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Ex-chefe do GSI, general nega envolvimento em suposto plano golpista

Augusto Heleno se negou a responder ao relator da ação no STF

Alex Rodrigues — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 10/06/2025 — 17:28
Brasília
Brasília (DF), 10/06/2025- Depoimento do general, Heleno. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes começa a ouvir os réus do núcleo 1 na ação da trama golpista, os interrogatórios ocorrerão presencialmente na sala de julgamentos da primeira turma da corte. Foto: Ton Molina/STF
Repro­dução: © Ton Molina/STF

Réu na ação penal que apu­ra uma supos­ta ten­ta­ti­va de golpe de Esta­do para man­ter o ex-pres­i­dente da Repúbli­ca Jair Bol­sonaro no car­go e impedir que o então can­dida­to eleito Luiz Iná­cio Lula da Sil­va fos­se empos­sa­do, o ex-min­istro do Gabi­nete de Segu­rança Insti­tu­cional (GSI) gen­er­al Augus­to Heleno negou, nes­ta terça-feira (10), que ten­ha coor­de­na­do ações para dis­sem­i­nar infor­mações fal­sas colo­can­do em dúvi­da a legit­im­i­dade do sis­tema eleitoral e a invi­o­la­bil­i­dade das urnas eletrôni­cas.

Ao exercer seu dire­ito con­sti­tu­cional de per­manecer cal­a­do, Heleno não respon­deu às per­gun­tas for­mu­ladas pelo rela­tor da ação, o min­istro do Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF), Alexan­dre de Moraes. Mas respon­deu às questões de seu advo­ga­do, Matheus May­er Milanez.

Durante o inter­ro­gatório, Heleno tam­bém negou ter coor­de­na­do ações da Agên­cia Brasileira de Inteligên­cia (Abin) para pro­duzir relatórios fal­sos. E garan­tiu nun­ca ter trata­do de nen­hum tema ile­gal com Bol­sonaro, coman­dantes mil­itares ou mem­bros da equipe de gov­er­no.

Segun­do o ex-min­istro do GSI, o teor de suas con­tro­ver­sas declar­ações durante uma reunião com Bol­sonaro e demais min­istros, ocor­ri­da e grava­da em jul­ho de 2022, foram inter­pre­tadas erronea­mente.

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Na reunião, Heleno comen­tou que, após a divul­gação do resul­ta­do das eleições que ocor­re­ri­am dali a alguns meses, não have­ria “segun­da chama­da”, nem “revisão do VAR”, e que, se algo tin­ha que ser feito, pre­cisa­va ser feito antes do pleito.

“Se tiv­er que dar soco na mesa, é antes das eleições. Se tiv­er que virar a mesa, é antes das eleições. Depois, será muito difí­cil que ten­hamos algu­ma nova per­spec­ti­va [em caso de vitória de Lula]”, disse Heleno durante a reunião ocor­ri­da há 3 anos.

Nes­ta terça-feira, ao ser ques­tion­a­do sobre o assun­to por seu advo­ga­do, o ex-min­istro garan­tiu que empre­gou essas expressões em sen­ti­do fig­u­ra­do.

“Pre­ocu­pa­va-me a situ­ação políti­ca que está­va­mos viven­do e [a crença em] que pre­cisá­va­mos agir antes que isso trouxesse maiores prob­le­mas para o suces­so das eleições”, disse.

Na mes­ma reunião min­is­te­r­i­al, de jul­ho de 2022, Heleno comen­tou ter con­ver­sa­do com o então dire­tor interi­no da Abin Vic­tor Felis­mi­no Carneiro, sobre a “mon­tagem de um esque­ma para acom­pan­har o que os dois lados vão faz­er” e que o úni­co prob­le­ma seria caso a ini­cia­ti­va “vazasse”, oca­sio­n­an­do acusações de que a Abin estaria infil­tran­do agentes nas cam­pan­has de adver­sários de Bol­sonaro.

“Eu real­mente con­ver­sei com o Vic­tor para que fos­se real­iza­do um acom­pan­hamen­to das cam­pan­has pres­i­den­ci­ais, a fim de evi­tar que acon­te­cesse [um aten­ta­do] como o que já tin­ha acon­te­ci­do com Bol­sonaro, em Juiz de Fora. Julguei muito impor­tante que hou­vesse uma inte­gração entre órgãos de segu­rança”, jus­ti­fi­cou Heleno, garan­ti­n­do ao respon­der ao advo­ga­do que as medi­das ado­tadas fazem parte do tra­bal­ho que a Abin faz jun­to com out­ros órgãos públi­cos des­de 1991.

“Deix­ei bem claro para o Vic­tor que, con­forme man­da a Con­sti­tu­ição, não podemos infil­trar ele­men­tos da Abin nes­sas ativi­dades. Não havia inter­esse em mas­carar isso. Até porque não era nos­sa intenção infil­trar agentes, o que, tec­ni­ca­mente, nem seria pos­sív­el. A ideia era acom­pan­har de per­to o que acon­te­cia e agir [para evi­tar] coisas que prej­u­di­cas­se o anda­men­to das cam­pan­has”, acres­cen­tou o gen­er­al.

Heleno tam­bém negou o teor con­spir­atório, golpista, que a Procu­rado­ria-Ger­al da Repúbli­ca (PGR) atribuiu a ano­tações encon­tradas em uma cader­ne­ta que a Polí­cia Fed­er­al apreen­deu em sua casa e usa­da como pro­va no proces­so con­tra o gen­er­al da reser­va. Segun­do o ex-min­istro, o con­teú­do da agen­da nun­ca foi com­par­til­ha­do.

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