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Ex-chefe da FAB confirma que general alertou Bolsonaro sobre prisão

Carlos de Almeida Baptista Júnior presta depoimento no STF

Felipe Pontes — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 21/05/2025 — 13:17
 — Atu­al­iza­do em 21/05/2025 — 13:45
Brasília
Brasília (DF) 11/04/2023 Fachada do palácio do Supremo Tribunal Federal (STF) Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/Arquivo
Repro­dução: © Fabio Rodrigues-Pozze­bom/ Agên­cia Brasil/Arquivo

O ex-coman­dante da Força Aérea Brasileira (FAB) Car­los de Almei­da Bap­tista Júnior con­fir­mou nes­ta quar­ta-feira (21) que o ex-coman­dante do Exérci­to gen­er­al Mar­co Antônio Freire Gomes infor­mou ao ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro que pode­ria prendê-lo caso lev­asse adi­ante planos para se man­ter no poder após der­ro­ta na eleição de 2022.

Bap­tista Júnior pres­ta depoi­men­to como teste­munha na ação penal sobre o golpe de Esta­do fra­cas­sa­do que teria sido ten­ta­do durante o gov­er­no Bol­sonaro, con­forme denún­cia apre­sen­ta­da pela Procu­rado­ria-Ger­al da Repúbli­ca (PGR).

Ques­tion­a­do pelo procu­rador-ger­al da Repúbli­ca, Paulo Gonet, o ex-chefe da Aeronáu­ti­ca disse saber da reper­cussão do depoi­men­to do próprio Freire Gomes, que negou ter dado voz de prisão a Bol­sonaro. Bap­tista Júnior, ain­da assim, disse con­fir­mar o aler­ta feito pelo cole­ga, con­forme já havia sido relata­do à Polí­cia Fed­er­al (PF).

“Con­fir­mo, sim sen­hor. Acom­pan­hei anteon­tem a reper­cussão [do depoi­men­to de Freire Gomes]. Esta­va chegan­do de viagem. Freire Gomes é uma pes­soa pol­i­da, edu­ca­da, não falou com agres­sivi­dade, ele não faria isso. Mas é isso que ele falou. Com mui­ta tran­quil­i­dade, cal­ma, mas colo­cou exata­mente isso. ‘Se fiz­er isso, vou ter que te pren­der’”, afir­mou Bap­tista Júnior.

Em seu depoi­men­to, na segun­da (19), o ex-coman­dante do Exérci­to disse que não teria men­ciona­do a palavra prisão, mas somente aler­ta­do que o então pres­i­dente pode­ria ser “enquadra­do juridica­mente” caso lev­asse adi­ante algu­ma medi­da ile­gal.

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Bap­tista Júnior acres­cen­tou não ver con­tradição entre o seu rela­to e o de Freire Gomes, ale­gan­do que ambos con­fir­mam o aler­ta feito a Bol­sonaro, ain­da que não ten­ha havi­do uma “voz de prisão” pro­pri­a­mente dita.

Ao ser inda­ga­do nova­mente sobre o pon­to, pelo advo­ga­do Demóstenes Tor­res, defen­sor do ex-coman­dante da Mar­in­ha, almi­rante Almir Gar­nier, Bap­tista Júnior afir­mou mais uma vez que man­tém o que disse no depoi­men­to à PF. “Ele [Freire Gomes], com toda edu­cação, disse ao pres­i­dente [Bol­sonaro] que pode­ria ser pre­so sim, man­ten­ho isso”, reforçou.

A fala de Freire Gomes teria se dado em uma reunião real­iza­da em novem­bro, após o segun­do turno da eleição de 2022, no Palá­cio da Alvo­ra­da, quan­do os coman­dantes das Forças Armadas e o então pres­i­dente dis­cu­ti­am “análise de con­jun­tu­ra” sobre o país.

Minuta golpista e prisão de Moraes

O ex-chefe da FAB tam­bém con­fir­mou em seu depoi­men­to reunião com o então min­istro da Defe­sa, gen­er­al Paulo Sér­gio Nogueira, no min­istério, em 14 de novem­bro de 2022, em que lhe foi apre­sen­ta­da uma min­u­ta de ato pres­i­den­cial com a pre­visão de que o pres­i­dente eleito, Luiz Iná­cio Lula da Sil­va, não tomasse posse em 1º de janeiro de 2023.

