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Caminhos da Reportagem mostra efeitos do garimpo na Terra Yanomami

Repro­dução: © EBC/TV BRASIL

Programa será exibido no domingo às 22h na TV Brasil


Pub­li­ca­do em 05/03/2023 — 10:30 Por EBC — Brasília

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Uma crise human­itária dev­as­tou a Ter­ra Indí­ge­na Yanoma­mi. A invasão do garim­po proibido no local lev­ou doenças, deixou um ras­tro de desnu­trição e provo­cou a morte de indí­ge­nas.

“Eu sou daqui e nun­ca vi a situ­ação que esta­mos enfrentan­do”, rev­ela o pres­i­dente do Con­sel­ho Dis­tri­tal de Saúde Indí­ge­na Yanoma­mi e Ye’kuana, Junior Keku­rari Yanoma­mi.

Com quase 10 mil­hões de hectares dis­tribuí­dos pelos esta­dos do Ama­zonas e de Roraima, a Ter­ra Indí­ge­na Yanoma­mi é a maior do mun­do. Um dos pon­tos mais povoa­d­os fica na fron­teira do Brasil com a Venezuela. E foi nes­sa região que a práti­ca ile­gal gan­hou força nos últi­mos anos.

Um relatório da Hutukara Asso­ci­ação Yanoma­mi mostra que o garim­po cresceu 46% entre 2020 e 2021, e 3.350% de 2016 a 2020. Além de espal­har doenças e mortes, a invasão der­ru­ba mata nati­va e polui rios.

“Com aque­la quan­ti­dade de sed­i­men­to que eles estão des­bar­ran­can­do e jogan­do den­tro dos rios, a água perde a capaci­dade de deixar pas­sar a luz. Out­ra con­se­quên­cia é a con­t­a­m­i­nação por mer­cúrio. O peixe come a alga que está impreg­na­da com aqui­lo e a gente come o peixe. É um ciclo de con­t­a­m­i­nação biocu­mu­la­ti­vo”, expli­ca o pro­fes­sor de Geolo­gia da Uni­ver­si­dade Fed­er­al de Roraima (UFRR) Car­los Eduar­do Vieira.

O pro­gra­ma Cam­in­hos da Reportagem deste domin­go ouviu indí­ge­nas, profis­sion­ais de saúde, juris­tas, pro­fes­sores e políti­cos para faz­er uma radi­ografia da crise human­itária que atingiu o coração da Amazô­nia.

Em um dos tre­chos mais emo­cio­nantes do pro­gra­ma, indí­ge­nas, médi­cos e enfer­meiros sal­vam a vida de um bebê Yanoma­mi de ape­nas dois meses.

“Eu cos­tu­mo diz­er que a gente não con­segue desli­gar a chave de ser médi­co, então a gente tem que estar sem­pre pron­to para aju­dar”, diz o tenente Márquez, médi­co do Exérci­to.

Você estando em cam­po, você sofre um pouco mais, você se choca um pouco mais, né?”, con­ta o enfer­meiro Mar­cos Fon­se­ca.

“Em 2020, a gente teve 1.800 casos de malária em uma pop­u­lação de 900 pes­soas. São cer­ca de dois casos por pes­soa em um ano. E isso tem relação dire­ta com o garim­po”, denun­cia a advo­ga­da do Insti­tu­to Socioam­bi­en­tal, Juliana Batista.

Para mudar esse quadro, o gov­er­no fed­er­al pro­move, des­de o dia 20 de janeiro, uma oper­ação na Ter­ra Indí­ge­na Yanoma­mi. “É pre­ciso com­bat­er a raiz, que é o garim­po ile­gal. Não é pos­sív­el que 30 mil indí­ge­nas Yanoma­mi sigam con­viven­do com 20 mil garimpeiros den­tro do seu ter­ritório”, lem­brou a min­is­tra dos Povos Indí­ge­nas, Sônia Gua­ja­jara.

O episó­dio tam­bém traz uma entre­vista exclu­si­va com um dos garimpeiros que inva­diu o ter­ritório. Ele con­ta como é o dia a dia no garim­po, fala da bus­ca pelo ouro e admite saber que a práti­ca den­tro da reser­va é ile­gal.

Além de reti­rar e punir os inva­sores, é pre­ciso recu­per­ar o meio ambi­ente, a saúde e a roti­na dos indí­ge­nas. “Meu son­ho é ver as comu­nidades crescen­do, as cri­anças fazen­do rit­u­ais, caçan­do, pes­can­do, ter esco­las e assistên­cia de saúde”, expli­ca Junior Keku­rari Yanoma­mi.

O Cam­in­hos da Reportagem: Yanoma­mi – o dire­ito de exi­s­tir vai ao ar neste domin­go (5) às 22h, na TV Brasil.

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