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Voluntários mantêm resgates em áreas alagadas de Porto Alegre

Repro­dução: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Na Zona Norte da capital, água ainda baixa lentamente


Publicado em 19/05/2024 — 11:45 Por Pedro Rafael Vilela — Enviado Especial da Agência Brasil* — Porto Alegre

Enquan­to em algu­mas regiões de Por­to Ale­gre, como parte do Cen­tro Históri­co e bair­ros da Zona Sul, a água do Guaí­ba baixou e a limpeza começou a ser fei­ta, na Zona Norte da cidade a inun­dação per­manece. A Agên­cia Brasil acom­pan­hou um pon­to de res­gate e acol­hi­men­to mon­ta­do por cen­te­nas de vol­un­tários no cruza­men­to das avenidas Ben­jamin Con­stant e Cairú, no bair­ro de Nave­g­antes, na região do chama­do 4º Dis­tri­to. O bair­ro fica nos arredores do Aero­por­to Sal­ga­do Fil­ho, ter­mi­nal que segue fecha­do por tem­po inde­ter­mi­na­do jus­ta­mente por con­tin­uar ala­ga­do.

Ain­da na tarde deste sába­do (18), mais de duas sem­anas após o iní­cio das inun­dações, bar­ra­cas e ten­das mon­tadas abaixo do viadu­to seguiam fazen­do atendi­men­to a pes­soas e ani­mais res­gata­dos na região.

Porto Alegre (RS), 18/05/2024 – CHUVAS RS- ENCHENTE - Corpo de Bombeiros, Políciais e voluntários continuam resgatando animais e levando mantimentos para as pessoas atingidas pela enchente em Porto Alegre. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­dução: Duas sem­anas após as fortes chu­vas, alguns bair­ros de Por­to Ale­gre con­tin­u­am ala­ga­dos. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

“Só hoje [sába­do, 18], ain­da reti­ramos 37 pes­soas [da inun­dação]”, afir­ma Edmil­son Brizo­la, um dos vol­un­tários. Morador da região, ele aju­dou a coor­denar a logís­ti­ca das embar­cações que naveg­am ruas aden­tro. Ele cal­cu­la que, ape­nas nesse pon­to, mais de 5 mil pes­soas foram res­gatadas, além de out­ros 2 mil ani­mais, entre gatos, cachor­ros, gal­in­has, cav­a­l­os, aves e até por­cos.

A Aveni­da Cairú ain­da é prati­ca­mente uma hidrovia, com mais de 1,5 mil met­ros de alaga­men­to, des­de a con­fluên­cia da Aveni­da Ben­jamin Con­stant até o Guaí­ba. A medição do nív­el do Guaí­ba na man­hã deste domin­go (19) reg­istrou 4,43 met­ros, de acor­do com a prefeitu­ra da cap­i­tal, cer­ca de 10 cen­tímet­ros a menos em relação ao dia ante­ri­or. A cota de inun­dação é de 2,5 met­ros.

A aposen­ta­da Mar­lene Terez­in­ha Sil­veira, morado­ra do bair­ro Saran­di, tam­bém na Zona Norte, pas­sa­va pelo pon­to de acol­hi­men­to em bus­ca de roupas e cober­tores. Sua casa segue embaixo d’água e ela ain­da não con­segue cal­cu­lar os pre­juí­zos. “Fui lá hoje, de bar­co, mas só pra ver por cima. Moro há 60 anos no Sarandí, cos­tu­ma ala­gar, às vezes per­to do portão, mas não assim. Nun­ca imag­inei isso na min­ha vida. Ago­ra, eu vou entrar em casa quan­do pud­er, botar tudo fora e limpar. Pelo menos uma cama eu sou obri­ga­da [a limpar], até para eu dormir, e um fogão faz­er uma comi­da”.

