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Cultura caipira: nascimento de Inezita Barroso completa 100 anos hoje

Cantora, atriz e apresentadora marcou a arte brasileira

Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 04/03/2025 — 07:36
São Paulo
Inezita Barroso
Repro­dução: © Divulgação/TV Cul­tura

Nes­ta terça-feira (4), com­ple­ta-se o cen­tenário de nasci­men­to de uma das mais impor­tantes artis­tas brasileiras: Ignez Mag­dale­na Aran­ha de Lima, ou mel­hor, Inezi­ta Bar­roso. Nasci­da em 1925, em São Paulo, Inezi­ta foi can­to­ra, atriz, instru­men­tista, apre­sen­ta­do­ra de rádio e tele­visão, além de fol­clorista, pro­fes­so­ra e pesquisado­ra da cul­tura pop­u­lar brasileira.

Inezi­ta teve uma tra­jetória que deixou uma mar­ca indelév­el na arte do país, prin­ci­pal­mente na chama­da cul­tura caipi­ra, incen­ti­va­da e divul­ga­da no seu tra­bal­ho. Tam­bém deixou saudades pela apre­sen­tação do saudoso pro­gra­ma Vio­la, Min­ha Vio­la, na TV Cul­tura, cri­a­do em 1980 e que é, muitas vezes, reprisa­do até os dias de hoje pela emis­so­ra.

O suces­so de Inezi­ta pode ser expli­ca­do não ape­nas pelo seu tal­en­to artís­ti­co, mas tam­bém pelo vas­to con­hec­i­men­to que tin­ha do gênero que abraçou. 

“Inezi­ta era obceca­da pela cul­tura brasileira. Eu acho que ela fazia dis­so um obje­ti­vo de vida, de divul­gar a cul­tura pop­u­lar brasileira”, disse Aloisio Milani, jor­nal­ista, roteirista e pesquisador que tra­bal­hou por oito anos com Inezi­ta na pro­dução do Vio­la, Min­ha Vio­la.

Milani vai lançar um livro dig­i­tal sobre Inezi­ta, com “cau­sos” sobre a “moda da pin­ga”, sua músi­ca mais con­heci­da, com­pos­ta por Ochel­sis Aguiar Lau­re­ano. Mas, segun­do ele, entre vários out­ros assun­tos, tem tam­bém histórias de “seu grupo de músi­ca na época de estu­dante como Paulo Autran, Rena­to Con­sorte, Tul­lio Tavares, Paulo Van­zoli­ni, sobre os basti­dores de seus dis­cos preferi­dos, sobre suas ale­grias e tris­tezas”.

O jor­nal­ista ressaltou a ded­i­cação e zelo de Inezi­ta na con­dução do pro­gra­ma, que trazia tan­to nomes con­sagra­dos quan­to os novos tal­en­tos que emer­giam no cenário da músi­ca inte­ri­o­rana. Assim, os pal­cos do Vio­la, Min­ha Vio­la rece­ber­am des­de as Irmãs Galvão, Liu e Léo, Pedro Ben­to e Zé da Estra­da, Craveiro e Crav­in­ho até Almir Sater, então um jovem e tal­en­toso vio­leiro de Cam­po Grande, no Mato Grosso do Sul.

O pesquisador Wal­ter de Souza, da Esco­la de Comu­ni­cação e Artes (ECA) da Uni­ver­si­dade de São Paulo e autor do livro Moda invi­o­la­da – uma história da músi­ca caipi­ra, desta­cou que ela fez vários reg­istros históri­cos de todas as regiões do país.

“Em ter­mos cul­tur­ais, rep­re­sen­tou a tradição musi­cal caipi­ra paulista, mes­mo enquan­to esta se mis­tu­ra­va a rit­mos de fora do país, como a guarâ­nia paragua­ia, o bolero cubano, a rancheira mex­i­cana e a ver­são brasileira do rock, o iê-iê-iê, até virar o gênero ser­tane­jo”, disse Souza.

“O que sem­pre a moveu foi a defe­sa da músi­ca brasileira, ou seja, a manutenção da iden­ti­dade caipi­ra con­tra o afã do cap­i­tal como força motriz do cresci­men­to do gênero ser­tane­jo”, com­ple­tou o pesquisador.

Inezita Barroso se apresenta no auditório da Rádio Nacional de Brasília - Acervo Arquivo Público do Distrito Federal
Repro­dução: Inezi­ta Bar­roso se apre­sen­ta no auditório da Rádio Nacional de Brasília — Acer­vo Arqui­vo Públi­co do Dis­tri­to Fed­er­al

Carreira

Nasci­da em São Paulo, Inezi­ta teve uma car­reira profícua. For­mou-se em bib­liote­cono­mia na Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP). Por seus estu­dos com fol­clore e cul­tura pop­u­lar, chegou a ser gan­har o títu­lo hon­oris causa pela Uni­ver­si­dade de Lis­boa.

Na Rádio Clube de Recife inter­pre­tou músi­cas cole­tadas pelo escritor Mário de Andrade. Entrou na rádio Ban­deirantes em 1950, e em segui­da, foi con­trata­da pela Record. Foi tam­bém em 1950 quan­do ado­tou o nome artís­ti­co Inezi­ta Bar­roso – um apeli­do de infân­cia com o sobrenome do mari­do.

No cin­e­ma, Inezi­ta esteve em filmes como Ângela (1950), O craque (1953), Des­ti­no em apuros (1953) e É proibido bei­jar (1954), entre out­ros.

Na déca­da de 70, Inezi­ta apre­sen­tou-se numa série de even­tos inter­na­cionais. Começou a apre­sen­tar pro­gra­mas de tele­visão e rádio, sendo o mais famoso o até hoje rev­er­en­ci­a­do Vio­la, Min­ha Vio­la, que coman­dou por 35 anos. 

Ela esteve à frente do pro­gra­ma de 1980 a 2015, pouco antes de mor­rer em 8 de março, quan­do com­ple­tou 90 anos.

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