da.

O mil­i­tar é o úni­co réu que irá depor por video­con­fer­ên­cia. Vice na cha­pa de Bol­sonaro em 2022, Bra­ga Net­to está pre­so des­de dezem­bro do ano pas­sa­do sob a acusação de obstru­ir a inves­ti­gação sobre a ten­ta­ti­va de golpe de Esta­do e obter detal­h­es da delação de Mau­ro Cid.

O inter­ro­gatório dos réus é uma das últi­mas fas­es da ação penal. A expec­ta­ti­va é que o jul­ga­men­to que vai decidir pela con­de­nação ou absolvição do ex-pres­i­dente e dos demais réus ocor­ra no segun­do semes­tre deste ano.

Em caso de con­de­nação, as penas pas­sam de 30 anos de prisão.

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