...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Esportes / Andrew Parsons acredita em boa performance do Brasil em Tóquio

Andrew Parsons acredita em boa performance do Brasil em Tóquio

Repro­dução: © Fabio Rodrigues Pozzebom/rAgência Brasil

Presidente do IPC falou do impacto da revisão de classes na natação


Pub­li­ca­do em 24/08/2021 — 06:14 Por Igor San­tos — Envi­a­do espe­cial da EBC — Tóquio

A man­hã de Andrew Par­sons nes­ta terça-feira (24), em Tóquio, foi atare­fa­da. O brasileiro, pres­i­dente do Comitê Par­alímpi­co Inter­na­cional (IPC), se divid­iu entre 15 entre­vis­tas indi­vid­u­ais com difer­entes veícu­los de impren­sa no MPC (Main Press Cen­tre, o cen­tro de mídia dos Jogos de Tóquio). Um dos  veícu­los foi a TV Brasil, com a qual Par­sons con­ver­sou por cer­ca de 20 min­u­tos.

Ele falou sobre os impactos das reclas­si­fi­cações de atle­tas da natação no resul­ta­do da del­e­gação brasileira nos Jogos Par­alímpi­cos. Os dois prin­ci­pais medal­his­tas par­alímpi­cos da história do país, Daniel Dias (com 24 pódios) e André Brasil (14), foram afe­ta­dos pela revisão de class­es ini­ci­a­da no ciclo de Tóquio. André Brasil, que era atle­ta da S10, a classe com menor grau de com­pro­me­ti­men­to motor, foi con­sid­er­a­do inelegív­el e, após recor­rer da decisão, sequer está com a del­e­gação brasileira no Japão. Já Daniel Dias viu diver­sos atle­tas da S6, uma cat­e­go­ria aci­ma da sua (S5), serem “rebaix­a­dos” e, ao reg­is­trarem mel­hores mar­cas do que as do recordista de medal­has do Brasil, rep­re­sentarem grande ameaça ao reina­do dele.

Repro­dução: 30/08/2019 — Jogos Para­panamer­i­canos Lima 2019 ‑Natação ‑200m livre ‑Daniel Dias (S5) — Saulo Cruz/EXEMPLUS/CPB

“O Daniel é um dos mel­hores seres humanos que eu con­heço. Ele foi o respon­sáv­el por um dos maiores gestos de car­in­ho que eu já rece­bi na vida, quan­do me chamou ao pódio ao gan­har o ouro que o tornou o maior medal­hista par­alímpi­co do Brasil na história. Infe­liz­mente acon­te­ceu essa reclas­si­fi­cação, mas isso não apa­ga a car­reira dele. Obvi­a­mente, ele ain­da tem muito a con­tribuir, mas fica um gos­to um pouco amar­go para mim por estar à frente do IPC neste momen­to em que ele pode­ria encer­rar a car­reira de out­ra for­ma”, disse Par­sons.

O car­in­ho por André Brasil tam­bém ficou evi­dente nas palavras do pres­i­dente do comitê.

“Ninguém neste mun­do lutou mais do que eu para que ele se tor­nasse elegív­el. Ele é um ami­go. Eu lutei por ele quan­do a mes­ma situ­ação acon­te­ceu no começo da car­reira dele, em 2005. Vê-lo não elegív­el me doi muito. Mui­ta gente fala: ‘Ah, mas você é brasileiro, pode­ria ter feito algu­ma coisa’. Defen­do uma gov­er­nança limpa e inde­pen­dente no esporte e não pode­ria ben­e­fi­ciar atle­ta A ou B”, afir­ma.

As mudanças feitas após a saí­da de Andrew Par­sons da presidên­cia do CPB, em 2017, podem ser rever­tidas para o próx­i­mo ciclo par­alímpi­co. Segun­do ele, recen­te­mente foi lança­da uma ação de revisão do Códi­go de Clas­si­fi­cação, que deve ser con­cluí­da nos próx­i­mos três anos e vai se uti­lizar de anális­es dos comitês nacionais, de experts em ciên­cia e insti­tu­tos de pesquisa para mel­hor avaliar os atle­tas e suas clas­si­fi­cações fun­cionais. Enquan­to isso, o pres­i­dente acred­i­ta que a ausên­cia de André Brasil e uma pos­sív­el par­tic­i­pação sem medal­has de Daniel Dias não irão prej­u­dicar a per­for­mance do Brasil em Tóquio. A natação, com 102 medal­has, é a segun­da modal­i­dade que mais trouxe pódios para o país em Jogos Par­alímpi­cos (o atletismo con­quis­tou 142).

