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Dia do Artesão: profissionais de Embu das Artes enfrentam desafios

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© Maria do Car­mo Merussim/Arquivo Pes­soal (Repro­dução)

O universo do feito à mão é mais um setor prejudicado pelas restrições


Pub­li­ca­do em 19/03/2021 — 07:30 Por Lud­mil­la Souza — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

Comem­o­ra­do nes­ta sex­ta-feira (19), o Dia da Artesão cel­e­bra o profis­sion­al que se ded­i­ca à arte de pro­duzir peças de arte­sana­to em cerâmi­ca, cera, teci­do, pal­ha, madeira e couro, entre out­ras. Orig­i­na­da do ter­mo bíbli­co tek­ton, a palavra artesão sig­nifi­ca pes­soa que tra­bal­ha com as mãos. Mas, neste ano, a data não poderá ser muito comem­o­ra­da, já que as ven­das foram prej­u­di­cadas pela crise finan­ceira e as restrições impostas pela pan­demia de covid-19.

Os artesãos que expõem na cidade de Embu das Artes, na região met­ro­pol­i­tana de São Paulo, foram dura­mente prej­u­di­ca­dos eco­nomi­ca­mente pela pan­demia. Cri­a­da em 1969, a feira rece­bia anual­mente cer­ca de 1 mil­hão de tur­is­tas. Além da com­pra de arte, arte­sana­to e até plan­tas, o vis­i­tante dis­põe de Praça de Ali­men­tação, bons restau­rantes, bares, doce­rias e cafés. Músi­cos e per­formis­tas se apre­sen­tam em diver­sos pon­tos do Cen­tro Históri­co. A feira tem atual­mente cer­ca de 485 expos­i­tores e dev­i­do ao rodizio e aos gru­pos de risco, cer­ca de 170 con­seguiram retornar nos perío­dos de fun­ciona­men­to.

A artesã Maria do Car­mo Merus­sim, de 56 anos, pro­duz peças de cerâmi­ca e expõe na cidade. Ela fab­ri­ca peças úni­cas e assi­nadas, que são feitas man­ual­mente, uma a uma, com argi­las e esmaltes isen­tos de chum­bo, para serem usadas como util­itário ou dec­o­ração.

Para a ceramista, a maior difi­cul­dade que tem enfrenta­do é o rea­juste da matéria-pri­ma. Assim, para aumen­tar as ven­das e driblar os dias em que não expõe na feira pelas restrições do Plano São Paulo, ela tem ven­di­do pela inter­net. “Antes da pan­demia já fazia ven­das pela inter­net, [por meio de sites espe­cial­iza­dos e rede social]. Com o ini­cio da pan­demia, investi em uma loja vir­tu­al própria.

Ape­sar das alter­na­ti­vas de ven­das, ela tem pou­cas per­spec­ti­vas para este ano. “Vejo um cenário de difi­cul­dade. Acred­i­to ser impor­tante inve­stir em ações de divul­gação da Feira de Embu das Artes para atrair­mos ven­das pres­en­ci­ais ou pela inter­net”.

O artesão Clo­vis Pires de Camar­go, de 66 anos, que tam­bém expõe na feira, disse que tem feito pou­cas ven­das des­de que começou a pan­demia. Ele cita as difi­cul­dades: “Con­sidero a pan­demia e a fal­ta de apoio dos orga­ni­zadores, que deix­am a reven­da cor­rer sol­ta, as piores difi­cul­dades”. Camar­go faz arte­sana­to em couro, como bol­sas, e começou a pro­duzir out­ras peças para driblar os dias de feira fecha­da em Embu das Artes. “Para­le­la­mente, pro­du­zo alfor­jes e pro­te­tores para motos esti­lo Harley David­son”.

