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Banco de amostras de albatrozes e petréis tem expansão de 57,5%

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Finalidade é coletar materiais que ajudem a conservar aves


Pub­li­ca­do em 03/02/2023 — 07:04 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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O Ban­co Nacional de Amostras Biológ­i­cas de Alba­trozes e Petréis (Baap) — geri­do pelo Pro­je­to Alba­troz e situ­a­do em Flo­ri­anópo­lis (SC) — encer­rou o ano de 2022 com um aumen­to de 57,5% no vol­ume de amostras disponíveis para con­sul­ta por pesquisadores. 

Fun­cio­nan­do de for­ma estru­tu­ra­da des­de 2018, ele con­tabi­liza atual­mente 10 mil amostras biológ­i­cas de 39 espé­cies dessas aves mar­in­has ameaçadas de extinção, incluin­do sangue, órgãos, gônadas, ossos, cul­tura bac­te­ri­ana, par­a­sitas, pele, penas e diver­sos out­ros teci­dos. O obje­ti­vo é cole­tar, cat­a­log­ar e ofer­e­cer mate­ri­ais que aju­dem pesquisadores a con­ser­var essas aves oceâni­cas que vêm ao Brasil para se ali­men­tar fora da época de repro­dução.

A orni­tol­o­gista respon­sáv­el pelo Baap, Alice Pereira, con­sul­to­ra téc­ni­ca do Pro­je­to Alba­troz„ infor­mou hoje (2) à Agên­cia Brasil que, além de rece­ber amostras físi­cas de par­ceiros, o ban­co tam­bém recebe infor­mações do que ess­es par­ceiros pos­suem.

“A nos­sa ideia é inte­grar as coleções porque, muitas vezes, essas insti­tu­ições têm as amostras, mas não dis­põem de um site ou pes­soal para aten­der os pedi­dos e, inclu­sive, de recur­sos para efe­t­u­ar pesquisas. A gente quer faz­er essa inte­gração”, disse a orni­tol­o­gista .

A cri­ação do ban­co aten­deu uma deman­da tam­bém de out­ros país­es. Os alba­trozes e petréis são aves migratórias e colo­ni­ais que se deslo­cam pelos oceanos para se ali­men­tar.

“Os esforços de con­ser­vação das espé­cies são con­jun­tos”, desta­cou. Des­de 2008, o Brasil faz parte do Acor­do Inter­na­cional para Con­ser­vação de Alba­trozes e Petréis (Acap), que é mul­ti­lat­er­al e volta­do à pro­moção da con­ser­vação de alba­trozes e petréis, por meio da coor­de­nação de ativi­dades inter­na­cionais para reduzir ameaças para essas aves. O acor­do foi assi­na­do em 2001 na cidade do Cabo, África do Sul, e reúne diver­sos país­es que tra­bal­ham em con­jun­to para tro­car infor­mações e dados visan­do pro­te­ger as aves no mun­do. “Essa deman­da surgiu do acor­do”, frisou.

Plano de ação

O Brasil con­ta tam­bém com o Plano de Ação Nacional para a Con­ser­vação de Alba­trozes e Petréis (Planacap), que resul­tou na cri­ação do Baap para que os espe­cial­is­tas nacionais pos­sam pesquis­ar o que está acon­te­cen­do com essas aves nos mares brasileiros.

Elas cos­tu­mam apare­cer no Brasil em épocas difer­entes para se ali­men­tar, prin­ci­pal­mente de peix­es, molus­cos e crustáceos. Os alba­trozes — que se ali­men­tam em águas oceâni­cas brasileiras ou próx­i­mas ao mar ter­ri­to­r­i­al — vêm de ilhas antár­ti­cas e sub­an­tár­ti­cas em que se repro­duzem.

São exem­p­los o alba­troz-de-sobrancel­ha (Tha­las­sarche melanophris) e o alba­troz-viageiro (Diomedea exu­lans). Já as parde­las e petréis têm movi­men­tos mais vari­a­dos, poden­do vir dos mes­mos locais de repro­dução que os alba­trozes, como é o caso da pardela-pre­ta (Pro­cel­lar­ia aequinoc­tialis) e do petrel-gigante (Macronectes gigan­teus). Out­ras parde­las e petréis podem vir de ilhas no hem­is­fério norte, a exem­p­lo da pardela-som­bria (Puffi­nus puffi­nus) e a cagar­ra-de-cabo-verde (Calonec­tris edward­sii).

