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Sete fotógrafas judias mostram São Paulo e suas contradições

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Exposição no Museu Judaico celebra aniversário da capital paulista


Pub­li­ca­do em 21/01/2023 — 10:13 Por Elaine Patri­cia Cruz – Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Em 1970, Clau­dia Andu­jar pas­sa­va pela Rua Dire­i­ta, no cen­tro de São Paulo, quan­do decid­iu quase encostar sua máquina fotográ­fi­ca no chão para retratar as pes­soas que pas­savam por ali. Fotografadas desse ângu­lo, de baixo para cima, elas têm a imagem agi­gan­ta­da no quadro, o que faz com que se com­parem em taman­ho aos arran­ha-céus que já eram comuns na cidade naque­la época.

O retra­to feito por Clau­dia Andu­jar é ape­nas uma das 81 fotografias incluí­das na exposição Mod­er­nas! São Paulo a Imagem Vista por Elas, que está em car­taz no Museu Judaico, no cen­tro da cap­i­tal paulista, até o dia 5 de março. “Essas fotos ela fazia quase tocan­do no chão. Ela quase deita­va no chão para fazê-las”, disse a coor­de­nado­ra de Pro­je­tos no Museu Judaico, Mar­i­ana Loren­zi, em entre­vista à Agên­cia Brasil.

A exposição, que poderá ser vis­i­ta­da gra­tuita­mente no aniver­sário da cidade, comem­o­ra­do em 25 de janeiro, apre­sen­ta uma São Paulo ain­da em trans­for­mação. Retrata­da por sete mul­heres, todas imi­grantes judias que fugi­ram do nazis­mo, a São Paulo que aparece nas fotos é a dos con­trastes entre o pre­to e o bran­co, entre a luz e a som­bra, entre o anti­go e o mod­er­no, entre a provín­cia e a metró­pole, entre a demolição e a con­strução. A curado­ria da mostra é de Ilana Feld­man e Priscy­la Gomes. A cap­i­tal paulista com­ple­ta 469 anos.

Mostra Modernas! São Paulo vista por elas, com curadoria de Ilana Feldman e Priscyla Gomes, em exposição no Museu Judaico de São Paulo.
Repro­dução: O olhar dessas mul­heres mostra São Paulo por um perío­do de mais de 50 anos — Rove­na Rosa/Agência Brasil

As ima­gens dessa São Paulo abrindo-se para a mod­ernidade foram feitas por Alice Brill, Clau­dia Andu­jar, Gertrudes Altschul, Hilde­gard Rosen­thal, Lily Svern­er, Madale­na Schwartz e Ste­fa­nia Brill. Com exceção de Hilde­gard Rosen­thal, que era casa­da com um judeu, todas eram judias.

“Elas vier­am da Europa, de vários lugares como Ale­man­ha, Suíça e Hun­gria”, con­tou Mar­i­ana. “Quan­do elas começam a sofr­er perseguição, veem todos os seus dire­itos sendo reti­ra­dos e enten­dem que pre­cisam fugir de lá. Nem todas vêm dire­to para São Paulo, mas, em algum momen­to, elas se esta­b­ele­cem aqui, onde começam uma nova vida em uma cidade que é muito difer­ente de onde elas estavam, ain­da muito provin­ciana, mas que esta­va em um desen­volvi­men­to frenéti­co.”

O olhar dessas mul­heres mostra São Paulo por um perío­do de mais de 50 anos, com cenas que apre­sen­tam não só a cidade dos arran­ha-céus ou das mul­ti­dões, mas tam­bém a cidade dos ângu­los diver­sos, da solidão e prin­ci­pal­mente da chu­va.

“Essas fotó­grafas con­seguiam olhar um pouco para coisas mais cotid­i­anas, ess­es momen­tos de pausa, de des­can­so, de humor, de pre­sença das cri­anças na cidade”, desta­cou Mar­i­ana.

“O que as pes­soas vão ver aqui é o começo do que hoje é São Paulo. A maior parte das fotos foi fei­ta nos anos 50, mas tem fotos dos anos 40 até os anos 90. Quem tem um olhar um pouco mais aten­to, con­segue ver a lin­ha dessa cidade em trans­for­mação. Vai tam­bém ver per­son­agens icôni­cos da cidade como o engrax­ate, o meni­no das notí­cias, e os con­trastes entre a cidade que está pul­san­do pelo desen­volvi­men­to, mas que já enfrenta muitos prob­le­mas soci­ais, desigual­dades e con­fli­tos”, acres­cen­tou.

Mostra Modernas! São Paulo vista por elas, com curadoria de Ilana Feldman e Priscyla Gomes, em exposição no Museu Judaico de São Paulo.
Repro­dução: Os vis­i­tantes poderão ain­da brin­car com essas ima­gens, pro­duzin­do seus próprios ângu­los sobre a cidade — Rove­na Rosa/Agência Brasil

Os vis­i­tantes poderão ain­da brin­car com essas ima­gens, pro­duzin­do seus próprios ângu­los sobre a cidade. “Esta­mos pro­pon­do esse exer­cí­cio de tirar foto, mas com um frame”, expli­cou Jon­nathan Chilman, arte-edu­cador do museu. Segu­ran­do um pedaço de papel, vaza­do no meio, ele demon­stra como par­tic­i­par da pro­pos­ta: bas­ta segu­rar o papel em frente a uma das fotografias expostas e, com o seu celu­lar, tirar uma foto da imagem que aparece no cen­tro da fol­ha, de um ângu­lo que a pes­soa con­sidere inter­es­sante.

“Den­tre as peças da exposição, a gente escol­he a que chama mais a atenção e os vis­i­tantes, por con­ta própria, recor­tam, den­tro do recorte feito pelas próprias artis­tas, ou seja, do que chama mais a atenção den­tro da foto durante o proces­so de visi­ta à exposição. Algu­mas vezes, as pes­soas vão vir aqui e ter uma lem­brança do pas­sa­do, do que viver­am naque­le momen­to”, disse Chilman.

Catálogo

No próx­i­mo dia 28, às 16h, o Museu Judaico lançará o catál­o­go que reúne as fotos que fazem parte da exposição. Na ocasião, haverá um bate-papo com as curado­ras da mostra.

Aos sába­dos, o Museu Judaico não cobra entra­da. Mais infor­mações sobre a exposição e tam­bém sobre o museu podem ser obti­das no site https://museujudaicosp.org.br/exposicoes/modernas-sao-paulo-vista-por-elas/

Edição: Nádia Fran­co

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