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Estudantes se preparam para segundo Enem do ano

Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Pandemia da covid-19 transferiu o do ano passado para 2021


Pub­li­ca­do em 02/11/2021 — 09:15 Por Mar­i­ana Tokar­nia — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Estu­dantes que fiz­er­am as provas do Exame Nacional do Ensi­no Médio (Enem) 2020, apli­cadas em janeiro e fevereiro deste ano, e ain­da não con­seguiram uma vaga no ensi­no supe­ri­or, preparam-se para faz­er o segun­do Enem do ano. A menos de um mês para as provas do Enem 2021, mar­cadas para os dias 21 e 28 de novem­bro, eles con­tam que, ape­sar da ansiedade, sen­tem-se um pouco mais prepara­dos para o exame.

O cam­in­ho; não está sendo fácil. É a primeira vez que o exame é apli­ca­do duas vezes no mes­mo ano, por causa da pan­demia da covid-19. Será tam­bém o segun­do Enem de Kailane Kel­ly da Sil­va Brito, 18 anos de idade, val­en­do uma vaga no ensi­no supe­ri­or. Antes dis­so, a estu­dante par­ticipou ape­nas como treineira, sem o diplo­ma do ensi­no médio, para tes­tar os con­hec­i­men­tos.

“Na edição do ano pas­sa­do, eu não obtive o resul­ta­do que eu esper­a­va. Eu até con­seguiria entrar em out­ros cur­sos, mas que não eram do meu inter­esse”, disse. A estu­dante ain­da não definiu o cur­so que pre­tende cur­sar, mas bus­ca uma nota alta sufi­ciente para ter opções.

Repro­dução: Can­didatos par­tic­i­pam da primeira apli­cação do Exame Nacional do Ensi­no Médio (Enem) Dig­i­tal, na Uni­Car­i­o­ca, no iní­cio de 2020. — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

“Tem sido bem com­pli­ca­do. O meu prob­le­ma, em toda min­ha preparação, é a questão de ser muito ansiosa. Isso me atra­pal­ha no momen­to da pro­va”, disse, acres­cen­tan­do que “no Enem 2020, eu acred­i­to que fui com uma base de con­teú­do boa, mas min­ha ansiedade me atra­pal­hou muito. Meu psi­cológi­co atra­pal­hou”.

A estu­dante de Cocal dos Alves (PI) bus­cou, então, trata­men­tos que a aju­dasse a lidar com a ansiedade e acred­i­ta que está mais prepara­da este ano. “O Enem virou, para mim, uma grande opor­tu­nidade de mudar as coisas, mudar min­ha vida. É como eu pos­so ter a pos­si­bil­i­dade de mudar as coisas tam­bém para min­ha família. Virou algo muito além da pro­va”.

O fato de já con­hecer como é a pro­va é uma van­tagem, segun­do o téc­ni­co em infor­máti­ca Franklyn Pin­heiro, 29 anos de idade, do Rio de Janeiro. No Enem 2020, ele par­ticipou da primeira apli­cação no for­ma­to dig­i­tal. Ele tin­ha muitas dúvi­das e se sur­preen­deu, por exem­p­lo, com o fato da pro­va de redação ser fei­ta em papel. Ele havia se prepara­do para dig­i­tar o tex­to no com­puta­dor.

“Estou ten­tan­do de novo para ver se con­si­go uma nota mais alta”, disse o estu­dante que, com o Enem, pre­tende cur­sar ciên­cias da com­putação. Na reta final, ele usa a inter­net para estu­dar e para refaz­er provas de anos ante­ri­ores do Enem.

Pin­heiro está inscrito nova­mente na modal­i­dade dig­i­tal. “A difer­ença do Enem no papel é que não pre­cisa pin­tar as bolin­has [do cartão de respostas], ficou mais fácil. No dig­i­tal, você ape­nas cli­ca na respos­ta cor­re­ta”.

Veteranos do Enem

De acor­do com dados do Insti­tu­to Nacional de Estu­dos e Pesquisas Edu­ca­cionais Aní­sio Teix­eira (Inep), a por­cent­agem de estu­dantes que fazem o Enem mais de uma vez vem cain­do ao lon­go dos anos.

Em 2014, do total de inscritos con­fir­ma­dos no Enem, 16% estavam fazen­do o Enem pela primeira vez, o que sig­nifi­ca que 84% já tin­ham feito a pro­va ante­ri­or­mente. Em 2019, a por­cent­agem de novatos subiu para 47%, o que mostra que a por­cent­agem daque­les que estavam fazen­do as provas pelo menos pela segun­da vez caiu para 53%.

Os dados foram divul­ga­dos em out­ubro de 2019. Na época, o Inep expli­cou que os números mostram que está aumen­tan­do a par­tic­i­pação de novatos. Um dos motivos, segun­do a autar­quia, é a mudança nas regras da isenção do paga­men­to da inscrição, que ocor­reu em 2017. Des­de 2018, os par­tic­i­pantes pre­cisam jus­ti­ficar a ausên­cia na edição ante­ri­or para estarem aptos a pedir uma nova isenção. Aque­les que não têm a jus­ti­fica­ti­va acei­ta, pre­cisam pagar a taxa, que atual­mente é R$ 85.