Repro­dução: Rio de Janeiro — Brasileiro André Brasil con­quista bronze nos 100m bor­bo­le­ta S10 nos Jogos Par­alímpi­cos Rio 2016, no Está­dio Aquáti­co. (Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil) — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

“O movi­men­to par­alímpi­co é muito forte no Brasil, out­ros atle­tas sur­gi­ram e vão con­quis­tar medal­has. Então, acho que não ser­e­mos tão afe­ta­dos mes­mo com essas mudanças”, obser­vou.

Veja out­ros tre­chos da entre­vista:

Como é a sen­sação de ver os Jogos de 2020 final­mente acon­te­cen­do em 2021?

É de alívio. Foi muito difí­cil chegar até este momen­to. Tam­bém nos man­te­mos vig­i­lantes. Não podemos relaxar com relação ao cumpri­men­to dos pro­to­co­los de saúde só porque os Jogos começaram. Temos que seguir assim até o últi­mo inte­grante da últi­ma del­e­gação deixar a Vila. Além dis­so, tam­bém sin­to algo difer­ente por ser min­ha primeira edição de Jogos Par­alímpi­cos de Verão como pres­i­dente do IPC. Então, tam­bém é muito espe­cial do pon­to de vista pes­soal.

Qual será a importân­cia de ter a Par­alimpía­da trans­mi­ti­da para todo o país em sinal aber­to?

A TV aber­ta é fun­da­men­tal no Brasil porque chega aos locais mais dis­tantes em um país de 200 mil­hões de habi­tantes. Ela foi impor­tante para a pop­u­lar­iza­ção do esporte par­alímpi­co por aqui. Bas­ta ver que o André Brasil e o Daniel Dias dizem que começaram suas car­reiras porque foram inspi­ra­dos pelo que viram na tele­visão em Ate­nas 2004. É incrív­el ver a TV Brasil abraçan­do os Jogos Par­alímpi­cos de Tóquio, con­tra o fuso horário (risos). Fico orgul­hoso em ver uma TV aber­ta no Brasil cobrindo, trans­mitin­do e enten­den­do que se o Brasil quer ver seus atle­tas olímpi­cos gan­harem medal­has, ele tam­bém quer ver os atle­tas par­alímpi­cos colo­can­do Ban­deira do Brasil no lugar mais alto.

E de que for­ma este even­to afe­tará as vidas das pes­soas com defi­ciên­cia no mun­do?

Nos­sa visão no IPC é de que as pes­soas com defi­ciên­cia foram, de cer­ta for­ma, deix­adas para trás na pan­demia. O número de mortes de PCD’s em alguns país­es é assus­ta­dor. Então, esta­mos dan­do voz a 1,2 bil­hão de pes­soas com defi­ciên­cia no úni­co even­to glob­al que os colo­ca no cen­tro de tudo. A defi­ciên­cia não é ape­nas respeita­da ou tol­er­a­da nos Jogos Par­alímpi­cos. Ela é val­oriza­da. A per­for­mance dos 4.400 atle­tas vai man­dar uma men­sagem de inclusão para o mun­do inteiro. Uma men­sagem de que elas não podem ser igno­radas. Acred­i­to que orga­ni­zar um even­to em meio a uma pan­demia mostra que um esforço inter­na­cional, com mais de 200 nacional­i­dades, é um exem­p­lo de que se tra­bal­har­mos jun­tos con­seguimos faz­er coisas incríveis mes­mo nos momen­tos de maior adver­si­dade.

Edição: Graça Adju­to

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Sesc Verão começa em São Paulo com mais de mil atividades esportivas

Atleta paralímpico Gabrielzinho é dos participantes do evento Lety­cia Bond — Repórter da Agên­cia Brasil …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d