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Venda nas farmácias de produtos à base de cannabis cresce 342,3%

Repro­dução: © Arqui­vo pessoal/Fábio Car­val­ho

Pesquisa diz que prescrições aumentaram 487,8% em 2022


Pub­li­ca­do em 15/03/2023 — 08:28 Por Ana Cristi­na Cam­pos – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Pesquisa do Por­tal Cannabis & Saúde mostra o cresci­men­to de 342,3% nas ven­das de pro­du­tos à base de cannabis nas far­má­cias do Brasil des­de 2018. A par­tir da entra­da do primeiro pro­du­to no mer­ca­do até o momen­to, a recei­ta se expandiu sig­ni­fica­ti­va­mente: ape­nas de 2021 para 2022, o aumen­to foi de 156,1%, movi­men­tan­do R$ 77.008.596,00.

As pre­scrições cresce­r­am 487,8% no últi­mo ano. O número de médi­cos que pre­screvem pro­du­tos à base de can­abid­i­ol para com­pra em far­má­cia pas­sou de 6,3 mil em 2021 para 15,4 mil no ano pas­sa­do, aumen­to de 146%.

Den­tre todas as espe­cial­i­dades médi­cas pre­scritoras de can­abid­i­ol, neu­rol­o­gis­tas são 33%; psiquia­tras, 26%; geri­atras, 8%; pedi­atras, 7%; clíni­cos gerais, 5% e orto­pe­dis­tas, 3%. “Essen­cial­mente, essas espe­cial­i­dades rep­re­sen­tam mais de 80% da importân­cia do vol­ume pre­s­criti­vo deste mer­ca­do”, diz o estu­do.

Medicina

Para o clíni­co ger­al com cer­ti­fi­cação inter­na­cional em Med­i­c­i­na Endo­can­abi­noide pela WeCann Acad­e­my (2021), Tér­cio Sousa, os números indicam a veraci­dade da infor­mação de que a cannabis é hoje impre­scindív­el na med­i­c­i­na.

“É um cam­in­ho sem vol­ta. Os médi­cos que só tratam com alopa­tia muitas vezes não têm suces­so no trata­men­to e aí começam a perder o paciente para quem está usan­do a cannabis. A maior parte dos pacientes que hoje procu­ra trata­men­to com cannabis são pes­soas que já estão na luta con­tra, por exem­p­lo, dor, espas­mos e tremor de Parkin­son já há muito tem­po e não veem resul­ta­do”, disse Tér­cio, médi­co par­ceiro da Asso­ci­ação de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Med­i­c­i­nal (Apepi).

Segun­do ele, o preço ele­va­do dos pro­du­tos ain­da é um entrave e a saí­da con­siste na pro­dução nacional de cannabis. “A gente vê hoje as asso­ci­ações, como a Apepi, crescen­do e aumen­tan­do a pro­dução das plan­tas e óleos, ampara­da por decisões judi­ci­ais. A Apepi tem capaci­dade de pro­dução de cin­co mil fras­cos por mês. A par­tir do momen­to em que lib­er­arem o plan­tio nacional está tudo resolvi­do. Para isso, é pre­ciso mudar a leg­is­lação”, pon­der­ou.

Anvisa

Além da aquisição dos pro­du­tos de cannabis no mer­ca­do nacional, é pos­sív­el a impor­tação excep­cional somente para uso pes­soal, medi­ante cadas­tro e aprovação prévia jun­to à Agên­cia Nacional de Vig­ilân­cia San­itária (Anvisa), além de pre­scrição médi­ca, infor­mou a agên­cia reg­u­lado­ra.

As autor­iza­ções con­ce­di­das para impor­tação de pro­du­tos à base de cannabis aumen­taram de 850, em 2015, para 153.671, em 2022. “Esclare­ce­mos que pode haver mais de uma autor­iza­ção emi­ti­da para o mes­mo paciente ao lon­go de um ano, por exem­p­lo”, afir­mou a Anvisa.

A agên­cia tam­bém esclare­ceu que, atual­mente, exis­tem 25 pro­du­tos de cannabis autor­iza­dos para ven­da em far­má­cias brasileiras e somente um medica­men­to reg­istra­do à base de cannabis, o Mevatyl.

Segun­do a Anvisa, os pro­du­tos de cannabis con­stituem uma cat­e­go­ria cri­a­da no Brasil em 2019. “Eles não têm indi­cação pré-aprova­da no Brasil, pois não con­tam com dados con­clu­sivos de eficá­cia e segu­rança no nív­el que se exige para o reg­istro de um medica­men­to. A indi­cação e a for­ma de uso, bem como a pop­u­lação alvo dess­es pro­du­tos, não são aprovadas pre­vi­a­mente pela agên­cia, fican­do a sua definição sob a respon­s­abil­i­dade do médi­co assis­tente do paciente”, afir­mou o órgão.

“Assim, ess­es pro­du­tos podem ser uti­liza­dos pela pop­u­lação brasileira sem out­ras alter­na­ti­vas ter­apêu­ti­cas, con­forme ori­en­tação e pre­scrição médi­ca, enquan­to os estu­dos clíni­cos con­fir­matórios de sua eficá­cia são con­cluí­dos para que eles pos­sam ser, então, futu­ra­mente, reg­istra­dos como medica­men­tos. Já o medica­men­to à base de cannabis pos­sui indi­cações especí­fi­cas com­pro­vadas e val­i­dadas por meio de estu­dos clíni­cos, tal qual qual­quer out­ro medica­men­to”, acres­cen­tou a Anvisa.

De acor­do com Tér­cio Sousa, a com­pro­vação cien­tí­fi­ca da eficá­cia e segu­rança dos pro­du­tos requer tem­po e inves­ti­men­to. “As prin­ci­pais pesquisas feitas até o momen­to foram patroci­nadas pela própria indús­tria far­ma­cêu­ti­ca. Ago­ra é que as insti­tu­ições de pesquisa, como o Fiocruz, e uni­ver­si­dades estão entran­do, como a Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio Grande do Norte (UFRN), que con­seguiu a lib­er­ação para plan­tio”,  final­i­zou.

Edição: Kle­ber Sam­paio

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