Excep­cional­mente em 2021, por causa da pan­demia da covid-19, uma decisão do Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF) der­rubou a neces­si­dade de jus­ti­fica­ti­va. O STF enten­deu que a exigên­cia de com­pro­vação doc­u­men­tal para os ausentes vio­la diver­sos pre­ceitos fun­da­men­tais, entre eles o do aces­so à edu­cação e o de errad­i­cação da pobreza. Além dis­so, a obri­gação impos­ta pelo edi­tal penal­iza os estu­dantes que fiz­er­am a “difí­cil escol­ha” de fal­tar às provas para aten­der às recomen­dações das autori­dades san­itárias de evi­tar aglom­er­ações.

O exame de 2020, real­iza­do em meio à pan­demia, reg­istrou abstenção recorde de par­tic­i­pantes. Mais da metade dos inscritos não com­pare­ceu a nen­hum dia de pro­va. Já o Enem de 2021 teve que­da no número total de inscritos em relação a exam­es ante­ri­ores. De acor­do com o Inep, são mais de 3 mil­hões de inscritos con­fir­ma­dos. Em 2020, foram 5,8 mil­hões de inscritos.

Foco no Enem

No começo deste ano, Sue­len Car­val­ho, de 23 anos de idade, foi uma das primeiras a chegar à Uni­ver­si­dade do Esta­do do Rio de Janeiro (Uerj), local em que fez o Enem 2020, para evi­tar aglom­er­ações no trans­porte públi­co e se pro­te­ger da covid-19. A estu­dante disse na época à Agên­cia Brasil que, ape­sar de con­sid­er­ar arrisca­do, foi faz­er a pro­va porque temia não con­seguir isenção nova­mente na edição de 2021.

“A pro­va para mim rep­re­sen­ta uma opor­tu­nidade”, disse a estu­dante do Rio de Janeiro. Sue­len disse que con­seguiu se preparar ao lon­go do ano mel­hor do que con­seguiu em 2020. Ain­da assim, foram muitas as difi­cul­dades. Ela pre­cisou con­cil­iar tra­bal­ho e estu­do. Ela entra no tra­bal­ho às 8h, e só quan­do sai começa a estu­dar para as provas. As aulas vão até as 22h. Mas só depois desse horário, ela disse que con­segue faz­er exer­cí­cios para fixar o con­teú­do.

A estu­dante quer cur­sar med­i­c­i­na. “Eu estou focan­do em pas­sar, porque eu sei que só vou ter uma real­i­dade difer­ente através da edu­cação. A min­ha sociedade, o país em que eu vivo, e o meu lugar como mul­her negra e fave­la­da, e eu quero muito uma real­i­dade difer­ente dis­so. Eu quero ter con­hec­i­men­to, ocu­par out­ros lugares e quero abrir cam­in­hos para mul­heres como eu terem aces­so à uni­ver­si­dade”, disse.

Repro­dução: Entra­da dos can­didatos para o segun­do dia de pro­va do primeiro Exame Nacional do Ensi­no Médio (Enem) dig­i­tal, na Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca-PUC, no Rio de Janeiro, no iní­cio de 2020 — Tânia Rêgo/Agência Brasil

Sonho realizado

Em 2021, Ser­gio Manoel Pas­sos Car­doso, 18 anos de idade, pode des­cansar dos estu­dos. Ele não vai faz­er o segun­do Enem do ano, pois con­quis­tou uma vaga em odon­tolo­gia na Uni­ver­si­dade Estad­ual do Piauí Par­naí­ba (Uespi), pelo Sis­tema de Seleção Unifi­ca­da (Sisu). O ex-estu­dante da Esco­la Augustin­ho Brandão, em Cocal dos Alves (PI), con­ver­sou com a Agên­cia Brasil no iní­cio do ano, antes de prestar o Enem 2020.

Na época, disse que esta­va ten­do aulas pelo What­sApp e com uma série de difi­cul­dades nos estu­dos.

O son­ho de ingres­sar no ensi­no supe­ri­or não era ape­nas dele, mas tam­bém do pai, que fale­ceu este ano, víti­ma de câncer. “Pas­sei por um ano bas­tante con­tur­ba­do, com a morte do meu pai, e ele sem­pre quis me ver pas­san­do em uma uni­ver­si­dade, prin­ci­pal­mente em odon­tolo­gia. E con­segui faz­er com que ele visse isso acon­te­cen­do”, disse o estu­dante.

As aulas do primeiro perío­do da Uespi começam no próx­i­mo dia 9. Aos demais estu­dantes, ele deixa uma men­sagem de esper­ança: “Bus­car sem­pre se man­ter foca­do, e pen­sar que ape­sar das difi­cul­dades, tudo é pos­sív­el”.

Edição: Fer­nan­do Fra­ga

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