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Com filmes e debates, TV Brasil terá Semana Ditadura e Democracia

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Conversas serão mediadas pela jornalista Cristina Serra


Pub­li­ca­do em 23/03/2023 — 11:58 Por Agên­cia Brasil — Brasília

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Tan­ques nas ruas, pop­u­lação divi­di­da e um pres­i­dente da Repúbli­ca acua­do e sem apoio. Nesse cenário, há 59 anos, se ini­ci­a­va no Brasil o mais lon­go e duro perío­do de ditadu­ra do país, que per­du­raria 21 anos. Nes­ta sem­ana, a TV Brasil estreia uma pro­gra­mação espe­cial para relem­brar um dos perío­dos mais som­brios da história brasileira. De 27 de março a 2 de abril, a emis­so­ra exibe, sem­pre a par­tir das 22h, o espe­cial Pas­sa­do Pre­sente – Sem­ana Ditadu­ra e Democ­ra­cia.

Serão veic­u­la­dos sete filmes, um a cada dia da sem­ana. Antes da exibição, será real­iza­do um debate com a medi­ação da jor­nal­ista Cristi­na Ser­ra e a pre­sença de espe­cial­is­tas e comu­ni­cadores. A lista inclui o empresário e youtu­ber Felipe Neto, a his­to­ri­ado­ra Heloísa Star­ling, a ativista Jure­ma Wer­neck e o jor­nal­ista e escritor, Frei Bet­to. A curado­ria das obras é da cineas­ta e ger­ente-exec­u­ti­va de Con­teú­do da TV Brasil, Maria Augus­ta Ramos, e da asses­so­ra da Presidên­cia da EBC e futu­ra dire­to­ra de Con­teú­do e Pro­gra­mação da TV Brasil, Anto­nia Pel­le­gri­no.

Programação

O espe­cial começa na segun­da-feira (27) com a exibição de O dia que durou 21 anos. Com o tema “memória, ver­dade e ver­sões”, o youtu­ber Felipe Neto e a his­to­ri­ado­ra Ynaê Lopes dos San­tos farão a estreia dos debates.

O doc­u­men­tário abor­da a par­tic­i­pação do gov­er­no dos Esta­dos Unidos na preparação do golpe de Esta­do de 1964, no Brasil. O pon­to de par­ti­da é a crise provo­ca­da pela renún­cia do pres­i­dente Jânio Quadros, em agos­to de 1961, e prossegue até o ano de 1969, com o seque­stro do então embaix­ador dos Esta­dos Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, por gru­pos arma­dos.

Na terça-feira (28), o his­to­ri­ador Car­los Fico e o jor­nal­ista Cid Ben­jamin debaterão o tema “mil­itares e guer­ril­heiros” antes do filme Tem­po de Resistên­cia — uma análise pro­fun­da da luta con­tra a ditadu­ra mil­i­tar nos anos 1960 e iní­cio dos 1970, a par­tir dos pon­tos de vis­tas de seus inte­grantes das guer­ril­has. O filme acom­pan­ha o nasci­men­to de diver­sos movi­men­tos con­tra o gov­er­no, suas facções e divisões inter­nas, até o con­tra-ataque da dire­i­ta e a perseguição aos movi­men­tos de oposição.

A jornalista Cristina Serra mediará os debates do especial Passado Presente – Semana Ditadura e Democracia, na TV Brasil.
Repro­dução: A jor­nal­ista Cristi­na Ser­ra medi­ará os debates do espe­cial Pas­sa­do Pre­sente – Sem­ana Ditadu­ra e Democ­ra­cia, na TV Brasil. — Tânia Rêgo/Agência Brasil

Na quar­ta (29), o debate será sobre o “dire­ito de resi­s­tir e a cul­tura”, com os his­to­ri­adores Heloísa Star­ling e João Cezar de Cas­tro Rocha antes da exibição de Torre das Donze­las.

Quarenta anos após serem pre­sas durante a ditadu­ra mil­i­tar na Torre das Donze­las, como era chama­da a pen­i­ten­ciária fem­i­ni­na, um grupo de mul­heres revisi­ta a sua história em relatos car­rega­dos de emoção.

