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Pesquisa inédita pode ajudar na recuperação de florestas

Repro­dução: © Val­ter Campanato/Agência Brasil

Novas técnicas podem potencializar a captura de carbono da atmosfera


Pub­li­ca­do em 15/04/2022 — 12:37 Por Heloísa Cristal­do — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

Pesquisadores do Insti­tu­to Tec­nológi­co Vale (ITV), em Belém, iden­ti­ficaram mar­cadores mol­e­c­u­lares capazes de quan­tificar genes e pro­teí­nas que favore­cem práti­cas de mane­jo e aumen­tam o estoque de car­bono no solo. A pesquisa inédi­ta pode aju­dar na recu­per­ação de flo­restas e poten­cializar a cap­tura de car­bono da atmos­fera.

O estu­do Genes e pro­teí­nas rela­ciona­dos a ciclagem de nutri­entes, fix­ação de car­bono e saúde do solo teve iní­cio em 2016 e se divide em três ver­tentes: mapea­men­to dos solos nat­u­rais, acom­pan­hamen­to da recu­per­ação de áreas degradadas e avali­ação da qual­i­dade do solo em pro­je­tos de reflo­resta­men­to e sis­temas agroflo­restais. Nes­ta últi­ma eta­pa, o lev­an­ta­men­to está asso­ci­a­do à meta de recu­per­ar mais 500 mil hectares de flo­restas no Brasil até 2030.

Os pesquisadores recol­hem amostras do solo e, no lab­o­ratório, con­seguem mapear o DNA e as pro­teí­nas exis­tentes. Segun­do o coor­de­nador do estu­do, Rafael Val­adares, já foram feitas pesquisas em solos nat­u­rais, sis­temas agroflo­restais e impacta­dos pela min­er­ação. O estu­do teve iní­cio na Flo­res­ta Amazôni­ca, com análise do solo na Ser­ra de Cara­jás, área de atu­ação da Vale, prin­ci­pal­mente nos cam­pos rupestres fer­rug­i­nosos e na Flo­res­ta Nacional de Cara­jás.

“Fize­mos uma grande bib­liote­ca de genes e pro­teí­nas dessas áreas nat­u­rais. Em um segun­do momen­to, con­hecen­do o que existe de bio­di­ver­si­dade micro­biana, rotas bio­quími­cas de funções nos sis­temas nat­u­rais, avançamos para áreas de pro­je­tos de recu­per­ação de áreas degradadas. Tam­bém na Flo­res­ta Amazôni­ca, nas áreas recu­per­adas pela Vale, onde con­seguimos demon­strar o avanço da recu­per­ação do pon­to de vista bio­quími­co do solo — que é o coração da flo­res­ta”, expli­cou à Agên­cia Brasil.

De acor­do com Val­adares, a ter­ceira eta­pa foi real­iza­da em um pro­je­to pilo­to em Lin­hares, no Espíri­to San­to, na Reser­va Nat­ur­al Vale e entorno, onde são anal­isa­dos difer­entes sis­temas pro­du­tivos.

“É avali­a­da a capaci­dade de agrossis­temas flo­restais, que são sis­temas mais con­ser­v­a­tivos que usam do plan­tio de frutíferas, asso­ci­a­dos com espé­cies arbóreas. Avaliamos em Lin­hares a capaci­dade de sis­temas agroflo­restais de esto­car mais car­bono e se o sis­tema agroflo­re­stal é um solo mais saudáv­el ou não. O obje­ti­vo é ver qual sis­tema está con­tribuin­do para um solo mais saudáv­el”, disse.

O estu­do é dis­sem­i­na­do a pro­du­tores rurais para que pos­sam com­preen­der mel­hor o solo em que atu­am. “De posse das infor­mações do que está fun­cio­nan­do bem ou mal no solo, o pro­du­tor pode dire­cionar as téc­ni­cas de mane­jo para cor­ri­gir o que está indo erra­do. Da mes­ma maneira, podemos com­parar difer­entes sis­temas de cul­ti­vo, difer­entes plan­tios e indicar qual sis­tema está con­tribuin­do para mel­ho­ria ger­al do solo e qual está degradan­do”, argu­men­tou.

Solos

Nes­ta sex­ta-feira, 15 de abril, é comem­o­ra­do o Dia Nacional da Con­ser­vação do Solo. Dados do Painel Inter­gov­er­na­men­tal para Mudanças do Cli­ma das Nações Unidas (IPCC) mostram que o solo responde por cer­ca de 70% do car­bono esto­ca­do na ter­ra na for­ma de matéria orgâni­ca. Isto rep­re­sen­ta quase três vezes mais do que o armazena­do na veg­e­tação e cer­ca do dobro em com­para­ção com a atmos­fera.

