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São Silvestre 2025 tem número recorde de participação de mulheres

Dos 55 mil corredores inscritos, 47% são de atletas femininas

Elaine Patri­cia Cruz – Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 30/12/2025 — 16:57
São Paulo
São Paulo (SP), 31/12/2023 - Em sua 98ª edição, a Corrida Internacional de São Silvestre reuniu 35 mil corredores na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Ao chegar em sua cen­tési­ma edição, a Cor­ri­da Inter­na­cional de São Sil­vestre alcança novas mar­cas. Neste ano, 55 mil corre­dores, de 44 país­es, se inscrever­am para par­tic­i­par da mais tradi­cional cor­ri­da de rua do Brasil, um recorde em sua história. Recorde tam­bém em par­tic­i­pação de mul­heres, que rep­re­sen­tam 47% do total dos inscritos.

O aumen­to da par­tic­i­pação fem­i­ni­na na mais tradi­cional cor­ri­da do país foi cel­e­bra­do pelos prin­ci­pais nomes do esporte brasileiro na pro­va. Durante entre­vista à impren­sa con­ce­di­da no fim da man­hã de hoje (30), na cap­i­tal paulista, a atle­ta Nubia de Oliveira, mel­hor colo­ca­da na São Sil­vestre no ano pas­sa­do, disse que esse cresci­men­to na par­tic­i­pação de mul­heres lhe moti­va ain­da mais para vencer a pro­va aman­hã.

 

São Paulo (SP), 30/12/2025 - A corredora brasileira Núbia de Oliveira, durante entrevista coletiva dos atletas de elite da 100ª Corrida de São Silvestre. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: São Paulo (SP), 30/12/2025 — A corre­do­ra brasileira Núbia de Oliveira, durante entre­vista cole­ti­va dos atle­tas de elite da 100ª Cor­ri­da de São Sil­vestre. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil — Paulo Pinto/Agência Brasil

“A São Sil­vestre tem 100 anos de história e, nos últi­mos anos, vem aumen­tan­do muito o número de mul­heres. Essa par­tic­i­pação era proibi­da para nós [mul­heres, no pas­sa­do]. Foi só anos depois [a par­tir de 1975] que a mul­her pôde par­tic­i­par [da São Sil­vestre]”, disse.

“Todas as mul­heres que par­tic­i­param da São Sil­vestre, e as que foram campeãs, me moti­vam e me inspi­ram, assim como a gente tam­bém, que ago­ra está nesse cenário, moti­va­mos out­ras mul­heres a estarem par­tic­i­pan­do [da pro­va]”, acres­cen­tou.

Na avali­ação de Nubia, a cor­ri­da de rua aumen­tou muito, “então esse é um momen­to onde a mul­her se reen­con­tra e onde vence­mos os nos­sos desafios, porque a gente não tem lim­ite. A gente que impõe os nos­sos lim­ites, e a cor­ri­da mostra isso: super­ação e deter­mi­nação a todo momen­to”, desta­cou.

A brasileira Jeane dos San­tos foi out­ra corre­do­ra a exal­tar o aumen­to da par­tic­i­pação de fem­i­ni­na na São Sil­vestre.

“Não esper­a­va hoje estar par­tic­i­pan­do da cen­tési­ma São Sil­vestre. E hoje eu me vejo nesse cenário lin­do, que me tirou da depressão e de uma crise de ansiedade”, con­fes­sou.

“Na min­ha cidade, que é San­to Antônio de Jesus, na Bahia, eu sou refer­ên­cia para todas mul­heres. Muitas mul­heres man­dam men­sagem para mim dizen­do que começaram a cor­rer através de mim”, disse a atle­ta.

“Hoje a cor­ri­da é uma lib­er­tação para nós, mul­heres. Quan­do eu começo a cor­rer ou vou treinar, esqueço do mun­do, esqueço de tudo e me sin­to livre. É o que nós, mul­heres, temos que sen­tir: ser­mos livres”, com­ple­tou Jeane.

Tabu

São Paulo (SP), 30/12/2025 - A corredora brasileira Jeane dos Santos, durante entrevista coletiva dos atletas de elite da 100ª Corrida de São Silvestre. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: São Paulo (SP), 30/12/2025 — A corre­do­ra brasileira Jeane dos San­tos, falou da importân­cia de cor­rer para a sua saúde: “Hoje eu me vejo nesse cenário lin­do, que me tirou da depressão. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil — Paulo Pinto/Agência Brasil

Ape­sar de se diz­erem prontas e bem preparadas para dis­putar a pro­va aman­hã, Núbia e Jeane sabem que não será fácil romper um tabu de vitórias do Brasil na São Sil­vestre, que já dura des­de 2006. Uma das difi­cul­dades será ultra­pas­sar as que­ni­anas, que tem subido ao pódio mais alto, de for­ma con­sec­u­ti­va, des­de 2016.

A que­ni­ana Cyn­thia Chemweno, que chegou em segun­do lugar no ano pas­sa­do, será uma dessas adver­sárias aman­hã. “Estou muito orgul­hosa de rep­re­sen­tar o meu país e aman­hã eu vou voar”, prom­e­teu, durante a entre­vista.

“Cor­rer no Brasil é muito bacana porque as pes­soas, durante o per­cur­so, ficam saudan­do os atle­tas. Isso traz mui­ta ale­gria e me sin­to muito bem cor­ren­do aqui”, desta­cou.

Out­ra adver­sária das brasileiras é a atle­ta da Tanzâ­nia, Sisil­ia Gino­ka Pan­ga. Ela rev­el­ou ser sua primeira vez no Brasil, está curtin­do muito o cli­ma e a ener­gia de São Paulo, e pronta par cor­rer. “Me pre­parei bem nesse perío­do e, com certeza, vou faz­er uma boa cor­ri­da”, afir­mou.