O tema de debate da quin­ta-feira (30) será o “papel da religião nas lutas por dire­itos” com o jor­nal­ista e escritor Frei Bet­to e o pro­fes­sor Pas­tor Ari­o­val­do. Eles vão con­ver­sar sobre o filme Batismo de Sangue, ambi­en­ta­do em São Paulo, no fim dos anos 60. À época, o con­ven­to dos frades domini­canos tornou-se uma trincheira de resistên­cia à ditadu­ra mil­i­tar que gov­er­na­va o Brasil. Movi­dos por ideais cristãos, os freis Tito, Beto, Oswal­do, Fer­nan­do e Ivo pas­sam a apoiar o grupo guer­ril­heiro Ação Lib­er­ta­do­ra Nacional, coman­da­do por Car­los Marighel­la. Eles logo pas­sam a ser vigia­dos pela polí­cia e pos­te­ri­or­mente são pre­sos, pas­san­do por ter­ríveis tor­turas.

A “Amazô­nia ontem e hoje” será dis­cu­ti­da na sex­ta-feira (31) pela advo­ga­da Maíra Pankararu e pela ativista de dire­itos humanos Sheila de Car­val­ho, antes da exibição de A flecha e a far­da. O filme con­ta a história da Guar­da Rur­al Indí­ge­na, um grupo fun­da­do e treina­do pela ditadu­ra brasileira. Em 1970, 80 indí­ge­nas mar­charam far­da­dos para a cúpu­la dos mil­itares. Cinquen­ta anos depois, o filme bus­ca essas pes­soas para con­hecer suas histórias e suas memórias.

No sába­do (1º), o tema dis­cu­ti­do será “bol­sonar­is­mo e 8 de janeiro” com o cien­tista social Mar­cos Nobre e o cien­tista políti­co Bruno Paes Man­so antes da exibição de Mis­são 115.

O fil­ma con­ta que, em 1981, os brasileiros nego­ci­avam uma aber­tu­ra políti­ca, para encer­rar uma ditadu­ra que havia começa­do no golpe civ­il-mil­i­tar de 1964. Um grupo de mem­bros dos serviços de segu­rança, temerosos de que a democ­ra­cia ameaçasse seus empre­gos e priv­ilé­gios, par­tiu para o ter­ror­is­mo. Em pouco mais de um ano, come­ter­am mais de 40 aten­ta­dos com explo­sivos. O mais céle­bre foi durante um show musi­cal pelo Primeiro de maio de 1981, quan­do explodiu no colo de um sar­gen­to do Exérci­to uma bom­ba que era des­ti­na­da ao pal­co onde artis­tas se apre­sen­tavam para 18 mil pes­soas, con­heci­do como Aten­ta­do do Rio­cen­tro.

A Sem­ana Ditadu­ra e Democ­ra­cias ter­mi­na no domin­go (1º) com o debate sobre o “sis­tema de justiça e dire­itos humanos”, com a dire­to­ra-exec­u­ti­va da Anis­tia Inter­na­cional no Brasil, Jure­ma Wer­neck, e o antropól­o­go Luiz Eduar­do Soares.

Após a con­ver­sa, será exibido o filme Orestes. Usan­do mito grego de Orestes, que define o momen­to de instau­ração da democ­ra­cia no Oci­dente, é fei­ta uma recon­sti­tu­ição da aber­tu­ra políti­ca no Brasil do final da déca­da de 1970. Como Ésqui­lo, o per­son­agem cen­tral da tra­ma, se sairia se sua situ­ação fos­se trans­porta­da para o fim da ditadu­ra mil­i­tar?

Sai­ba como sin­tonizar a TV Brasil.

Sem Censura

O episó­dio do pro­gra­ma Sem Cen­sura da próx­i­ma segun­da-feira (27), que vai ao ar logo antes da Sem­ana Pas­sa­do Pre­sente, tam­bém vai lem­brar os Anos de Chum­bo com o entre­vis­ta­do Luiz Eduar­do Green­hal­gh. Advo­ga­do e ativista, o ex-dep­uta­do fed­er­al atu­ou na defe­sa de pre­sos políti­cos durante a ditadu­ra. O pro­gra­ma, apre­sen­ta­do por Mari­na Macha­do, começa às 21h, e con­tará com a par­tic­i­pação da jor­nal­ista da EBC Joana Côrtes e da repórter de políti­ca Car­la Jimenez.

Durante o pro­gra­ma serão exibidos, tam­bém, vídeos com o depoi­men­to do ex-min­istro do STF, Sepúlve­da Per­tence, e dos ex-pre­sos políti­cos Flávio Tavares, Ivan Seixas e Lúcia Leão, relem­bran­do suas pas­sagens pelos cárceres da ditadu­ra.

Edição: Lílian Beral­do

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