Atual­mente, de acor­do com Orga­ni­za­ção das Nações Unidas para a Ali­men­tação e a Agri­cul­tura (FAO), 33% dos solos do mun­do e 52% dos solos agrí­co­las estão degrada­dos, prin­ci­pal­mente por erosão, com­pactação e con­t­a­m­i­nação. Segun­do o espe­cial­ista em Solos e Micro­bi­olo­gia da Uni­ver­si­dade Fed­er­al de Viçosa (UFV), Igor Assis, o solo é fun­da­men­tal para a vida na Ter­ra.

“O solo tem várias funções, como pro­dução de ali­men­tos, fibras e com­bustíveis. Mas ain­da como seque­stro de car­bono, purifi­cação de água — a água que sai da nascente geral­mente é limpa porque o solo faz essa purifi­cação; degradação de con­t­a­m­i­nantes — muitos que acabam sendo apor­ta­dos no solo, a própria micro­bio­ta degra­da ess­es con­t­a­m­i­nantes”, expli­cou.

Assis ressaltou ain­da a importân­cia do solo na reg­u­lação de enchentes. “Quan­do o solo é bem mane­ja­do, estru­tu­ra­do, ele armazena uma quan­ti­dade gigan­tesca de água das chu­vas. Quan­do o solo está degrada­do, fica com­pacta­do e não con­segue armazenar essa água de chu­va, que aca­ba indo toda para os rios e aí acon­te­cem as grandes enchentes que a gente vê atual­mente. O solo tem a função de ser fonte de recur­sos genéti­cos e far­ma­cêu­ti­cos, que tem uso dire­to pela pop­u­lação no nos­so dia a dia”, disse.

Para o pro­fes­sor, a edu­cação a respeito do solo é essen­cial para a sobre­vivên­cia da espé­cie humana.

“Temos um cresci­men­to expo­nen­cial da pop­u­lação mundi­al e vem aumen­tan­do muito a quan­ti­dade de solos degrada­dos. Então, esta­mos indo para uma con­ta que não fecha: a pop­u­lação crescen­do, pre­cisamos pro­duzir mais ali­men­tos que os solos nos fornecem e eles estão sendo degrada­dos e num futuro não muito dis­tante, muitos dess­es serviços vão ser reduzi­dos dras­ti­ca­mente e isso afe­ta dire­ta­mente a nos­sa vida”, afir­mou.

Baixo carbono

Out­ro pon­to em destaque é a recente dis­cussão sobre econo­mia de baixo car­bono, des­ti­na­da a con­ter as emis­sões de gas­es de efeito est­u­fa. O assun­to tem gan­hado cada vez mais espaço pelo mun­do

Segun­do o pro­fes­sor, solos bem mane­ja­dos são uma for­ma efi­caz de con­ser­var car­bono na for­ma orgâni­ca, dimin­uin­do a emis­são de gas­es do efeito est­u­fa e con­tribuin­do para o mer­ca­do de crédi­to de car­bono.

“A questão de mudanças climáti­cas, que está rela­ciona­da com a econo­mia de baixo car­bono tin­ha ini­cial­mente a ideia de diminuir a emis­são de CO2 para atmos­fera e hoje a gente tra­bal­ha com duas áreas rela­cionadas a isso: que é diminuir a emis­são, como seques­trar, drenar o car­bono que está na atmos­fera. E o úni­co com­po­nente que a gente con­segue mane­jar para faz­er isso de for­ma mais fácil é o solo”, desta­cou.

Nesse sen­ti­do, para pre­ci­ficar o mer­ca­do, país­es têm cri­a­do o chama­do mer­ca­do de car­bono, um mecan­is­mo que per­mite a ven­da de crédi­tos por nações que limi­tam as emis­sões dess­es gas­es para nações com maiores difi­cul­dades de cumprir as metas de redução.

No Brasil, o tema tem sido dis­cu­ti­do na Câmara dos Dep­uta­dos com o PL 528/2021, que insti­tui o Mer­ca­do Brasileiro de Redução de Emis­sões (MBRE). A pro­pos­ta quer asse­gu­rar a diminuição da emis­são de gas­es do efeito est­u­fa, fre­an­do o aque­c­i­men­to glob­al.

Edição: Maria Clau­dia

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