Assim como em seu depoi­men­to à PF, Bap­tista Júnior rela­tou ter chega­do por últi­mo ao encon­tro, quan­do Gar­nier e Freire Gomes já estavam na sala de Paulo Sér­gio e havia um doc­u­men­to den­tro um plás­ti­co sobre a mesa.

Bap­tista Júnior con­tou ter ques­tion­a­do o min­istro se aque­le tex­to pre­via que o pres­i­dente eleito, Lula, não tomasse posse, e que diante do silên­cio de Paulo Sér­gio enten­deu que sim. “Falei ‘não admi­to sequer rece­ber este doc­u­men­to nem ficarei aqui’ ”, disse.

Segun­do rela­tou, ao ser ques­tion­a­do pela defe­sa do almi­rante Gar­nier, ele teria fica­do ape­nas um breve momen­to na sala, durante o qual o ex-chefe da Mar­in­ha não falou nada. O gen­er­al Freire Gomes tam­bém con­de­nou a min­u­ta, acres­cen­tou o anti­go coman­dante da FAB.

Em out­ro momen­to, con­tu­do, Bap­tista Júnior con­fir­mou o que disse à PF, que Gar­nier, em dado momen­to, teria colo­ca­do as tropas da Mar­in­ha “à dis­posição” de Bol­sonaro.

Ques­tion­a­do pelo min­istro Luiz Fux por que, em sua visão, o plano golpista não teve suces­so, o ex-coman­dante da Aeronáu­ti­ca afir­mou que foi “a não par­tic­i­pação unân­ime das Forças Armadas”.

Out­ro pon­to con­fir­ma­do por Bap­tista Júnior foi que em tais reuniões ele pres­en­ciou a dis­cussão sobre a prisão de autori­dades. “Foi sim sen­hor”, afir­mou, em respos­ta a uma per­gun­ta de Gonet. “Isso era um brain­storm das reuniões, isso acon­te­ceu”, asse­gurou.

Inda­ga­do, disse se lem­brar com mais con­vicção do nome do min­istro Alexan­dre de Moraes, vis­to como um dos prin­ci­pais alvos dos planos golpis­tas.

Anderson Torres

O ex-coman­dante da Aeronáu­ti­ca pediu para mod­i­ficar somente um pon­to em relação ao que havia dito ante­ri­or­mente à PF, na fase de inquéri­to sobre o caso. Ele disse não ter mais a con­vicção de que o ex-min­istro da Justiça Ander­son Tor­res par­ticipou de algu­ma das reuniões em que esteve com Bol­sonaro.

“Gostaria de faz­er essa reti­fi­cação, acho que em tem­po. Eu falei de boa-fé, mas não ten­ho a certeza da par­tic­i­pação de Ander­son Tor­res em algu­ma reunião”, diss­er Bap­tista Júnior.

Entenda

Bap­tista Júnior foi arro­la­do como teste­munha de acusação e por algu­mas das defe­sas na Ação Penal 2.668, aber­ta depois que a Primeira Tur­ma do Supre­mo aceitou a parte da denún­cia da PGR rel­a­ti­va ao chama­do núcleo “cru­cial” do golpe, com­pos­to pelas lid­er­anças do com­plô.

Entre os réus dessa ação penal está o ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro, apon­ta­do pela PGR como líder e prin­ci­pal ben­efi­ciário da tra­ma golpista, e out­ros sete ex-min­istros de seu gov­er­no e asses­sores próx­i­mos.

As 82 teste­munhas do caso começaram a ser ouvi­das na segun­da (19), por meio de video­con­fer­ên­cia. Ape­nas o brigadeiro Bap­tista Júnior foi ouvi­do nes­ta quar­ta. As oitavas devem ser retomadas na sex­ta (23), com os relatos do senador Hamil­ton Mourão (Repub­li­canos-RS), ex-vice de Bol­sonaro, e do atu­al coman­dante da Mar­in­ha, almi­rante Mar­cos Sam­paio Olsen.

Rela­tor do caso, Morares proibiu qual­quer tipo de gravação das audiên­cias. Jor­nal­is­tas foram autor­iza­dos a acom­pan­har as falas da sala da Primeira Tur­ma, no Supre­mo.

Matéria ampli­a­da às 13h45

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