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Hora do Planeta convoca Brasil a apagar as luzes

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Mobilização faz alerta para a urgência de barrar mudanças climáticas


Pub­li­ca­do em 25/03/2023 — 07:30 Por Paulliny Tort – Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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Na noite de 25 de março, às 20h30, luzes serão apa­gadas em diver­sos pon­tos do país, para chamar a atenção da sociedade sobre a crise climáti­ca. O apagão faz parte da Hora do Plan­e­ta, even­to pro­movi­do anual­mente pela orga­ni­za­ção ambi­en­tal­ista não-gov­er­na­men­tal WWF.

A pro­pos­ta é que indi­ví­du­os, gru­pos e empre­sas apaguem as luzes por 60 min­u­tos, para pen­sar em como cuidar do plan­e­ta. Limpar a pra­ia, plan­tar uma árvore, se enga­jar em movi­men­tos comu­nitários ou sim­ples­mente reunir os ami­gos no momen­to de desli­gar a ener­gia elétri­ca são maneiras de aderir ao movi­men­to.

Segun­do a WWF, qual­quer pes­soa, em qual­quer lugar, pode par­tic­i­par da mobi­liza­ção. Apoiadores em mais de 190 país­es e ter­ritórios par­tic­i­pam do even­to, que acon­tece no Brasil des­de 2009.

De acor­do com Gisel­li Cav­al­can­ti, anal­ista de enga­ja­men­to do WWF-Brasil, a Hora do Plan­e­ta tem mais de 400 even­tos pro­gra­ma­dos pelo país, tan­to vir­tu­ais quan­to pres­en­ci­ais. Este ano, a WWF-Brasil ofer­e­ceu um mapa de vis­i­bil­i­dade dessas ações, que podem ser con­sul­tadas no site da insti­tu­ição. “O obje­ti­vo é que, em um esforço glob­al, a gente con­si­ga faz­er a nos­sa parte, mas tam­bém cobrar medi­das urgentes dos gov­er­nos e das lid­er­anças para bar­rar a crise climáti­ca e revert­er a que­da da bio­di­ver­si­dade”, afir­ma Cav­al­can­ti.

Uma parceria histórica

Tradi­cionais par­ceiros da WWF, os escoteiros têm diver­sas ativi­dades pro­gra­madas para a Hora do Plan­e­ta, tais como vigílias, debates e obser­vação de estre­las. Bruno Souza, dire­tor do Grupo Escoteiro José de Anchi­eta (GEJA), em Brasília, expli­ca que os escoteiros já tra­bal­ham sobre um con­jun­to de ações asso­ci­adas aos obje­tivos de desen­volvi­men­to sus­ten­táv­el da Orga­ni­za­ção das Nações Unidas (ONU) e que as ativi­dades pro­gra­madas para o dia 25 fazem parte dessas ações.

“O GEJA par­tic­i­pa da Hora do Plan­e­ta des­de que ela começou no Brasil, então todo ano a gente faz ações desse tipo e, prin­ci­pal­mente, ori­en­ta os nos­sos jovens sobre a respon­s­abil­i­dade de cada um na questão da preser­vação do meio ambi­ente”, diz.

Para Gisel­li Cav­al­can­ti, a par­tic­i­pação dos escoteiros na Hora do Plan­e­ta tem um impacto sig­ni­fica­ti­vo. “Essas cri­anças e ess­es jovens estão se enga­jan­do com a pau­ta ambi­en­tal, estão levan­do essa dis­cussão para out­ros espaços tam­bém, seja nas esco­las, nas comu­nidades, nas famílias”, expli­ca. Cav­al­can­ti desta­ca ain­da o envolvi­men­to cres­cente das empre­sas, que têm par­tic­i­pa­do da mobi­liza­ção com palestras, work­shops e apoio a pro­je­tos de cuida­do ambi­en­tal, além de reverem suas for­mas de atu­ação.

No apagar das luzes

No Brasil, mon­u­men­tos e pré­dios públi­cos em diver­sas cidades devem apa­gar suas luzes às 20h30 deste sába­do, como for­ma de adesão ao movi­men­to. Enquan­to isso, na Mongólia, acon­te­cerá um des­file de moda sus­ten­táv­el com estilis­tas locais, apre­sen­tan­do roupas reci­cladas e redesen­hadas. Já o WWF-Letô­nia sedi­ará seu tradi­cional con­cer­to da Hora do Plan­e­ta para par­ceiros e apoiadores. Essas e out­ras ações fazem parte dos esforços da insti­tu­ição “para que a déca­da ter­mine com mais natureza e bio­di­ver­si­dade do que quan­do começou”, a fim de evi­tar danos irre­ver­síveis ao plan­e­ta.

A biólo­ga Nurit Ben­su­san, espe­cial­ista em bio­di­ver­si­dade e pesquisado­ra do Pro­gra­ma de Políti­ca e Dire­ito do Insti­tu­to Socioam­bi­en­tal (ISA), ques­tiona a efe­tivi­dade dessas ações. Para ela, a Hora do Plan­e­ta seria mais um apazigua­men­to de con­sciên­cia que uma pro­pos­ta de trans­for­mação.

“Cada pes­soa indi­vid­ual­mente pode­ria faz­er muito mais, se posi­cio­nan­do con­tra uma econo­mia que despe­ja seus impactos socioam­bi­en­tais nos out­ros agentes da sociedade. Cada um de nós pode­ria con­tribuir para tornar essa econo­mia ina­ceitáv­el, mas a gente não faz isso”, desta­ca.

Ben­su­san citou o relatório lança­do pelo Painel Inter­gov­er­na­men­tal sobre Mudanças Climáti­cas (IPCC) na últi­ma segun­da-feira (20). O doc­u­men­to aler­ta que a tem­per­atu­ra média mundi­al subiu 1,1 grau Cel­sius aci­ma dos níveis pré-indus­tri­ais – uma con­se­quên­cia dire­ta de mais de um sécu­lo de queima de com­bustíveis fós­seis, bem como do uso des­or­de­na­do e insus­ten­táv­el de ener­gia e do solo.

O relatório tam­bém apon­ta que os desas­tres nat­u­rais rela­ciona­dos ao cli­ma atingem sobre­tu­do as pes­soas econômi­ca e social­mente mais vul­neráveis. “É muito difí­cil a gente anal­is­ar a crise climáti­ca sep­a­ra­da do colo­nial­is­mo, do racis­mo, da dis­crim­i­nação, do pre­con­ceito e das desigual­dades”, com­ple­men­ta.

De acor­do com a biólo­ga, para trans­for­mar o cenário atu­al, ape­nas mudanças na roti­na não são sufi­cientes. Para ela, uma espé­cie de “fé’ na tec­nolo­gia nos faz crer que os danos socioam­bi­en­tais cau­sa­dos pelo cli­ma são con­tornáveis, o que levaria a um adi­a­men­to de soluções efe­ti­vas. “O que fun­cionar­ia seria uma con­sci­en­ti­za­ção rad­i­cal das pes­soas”, defende. Já para Gisel­li Cav­al­can­ti, a Hora do Plan­e­ta aumen­ta a con­sci­en­ti­za­ção e a mobi­liza­ção dos difer­entes setores da sociedade na causa ambi­en­tal, o que pode ser con­sid­er­a­do um dos efeitos pos­i­tivos da cam­pan­ha.

Edição: Heloisa Cristal­do

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