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Peças do artesão Clo­vis Camar­go, que diz que tem feito pou­cas ven­das des­de o iní­cio da pan­demia. — Clo­vis Camargo/Arquivo Pes­soal (Repro­dução)

Economia do artesanato

A Feira de Arte­sana­to da cidade é uma das maiores exposições de arte ao ar livre do país e é o prin­ci­pal atra­ti­vo turís­ti­co do municí­pio, segun­do a Asso­ci­ação dos Expos­i­tores da Feira de Embu das Artes (AEFEA). De acor­do com a por­ta-voz da asso­ci­ação, Ana Rodrigues,  a cidade foi prej­u­di­ca­da eco­nomi­ca­mente pelas restrições. “Nos­sa econo­mia turís­ti­ca despen­cou, o movi­men­to com­er­cial durante os finais de sem­ana não con­seguiu se reor­ga­ni­zar até ago­ra, muitos comér­cios fecharam as por­tas e muitos expos­i­tores da feira desi­s­ti­ram. As ven­das caíram entre 70% e 80% e, em alguns casos, a insta­bil­i­dade é total”, lamen­ta.

A média de vis­i­tantes da feira antes da pan­demia era de 20 mil aos domin­gos, dia de maior movi­men­to. “Dev­i­do à insta­bil­i­dade econômi­ca do país, nos­so públi­co vin­ha em que­da, o que nor­mal­mente fica­va em torno de 20 mil vis­i­tantes aos domin­gos, mas caiu para cer­ca de 8 mil a 10 mil na Fase Verde [do Plano São Paulo Verde, que per­mite a aber­tu­ra do comér­cio com medi­das de higiene san­itária]”, expli­cou a por­ta-voz.

Segun­do Ana, a asso­ci­ação tem feito ações nas redes soci­ais para ten­tar revert­er o quadro. “Nos­sa asso­ci­ação é volta­da para os expos­i­tores da feira, toda ação que real­izamos aux­il­ia o comér­cio do entorno, vis­to que nos­sa feira é o real atra­ti­vo turís­ti­co do municí­pio. Mes­mo a asso­ci­ação sendo para os expos­i­tores e uma enti­dade jovem em relação aos 52 anos da feira, atu­amos inten­sa­mente nas mídias soci­ais, vis­to que ain­da não temos las­tro para grandes ações de mar­ket­ing”.

O tra­bal­ho da asso­ci­ação segue para ampli­ar o públi­co con­sum­i­dor e atrair novos com­pradores. “Temos tra­bal­hos mar­avil­hosos dos artis­tas e ain­da muito públi­co para con­quis­tar, muitas pes­soas não con­hecem essa tradição que temos aqui, podemos com­pro­var isso prin­ci­pal­mente aos domin­gos, que é nos­so dia de maior movi­men­to. Não raro, ouvi­mos os tur­is­tas diz­erem: “nos­sa, porque demor­ei tan­to para vir aqui, estou ado­ran­do tudo que vejo, quero voltar com mais tem­po”, em várias ocasiões, faço lives com tur­is­tas e eles sem­pre comen­tam pos­i­ti­va­mente sobre o pas­seio”.

Ape­sar das novas regras de restrição, como a Fase Emer­gen­cial em São Paulo que proíbe a aber­tu­ra de comér­cio não essen­cial, as per­spec­ti­vas são pos­i­ti­vas, afir­ma Ana, que tam­bém é artesã.

“Vamos man­ter a pos­i­tivi­dade e a proa­t­ivi­dade, foca­dos nas divul­gações das mídias soci­ais, envol­ven­do ao máx­i­mo os expos­i­tores, assim como bus­car ori­en­tações e qual­i­fi­cações para que todos se atu­al­izem e man­ten­ham-se moti­va­dos e ativos, tan­to na cria­tivi­dade e pro­dução, quan­to com­er­cial­mente. Atrair novos par­ceiros apoiadores para as nos­sas ações inter­a­ti­vas e pro­mo­cionais. Vamos explo­rar tam­bém nos­so momen­to de con­quista, que tornou a feira Patrimônio Cul­tur­al Ima­te­r­i­al do Esta­do de São Paulo, aos 52 anos”.

No últi­mo dia 9 de março, a Feira de Embu das Artes foi declar­a­da ofi­cial­mente, pelo gov­er­no do esta­do, Patrimônio Cul­tur­al Ima­te­r­i­al do Esta­do de São Paulo, após a aprovação pela Assem­bleia Leg­isla­ti­va, no dia 2 de fevereiro, do Pro­je­to de Lei 918/2016. O patrimônio é uma maneira de sal­va­guardar as expressões cul­tur­ais, as tradições e a ances­tral­i­dade.

Edição: Graça Adju­to

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