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Com medo, família de Moïse pode receber concessão de outro quiosque

Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Prefeitura do Rio havia oferecido o quiosque Tropicália


Pub­li­ca­do em 12/02/2022 — 13:37 Por Viní­cius Lis­boa — repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

A família do con­golês Moïse Kabagambe poderá rece­ber a con­cessão de out­ro quiosque no Rio de Janeiro, segun­do a Sec­re­taria Munic­i­pal de Fazen­da e Plane­ja­men­to. O municí­pio havia ofer­e­ci­do ini­cial­mente a con­cessão do quiosque Trop­icália, onde o jovem foi espan­ca­do e mor­to no últi­mo dia 24 de janeiro, na Bar­ra da Tiju­ca, mas os famil­iares do rapaz de 24 anos temem por sua segu­rança no local.

Em entre­vista à Rádio Nacional do Rio de Janeiro veic­u­la­da ontem (11), o pres­i­dente da Comis­são de Dire­itos Humanos e Assistên­cia Judi­ciária da sec­cional flu­mi­nense da Ordem dos Advo­ga­dos do Brasil, Álvaro Quin­tão, disse que a mãe e os irmãos de Moïse não se sen­tem seguros em assumir o quiosque onde ocor­reu o crime. O órgão tem acom­pan­hado a família do jovem con­golês e pro­moveu uma man­i­fes­tação na últi­ma terça-feira (8) para pres­sion­ar pela solução do caso e repu­di­ar a bru­tal­i­dade e o racis­mo envolvi­dos no homicí­dio.

A família de Moïse já havia denun­ci­a­do que sofreu intim­i­dações por parte de poli­ci­ais mil­itares. Quin­tão expli­cou que a inse­gu­rança tam­bém se dá porque os ocu­pantes do quiosque teri­am man­i­fes­ta­do que não vão entregá-lo e pode haver mais envolvi­dos no crime ain­da não iden­ti­fi­ca­dos.

A Sec­re­taria de Esta­do de Polí­cia Mil­i­tar infor­mou, no iní­cio des­ta sem­ana, que abriu uma inves­ti­gação para apu­rar denún­cias de intim­i­dações à família de Moïse. A inves­ti­gação está sendo con­duzi­da pela 2ª Del­e­ga­cia de Polí­cia Judi­ciária (DPJM).

Em nota, a Prefeitu­ra do Rio disse que está em con­ta­to com a família do jovem con­golês e dis­cute a mel­hor solução para eles. “Não vemos imped­i­men­to para que assumam out­ro quiosque, se assim dese­jarem, poden­do ser no Recreio, Par­que Madureira ou até mes­mo no Cais do Val­on­go”, disse a prefeitu­ra, que afir­mou que os detal­h­es estão sendo dis­cu­ti­dos em con­jun­to com a Orla Rio, con­ces­sionária que admin­is­tra os quiosques.

Além da con­cessão à família de Moïse, a prefeitu­ra havia anun­ci­a­do no últi­mo fim de sem­ana que o quiosque seria trans­for­ma­do em um memo­r­i­al e pon­to de trans­mis­são da cul­tura de país­es africanos.

O espan­ca­men­to de Moïse foi reg­istra­do pelas câmeras de segu­rança do quiosque. Nas ima­gens, é pos­sív­el ver que o con­golês foi der­ruba­do no chão por um homem e, na sequên­cia, rece­beu vários golpes dos agres­sores, que con­tin­uaram baten­do mes­mo depois dele ter sido imo­bi­liza­do e estar desacor­da­do.

Três home­ns que par­tic­i­param das agressões a Moïse foram pre­sos tem­po­rari­a­mente e tiver­am suas prisões con­fir­madas em audiên­cia de custó­dia. São eles Fábio Pirineus da Sil­va, o Belo; Ale­son Cris­tiano de Oliveira Fon­se­ca, o Dezen­ove, e Bren­don Alexan­der Luz da Sil­va, o Tota.

Ao se reunir com a família do jovem na últi­ma quin­ta-feira, o pro­mo­tor de Justiça respon­sáv­el pelo caso, Alexan­dre Muri­lo Graça, disse que a apu­ração do crime não ter­mi­nou com a prisão dos três home­ns que foram fla­gra­dos. De acor­do com ele, even­tu­ais crimes cor­re­latos tam­bém serão esclare­ci­dos.

“Não podemos ante­ci­par o que será feito para não prej­u­dicar a inves­ti­gação. Mas todos os fatos rela­ciona­dos ou cor­re­latos ao homicí­dio serão inves­ti­ga­dos e esclare­ci­dos. Esta­mos diante de um crime bár­baro, dare­mos uma respos­ta. O Min­istério Públi­co está tra­bal­han­do com toda a sua estru­tu­ra para levar essas pes­soas a jul­ga­men­to e para prestar auxílio às víti­mas”, disse.

Edição: Kel­ly Oliveira

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