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Morre Arlindo de Souza, conhecido como “Popeye Brasileiro”

Ele ficou conhecido por usar óleo mineral nos braços, prática perigosa

Luciano Nasci­men­to — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 14/01/2026 — 20:39
São Luís
Recife (PE), 14/01/2026 - O pernambucano Arlindo de Souza, conhecido como 'Popeye Brasileiro'. Foto: @arlindoanomalia/Facebook
Repro­dução: © @arlindoanomalia/Facebook

Aos 55 anos, mor­reu o olin­dense Arlin­do de Souza, con­heci­do como Pop­eye BrasileiroArlin­do ficou con­heci­do nacional­mente após apare­cer em pro­gra­mas de tele­visão com mús­cu­los avan­ta­ja­dos dos braços, resul­ta­do da apli­cação de óleo min­er­al. Com físi­co exager­a­do, ele pas­sou a ser com­para­do ao famoso mar­in­heiro de desen­ho ani­ma­do.

A causa da morte de Arlin­do não foi infor­ma­da.

Arlin­do mora­va em Águas Com­pri­das, bair­ro de Olin­da, e mor­reu na madru­ga­da de terça-feira (13), no Hos­pi­tal Otávio de Fre­itas, em Tejip­ió, na zona oeste do Recife. Ele esta­va inter­na­do des­de dezem­bro. O sepul­ta­men­to de Arlin­do foi mar­ca­do para a tarde des­ta quar­ta-feira (13), no Cemitério de Águas Com­pri­das.

Pedreiro, Arlin­do mod­i­fi­cou o cor­po com a apli­cação de óleo min­er­al e álcool, práti­ca con­de­na­da por médi­cos. O caso de Arlin­do chamou atenção para o uso de anab­o­lizantes e out­ras sub­stân­cias para aumen­tar a mas­sa mus­cu­lar. Entre out­ros prob­le­mas, o uso de esteroides é asso­ci­a­do a sérios riscos para a saúde renal, como aumen­to da pressão arte­r­i­al, danos celu­lares e até mes­mo a morte.

O médi­co car­di­ol­o­gista e pres­i­dente da Asso­ci­ação de Hos­pi­tais e Serviços de Saúde do Esta­do de São Paulo (AHOSP), Anis Mitri, aler­ta que o uso de hor­mônios anab­o­lizantes, sin­téti­cos ou não, traz inúmeros efeitos colat­erais, prin­ci­pal­mente quan­do usa­dos em altas dos­es.

“Quan­do a pes­soa usa o hor­mônio para faz­er mus­cu­lação, ela aca­ba sentin­do que tem mais dis­posição, ela aca­ba sentin­do que tem mais recu­per­ação mus­cu­lar mais fácil, ela con­segue lev­an­tar mais peso. E isso aca­ba crian­do uma tendên­cia da pes­soa sem­pre quer­er usar. Só que o uso dele, tan­to cur­to quan­to pro­lon­ga­do, gera efeitos colat­erais que você não con­segue con­tro­lar”, disse à Agên­cia Brasil.

Entre os efeitos estão a dependên­cia, a cri­ação de coágu­los no sangue que podem levar a um aci­dente vas­cu­lar cere­bral (AVC), der­rame, infar­to. Além dis­so, ele cita efeitos oncológi­cos, que podem pre­dis­por a pes­soa a ter mais tipos de câncer, a exem­p­lo do câncer de prós­ta­ta, câncer de mama e de tireoide.

“Você não con­segue con­tro­lar qual é a dose segu­ra. Tam­bém exis­tem os efeitos psíquicos e psi­cológi­cos, em que a pes­soa fica mais ner­vosa, mais agres­si­va. Além dos efeitos sim­ples, que é a que­da de cabe­lo, pruridão e ver­mel­hidão de pele, aumen­to da pressão arte­r­i­al. Isso tudo faz com que os hor­mônios sejam perigosos”, afir­mou.

“Ele [Arlin­do] tam­bém acres­cen­ta­va essa questão do óleo min­er­al den­tro da mus­cu­latu­ra. Isso pode levar a gan­grena, apo­drec­i­men­to dos mús­cu­los e trom­bose tam­bém”, con­cluiu.

A Sociedade Brasileira de Endocrinolo­gia e Metabolo­gia (Sbem) tam­bém aler­ta que o uso, sem acom­pan­hamen­to médi­co, de testos­terona – comu­mente chama­da de anab­o­lizante – pode ser perigoso e causar danos irreparáveis no cor­po humano. O uso da sub­stân­cia tornou-se um prob­le­ma de saúde públi­ca e os casos de com­pli­cações são cada vez mais fre­quentes.

A enti­dade cita como efeitos o aumen­to de acne, que­da de cabe­lo, dis­túr­bios da função do fíga­do, tumores no fíga­do, explosões de ira ou com­por­ta­men­to agres­si­vo, para­noia, alu­ci­nações, psi­coses, coágu­los de sangue, retenção de líqui­do no organ­is­mo, aumen­to da pressão arte­r­i­al e risco de adquirir doenças trans­mis­síveis.

Em razão dos riscos, em abril de 2023, o Con­sel­ho Fed­er­al de Med­i­c­i­na (CFM) proibiu a pre­scrição médi­ca de ter­apias hor­mon­ais com esteroides androgêni­cos e anab­o­lizantes com final­i­dade estéti­ca, para gan­ho de mas­sa mus­cu­lar ou mel­ho­ra do desem­pen­ho esporti­vo. A decisão foi toma­da em razão da inex­istên­cia de com­pro­vação cien­tí­fi­ca sufi­ciente que sus­tente o bene­fí­cio e a segu­rança do paciente.

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