A reportagem per­cor­reu diver­sas ruas do bair­ro de Nave­g­antes a bor­do de um bote do Cor­po de Bombeiros. Parte dos moradores decid­iu per­manecer, mes­mo com ener­gia cor­ta­da. Além do res­gate, uma das tare­fas de vol­un­tários e equipes de sal­va­men­to é prover essas pes­soas com man­ti­men­tos para sobre­vivên­cia, como pil­has, bate­rias e ali­men­tos.

Porto Alegre (RS), 18/05/2024 – CHUVAS RS- ENCHENTE - Corpo de Bombeiros, Políciais e voluntários continuam resgatando animais e levando mantimentos para as pessoas atingidas pela enchente em Porto Alegre. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­dução: Cor­po de Bombeiros, poli­ci­ais e vol­un­tários tam­bém lev­am comi­da para as pes­soas que decidi­ram ficar nas suas casas. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Do resgate ao acolhimento

O pon­to de res­gate e acol­hi­men­to da Aveni­da Ben­jamin Con­stant se assemel­ha a um acam­pa­men­to de guer­ra. Há diver­sas bar­ra­cas, divi­di­das em áreas de atendi­men­to médi­co, far­má­cia, ali­men­tação e roupas e cober­tores, além de um setor de apoio psi­cológi­co e uma equipe de trans­porte solidário para levar res­gata­dos a abri­gos ou casas de par­entes. No local, há uma ofic­i­na impro­visa­da e uma área de abastec­i­men­to de embar­cações.

Porto Alegre (RS), 18/05/2024 – CHUVAS RS- Voluntários - Parte inferior do Viaduto José Eduardo Utzig foi transformada em um centro de acolhimento, com estações para prestar diferentes serviços para as pessoas resgatadas das enchentes ou prestadores de serviços voluntários. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­dução: Parte infe­ri­or do Viadu­to José Eduar­do Utzig foi trans­for­ma­da em um cen­tro de acol­hi­men­to, com estações para prestar difer­entes serviços para as pes­soas res­gatadas. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A logís­ti­ca de res­gate de ani­mais tem uma estru­tu­ra própria de primeiros socor­ros vet­er­inários e um abri­go pro­visório. Uma das vol­un­tárias é a médi­ca vet­er­inária Sheila Kircher, que con­ta ter per­di­do uma ami­ga na tragé­dia e vem se ded­i­can­do ao apoio solidário.

“Eu per­di uma ami­ga na enchente e fiquei me sentin­do muito impo­tente sem poder ajudá-la no momen­to que ela pre­cisou. Então, tam­bém, para ocu­par a cabeça, eu achei mel­hor vir e aju­dar no que eu podia, né?”, desabafa.

Em ger­al, quan­do os ani­mais chegam, o quadro é de hipoter­mia e muitas lesões de pele. “A gente tira as medi­das, seca, limpa e ten­ta esta­bi­lizar. Os casos mais graves a gente ten­ta encam­in­har para clíni­cas e cirur­gias”.

Dezenas de ani­mais, ain­da sem os tutores local­iza­dos, aguardam por uma des­ti­nação a abri­gos ou mes­mo adoção solidária. De acor­do com dados do gov­er­no do esta­do, são mais de 12 mil ani­mais res­gata­dos no esta­do até ago­ra.

Para aju­dar a acol­her esse con­tin­gente, mais de 20 toneladas de ração doadas para o Rio Grande do Sul, para ali­men­tar os cães e gatos víti­mas das enchentes, chegaram no avião car­gueiro KC-390 Mil­len­ni­um da Força Aérea Brasileira (FAB), envi­a­do pelo gov­er­no fed­er­al, que tam­bém lev­ou itens essen­ci­ais para pets, como caixas de trans­porte, camas e bebedouros. Cam­pan­has de adoção de ani­mais tam­bém têm sido estim­u­ladas pelas redes soci­ais, com adesão em todo o país.

*Colaborou Gabriel Brum, repórter da Rádio Nacional.

Edição: Marce­lo Brandão

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