Jeito africano e jeito brasileiro

No mas­culi­no, a últi­ma vez que um atle­ta brasileiro venceu a São Sil­vestre foi em 2010, com Mar­il­son Gomes dos San­tos. Des­de então, o domínio quase exclu­si­vo é de atle­tas africanos.

Para Johnatas Cruz, o brasileiro mel­hor colo­ca­do nas duas últi­mas edições da São Sil­vestre, desta­cou a for­ma de com­pe­tir dos africanos na com­para­ção com os brasileiros. Segun­do ele, enquan­to os africanos treinam e cor­rem de for­ma cole­ti­va, os brasileiros val­orizam a indi­vid­u­al­i­dade. Em sua visão, “se esse jeito brasileiro de cor­rer não for alter­ado”, difi­cil­mente o Brasil voltará ao topo da pro­va.

São Paulo (SP), 30/12/2025 - O corredor brasileiro Johnatas Cruz, durante entrevista coletiva dos atletas de elite da 100ª Corrida de São Silvestre. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: São Paulo (SP), 30/12/2025 — O corre­dor brasileiro Johnatas Cruz, desta­cou a for­ma de com­pe­tir dos africanos na com­para­ção com os brasileiros. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil — Paulo Pinto/Agência Brasil

“Eu acred­i­to que isso será um divi­sor de águas para tam­bém a gente começar a não só gan­har São Sil­vestre, mas gan­har out­ras com­petições de nív­el como a São Sil­vestre é no Brasil. Cor­rer em grupo é muito impor­tante. Cor­rer em grupo com o seu com­pa­tri­o­ta, com o cole­ga do mes­mo país, com o cole­ga da mes­ma equipe, aju­da e muito. A gente sabe que um só vai gan­har, mas o máx­i­mo pos­sív­el que a gente pud­er aju­dar um ou out­ro no decor­rer do per­cur­so, isso aju­daria muito mais do que cor­rer indi­vid­ual­mente e cada um traçar a sua estraté­gia”, afir­mou.

O tam­bém brasileiro Wen­dell Jerôn­i­mo Souza, con­cor­da. “É muito impor­tante ter um grupo, no iní­cio da pro­va, mais caden­ci­a­do de brasileiros. E no mes­mo rit­mo, de prefer­ên­cia. Às vezes é meio com­pli­ca­do porque nem todos vão estar leves no dia da pro­va. A pro­va é desse jeito, com altos e baixos e vari­ações, com plano, desci­da e subi­da. Mas se tiv­er uma pos­si­bil­i­dade, se tiv­er grupo, pode-se chegar mais adi­ante e faz­er uma pro­va difer­ente”, desta­cou.

O que­ni­ano “quase brasileiro” Wil­son Maina, que diz ado­rar o país, comen­tou sobre essa difer­ença na for­ma de se cor­rer a São Sil­vestre e que, nos últi­mos anos, vem favore­cen­do atle­tas africanos. “O seg­re­do dos africanos hoje em dia é treinar jun­tos e ter amor [pelo seu com­pan­heiro de cor­ri­da]”, expli­cou.

São Paulo (SP), 30/12/2025 - O corredor queniano Wilson Marina, durante entrevista coletiva dos atletas de elite da 100ª Corrida de São Silvestre. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­dução: São Paulo (SP), 30/12/2025 — O corre­dor que­ni­ano Wil­son Mari­na, rev­ela o que leva os africanos a vencerem tan­tas cor­ri­das: “O seg­re­do dos africanos hoje em dia é treinar jun­tos e ter amor [pelo seu com­pan­heiro de cor­ri­da]”. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil — Paulo Pinto/Agência Brasil

“O mais impor­tante, den­tro do treina­men­to, é exi­s­tir amizade entre os atle­tas. Isso é o que faz com que pos­samos ir para a frente”, com­ple­tou Joseph Pan­ga, da Tanzâ­nia.

Segun­do Maina, a prin­ci­pal difer­ença entre os atle­tas brasileiros e os atle­tas de país­es africanos é, de fato, essa união. “O brasileiro treina muito soz­in­ho. O que­ni­ano treina jun­to. E essa coisa de estar em grupo é muito mais fácil. Quan­do você está só, você tem que super­ar algu­mas out­ras difi­cul­dades soz­in­ho”.

A corrida

A cen­tési­ma edição da Cor­ri­da Inter­na­cional de São Sil­vestre acon­tece na man­hã des­ta quar­ta-feira (31) e encer­ra o cal­endário esporti­vo brasileiro. A pro­gra­mação tem iní­cio às 7h25, com a larga­da da cat­e­go­ria Cadeirantes. Em segui­da, às 7h40, será a vez da Elite A e B fem­i­ni­na. Às 8h05 será a vez dos corre­dores da Elite A e B mas­culi­na, pes­soas com defi­ciên­cia e Pelotão Pre­mi­um mas­culi­no e fem­i­ni­no. Em segui­da, o pelotão ger­al.

Des­de 1991, o per­cur­so da São Sil­vestre tem 15 quilômet­ros. Com pequenos ajustes ao lon­go deste tem­po, atual­mente o tra­je­to pas­sa por pon­tos turís­ti­cos de São Paulo, com larga­da na Aveni­da Paulista, número 2084, pas­san­do pela famosa subi­da da Aveni­da Brigadeiro Luiz Antônio e chega­da em frente ao pré­dio da Fun­dação Cásper Líbero, tam­bém na Aveni­da Paulista, no número 900.

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