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Especialistas recomendam “etiqueta respiratória” após carnaval

Isolamento social e máscara são recomendados para pessoas com sintomas

Tâmara Freire — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 09/03/2025 — 10:22
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ), 01/02/2025 – O Bloco Carrossel de emoções abre os desfiles de carnaval dos megablocos no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Quem estiv­er com sin­tomas como tosse, coriza e dor de gar­gan­ta deve man­ter iso­la­men­to social, recomen­dam profis­sion­ais de saúde. Se for indis­pen­sáv­el sair de casa, a más­cara deve ser uma fiel com­pan­heira. As regras de “eti­que­ta res­pi­ratória” valem para todos os momen­tos, mas é reforça­da nesse perío­do de pós-car­naval, já que a aglom­er­ação da folia favorece a trans­mis­são dos vírus res­pi­ratórios.

O infec­tol­o­gista Rodri­go Lins expli­ca: “no mun­do das doenças infec­ciosas, quan­to mais você se expõe a out­ras pes­soas, maior o risco de encon­trar com algu­ma que este­ja trans­mitin­do algum patógeno. E muitas vezes, uma pes­soa está doente e nem sabe, e encon­tra com out­ras que acabam fican­do doentes”.

Por isso, tam­bém é inter­es­sante que os foliões esperem alguns dias antes de encon­trar pes­soas que têm maior risco de desen­volver for­mas graves de infecção, ou tomem pre­cauções extras, mes­mo quan­do estiverem sem sin­tomas.

“Nes­ta época tam­bém é impor­tante evi­tar vis­i­tar cri­anças peque­nas sem uso de más­cara, já que esse grupo é mais vul­neráv­el a vários tipos de vírus de trans­mis­são res­pi­ratória. E, claro, é fun­da­men­tal que todos este­jam em dia com a vaci­nação con­tra a covid-19, espe­cial­mente os gru­pos mais vul­neráveis, que pre­cisam tomar dos­es de reforço peri­odica­mente”, reforça a pesquisado­ra da Fiocruz Tatiana Portel­la. Entre os mais vul­neráveis tam­bém se encon­tram os idosos — espe­cial­mente aque­les com idade mais avança­da e que já têm algu­ma comor­bidade — e as pes­soas com prob­le­mas imunológi­cos.

Ape­sar da pan­demia ter ter­mi­na­do, a covid-19 ain­da é maior causa de óbito entre os pacientes com sín­drome res­pi­ratória agu­da grave de origem viral, mas vírus como VSR e Influen­za tam­bém podem evoluir para quadros graves e até levar à morte.

O médi­co Fer­nan­do Bal­sa­lo­bre, mem­bro da Asso­ci­ação Brasileira de Otor­ri­no­laringolo­gia e Cirur­gia Cer­vi­co-Facial diz que sin­tomas como tosse e dor de gar­gan­ta são comuns nos perío­dos pós-fes­ta e geral­mente indicam uma infecção viral com danos às vias supe­ri­ores, como nar­iz e gar­gan­ta. “As aglom­er­ações fazem com que os vírus cir­culem mais, con­t­a­m­i­nan­do mais pes­soas”, com­ple­men­ta.

O pro­fes­sor Léo Pal­ma, que aproveitou as fes­tas nas cidades do Recife e de Olin­da sabe bem o que é isso:

“Na terça-feira de car­naval, eu nem fui. Já caí ali mes­mo, nem con­segui finalizar o car­naval. Começou com tosse, con­gestão nasal. Mas pra vir emb­o­ra pra João Pes­soa (cap­i­tal da Paraí­ba, esta­do viz­in­ho a Per­nam­bu­co) ain­da teve todo o cam­in­ho pilotan­do na moto, peguei um pouco mais de chu­va nes­sa vol­ta. Aí no dia seguinte acordei com uma crise de sinusite mais pesad­in­ha.”

Casos virais leves nor­mal­mente mel­ho­ram após alguns dias de reforço na hidratação e na ali­men­tação, e uso de anal­gési­cos para aliviar o descon­for­to, mas algu­mas pes­soas podem evoluir para quadros mais graves. “O médi­co dev­erá ser procu­ra­do em caso de sin­tomas como mui­ta pros­tração, fal­ta de ar e febre per­sis­tente”, expli­ca Bal­sa­lo­bre.

Mas não são só os vírus res­pi­ratórios que podem deixar lem­branças amar­gas do car­naval: “Come­ter grandes exces­sos gas­tronômi­cos ou com­er comi­das de origem muito sus­pei­ta, tam­bém pode causar alguns prob­le­mas de saúde, alguns quadros diar­re­icos, algu­mas gas­troen­terites virais ou bac­te­ri­anas”, aler­ta o infec­tol­o­gista Rodri­go Lins.

Ess­es casos tam­bém exigem reforço na hidratação e no con­sumo de ali­men­tos leves e saudáveis, mas o paciente deve procu­rar uma unidade de saúde se os sin­tomas — como vômi­to e diar­reia — forem muitos fortes ou per­sis­tentes.

Para o próx­i­mo car­naval, os médi­cos dizem que alguns hábitos podem diminuir as chances de con­t­a­m­i­nação, ou deixar o organ­is­mo mais forte para enfrentar o “vis­i­tante” inde­se­ja­do. As dicas são:

  •     Evi­tar com­par­til­har ali­men­tos e bebidas
  •     Hidratar-se bas­tante
  •     Man­ter uma ali­men­tação saudáv­el e leve, com ali­men­tos de origem con­fiáv­el.

Léo Pal­ma con­fes­sa que só cumpriu o man­da­men­to de beber bas­tante água: “Acho que o piorz­in­ho foi a questão da ali­men­tação. Real­mente ficou em segun­do plano. Pra­to de comi­da mes­mo, acho que eu só comi na segun­da-feira, nem lem­bro dire­ito”

Em com­para­ção, seu ami­go Sér­gio Rodri­go Fer­reira com quem Leó cur­tiu o car­naval, deu mais atenção ao próprio organ­is­mo: “A gente saía dia e noite. Mui­ta gente, mui­ta lotação, muito bei­jo na boca. E sol e chu­va no lom­bo. Mas eu ten­tei faz­er uma redução de danos, usei até aque­les sachês de hidratação nos blo­cos” con­ta o pro­fes­sor, que se diz até sur­pre­so por não ter adoe­ci­do depois de tan­ta fes­ta.

Como em algu­mas cidades ain­da há even­tos de pós-car­naval pro­gra­ma­dos, o infec­tol­o­gista Rodri­go Lins tam­bém reforça que os foliões com sin­tomas só devem cur­tir o “blo­co do sofá”: “ ‘Ah, tô com febre, tô com sin­tomas res­pi­ratório, mas poxa, eu vou perder? Acho que eu vou para o blo­co’ Não, né? Vai pas­sar para o blo­co inteiro! Faz repouso, fica em casa que é mel­hor.”

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