A final­i­dade para este ano é aumen­tar a divul­gação do ban­co para ter mais pedi­dos por amostras, visan­do ampli­ar a deman­da e fomen­tar tam­bém pub­li­cações cien­tí­fi­cas. As novas amostras são obti­das prin­ci­pal­mente pela parce­ria com insti­tu­ições lig­adas ao Pro­gra­ma de Mon­i­tora­men­to de Pra­ias (PMP), con­tratadas pela Petro­bras, além de orga­ni­za­ções que atu­am no res­gate e reabil­i­tação de aves mar­in­has de diver­sas regiões brasileiras.

O Brasil tem parce­ria com a Argenti­na em pesquisa sobre o impacto dos plás­ti­cos sobre alba­trozes e petréis. “A gente quer pro­duzir amostras e tam­bém ced­er para out­ros”, disse Alice.

A intenção é estim­u­lar parce­rias com gov­er­nos e acad­e­mias. Os inter­es­sa­dos podem aces­sar o ban­co de amostras no endereço www.baap.org.br. O Pro­je­to Alba­troz é patroci­na­do pela Petro­bras, jun­to com o Cen­tro Nacional de Pesquisa e Con­ser­vação de Aves Sil­vestres (Cemave) do Insti­tu­to Chico Mendes de Con­ser­vação da Bio­di­ver­si­dade (ICM­Bio) e a R3 Ani­mal.

Pesquisadores inter­es­sa­dos em cadas­trar amostras no site podem entrar em con­ta­to pelo e‑mail [email protected]. Para que novas amostras sejam adi­cionadas ao diretório do ban­co é necessário que a cole­ta da amostra siga padrões definidos no por­tal, e que sejam envi­a­dos dados especí­fi­cos, con­forme o pro­to­co­lo de cole­ta do Pro­je­to Alba­troz.

Ameaças

A anal­ista ambi­en­tal do Cemave-ICM­Bio, Patrí­cia Ser­afi­ni, desta­cou que o ban­co é públi­co, facil­i­tan­do a con­sul­ta e o aces­so de pesquisadores, além da con­ser­vação da espé­cie.

Avaliou que depois de 10 anos coor­de­nan­do o Plano de Ação Nacional para a Con­ser­vação de Alba­trozes e Petréis, perce­beu que havia mui­ta lacu­na de con­hec­i­men­to sobre esse grupo de aves oceâni­cas de difí­cil aces­so porque ess­es ani­mais visi­tam ilhas muito afas­tadas da cos­ta. “Uma amostra de alba­troz é algo muito raro, muito difí­cil” disse.

Para ela, o ban­co tem duas funções: facil­i­tar a pesquisa cien­tí­fi­ca e encon­trar respostas para con­ser­var essas aves ameaçadas de extinção.

Os alba­trozes sofrem com a ação noci­va de seres humanos ao meio ambi­ente, como a poluição nos oceanos, com destaque para o plás­ti­co, que as aves ingerem con­fundin­do com ali­men­to.

As aves são ain­da cap­turadas aci­den­tal­mente por embar­cações pesqueiras, atraí­das por iscas em anzóis uti­liza­dos para a pesca de peix­es grandes longe da cos­ta. Ess­es peix­es acabam sendo fis­ga­dos e mor­rem afo­ga­dos. “O prin­ci­pal prob­le­ma é a cap­tura na pesca”, indi­cou Patri­cia.

Reduzir a cap­tura inci­den­tal de alba­trozes e petréis é a prin­ci­pal mis­são do Pro­je­to Alba­troz. Cri­a­do em 1990, em San­tos (SP), ele tem como lin­ha prin­ci­pal de ação o desen­volvi­men­to de pesquisas para sub­sidiar políti­cas públi­cas e a pro­moção de ações de edu­cação ambi­en­tal jun­to aos pescadores, jovens e esco­las.

Edição: Kle­ber Sam­paio

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