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AGU: mais de 57 mil menores receberam vacina errada contra covid-19

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Equívocos ocorreram em todas as unidades federativas


Pub­li­ca­do em 19/01/2022 — 13:10 Por Felipe Pontes – Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

Em meio à cam­pan­ha de vaci­nação con­tra a covid-19, 57.147 cri­anças e ado­les­centes em todo o país foram imu­niza­dos com dos­es para adul­tos não autor­izadas para apli­cação em menores de 18 anos pela Agên­cia Nacional de Vig­ilân­cia San­itária (Anvisa). Os equívo­cos ocor­reram em todas as unidades fed­er­a­ti­vas.

Os dados con­stam em man­i­fes­tação envi­a­da nes­ta terça-feira (18) ao min­istro Ricar­do Lewandows­ki, do Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF), pelo advo­ga­do-Ger­al da União, Bruno Bian­co. Segun­do ele, os números foram reti­ra­dos da Rede Nacional de Dados da Saúde, na qual esta­dos e municí­pios são obri­ga­dos a reg­is­trar infor­mações inseri­das em todos os cartões de vaci­nação.

Ain­da de acor­do com Bian­co, o Min­istério da Saúde envi­ou dois ofí­cios aos esta­dos e ao Dis­tri­to Fed­er­al, em setem­bro e em novem­bro do ano pas­sa­do, ques­tio­nan­do os dados sobre a apli­cação de vaci­nas não aprovadas pela Anvisa em menores de 18 anos e tam­bém se have­ria erros na inserção das infor­mações que pudessem ser reti­fi­cadas, mas não obteve respostas.

Em nome da União, Bian­co pediu a Lewandows­ki que con­ce­da uma lim­i­nar (decisão pro­visória) para obri­gar esta­dos e municí­pios a inter­romper qual­quer cam­pan­ha de vaci­nação de cri­anças e ado­les­centes que este­ja em desacor­do com as dire­trizes da Anvisa e do Plano Nacional de Opera­cional­iza­ção da Vaci­nação con­tra a Covid-19.

A AGU argu­men­ta que, emb­o­ra as infor­mações con­ti­das na Rede Nacional de Dados da Saúde neces­sitem de apu­ração con­jun­ta com os esta­dos para con­fir­mação ou even­tu­al cor­reção, os números já con­fig­u­ram indí­cios sufi­cientes para jus­ti­ficar a medi­da caute­lar, pois “podem vir a rev­e­lar, nas hipóte­ses mais extremas, casos de neg­ligên­cia gravís­si­ma na apli­cação de vaci­nas”.

Bian­co pede ain­da que Lewandows­ki ordene esta­dos e municí­pios a iden­ti­fi­carem todas as cri­anças e ado­les­centes que rece­ber­am vaci­nas equiv­o­cada­mente, para que sejam inseri­das no sis­tema de far­ma­covig­ilân­cia e ten­ham iden­ti­fi­ca­dos pos­síveis efeitos adver­sos. O pro­ced­i­men­to é uma recomen­dação da Anvisa.

Lewandows­ki é rela­tor de uma ação de des­cumpri­men­to de pre­ceito fun­da­men­to (ADPF) aber­ta pela Rede ain­da em 2020, rel­a­ti­va a atra­sos na con­tratação de vaci­nas pelo gov­er­no fed­er­al. Na práti­ca, a ação se tornou um meio de fis­cal­iza­ção sobre o anda­men­to da vaci­nação no país, após ter rece­bido suces­sivos pedi­dos de lim­i­nar sobre o tema.

Faixas etárias

De acor­do com tabela extraí­da da Rede Nacional de Dados da Saúde e que con­s­ta na man­i­fes­tação da AGU, 2,4 mil cri­anças de até 4 anos foram vaci­nadas con­tra a covid-19 – ain­da que a imu­niza­ção nes­sa faixa etária não ten­ha nen­hum respal­do da Anvisa ou do próprio Plano Nacional de Opera­cional­iza­ção da Vaci­nação.

Tabela

Repro­dução: Tabela — ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO

Além dis­so, 4,4 mil cri­anças entre 5 e 11 anos teri­am rece­bido vaci­nas de out­ros fab­ri­cantes que não a Pfizer/BioNtech, úni­ca aprova­da pela Anvisa para apli­cação nes­sa faixa etária.

A tabela tam­bém apon­ta a apli­cação da vaci­na da Pfiz­er, mas em sua ver­são para adul­tos, em 18,8 mil cri­anças entre 5 a 11 anos no lugar de dos­es pediátri­c­as aprovadas pela Anvisa para essa faixa etária e cujas primeiras remes­sas só chegaram ao Brasil este ano.

No caso de ado­les­centes entre 12 e 17 anos, 29,3 mil rece­ber­am dos­es de far­ma­cêu­ti­cas – AstraZeneca, Sino­vac ou Janssen – que ain­da não rece­ber­am autor­iza­ção da Anvisa para apli­cação nes­sa faixa etária.

Entre os casos mais graves, a AGU cita a apli­cação de dos­es para adul­tos e tam­bém já ven­ci­das da vaci­na da Pfiz­er em 49 cri­anças no municí­pio de Luce­na, na Paraí­ba. Segun­do o órgão, o Min­istério da Saúde apu­ra o caso para even­tu­al respon­s­abi­liza­ção crim­i­nal.

Vacina

A Anvisa aprovou em dezem­bro o uso da vaci­na pro­duzi­da pelo con­sór­cio Pfiz­er-BioN­Tech, a Comir­naty, con­tra a covid-19 em cri­anças com idade de 5 a 11 anos. De acor­do com o ger­ente ger­al de Medica­men­tos da Anvisa, Gus­ta­vo Mendes, com base na total­i­dade de evidên­cias cien­tí­fi­cas disponíveis, o imu­nizante, quan­do admin­istra­do no esque­ma de duas dos­es, pode ser efi­caz na pre­venção de doenças graves, poten­cial­mente fatais e de condições que podem ser cau­sadas pelo SARS-CoV­‑2. As anális­es con­taram com a par­tic­i­pação de diver­sos espe­cial­is­tas, tan­to da Anvisa como de out­ras enti­dades.

O Con­sel­ho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) man­i­festou apoio à aprovação do imu­nizante para esse públi­co. Em nota, o pres­i­dente da enti­dade, Car­los Lula, desta­ca que a dose já foi aprova­da para a faixa etária de 5 a 11 anos pela Agên­cia Europeia de Medica­men­tos (EMA), pela Agên­cia Amer­i­cana Food and Drug Admin­is­tra­tion (FDA) e pelo gov­er­no de Israel.

Pesquisadores da Sociedade Brasileira de Imu­niza­ções (SBIm) e da Sociedade Brasileira de Pedi­a­tria (SBP) ouvi­dos pela Agên­cia Brasil reforçam que as chances de uma cri­ança ter quadros graves de covid-19 super­am qual­quer risco de even­to adver­so rela­ciona­do à vaci­na da Pfiz­er. O imu­nizante já está em uso em cri­anças de 5 a 11 anos em 30 país­es e cer­ca de 10 mil­hões de dos­es foram apli­cadas somente nos Esta­dos Unidos e no Canadá.

Edição: Paula Labois­sière

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