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Heloisa Buarque de Hollanda é eleita imortal da ABL

Repro­dução: @Agência Brasil / EBC

Escritora e crítica cultural vai ocupar a cadeira de Nélida Piñon


Pub­li­ca­do em 20/04/2023 — 21:49 Por Dou­glas Cor­rêa — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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A escrito­ra Heloísa Buar­que de Hol­lan­da foi elei­ta nes­ta quin­ta-feira (20) para a Acad­e­mia Brasileira de Letras (ABL) e vai ocu­par a cadeira 30, vaga des­de a morte da escrito­ra Nél­i­da Piñon, em dezem­bro  pas­sa­do. A escrito­ra e críti­ca cul­tur­al pas­sa a ser a déci­ma mul­her elei­ta para a ABL.

A votação que elegeu a paulista com 34 dos 37 votos foi a primeira da Acad­e­mia fei­ta por urna eletrôni­ca. O pin­tor e escritor Oscar Araripe teve 2 votos e hou­ve um voto em bran­co.

“Esse atu­al pro­je­to de aber­tu­ra da Acad­e­mia me fasci­na. E isso não é nem o começo. Tem que ter mul­her, negro, índio. Porque são exce­lentes tam­bém. Isso é o Brasil, a democ­ra­cia. Eu estou muito feliz de chegar nesse  momen­to na Acad­e­mia, com esse pro­je­to de ren­o­vação, aos 84 anos”, desta­cou Heloísa, em nota da ABL.

A cadeira 30 tem como fun­dador o con­tista Pedro Rabe­lo, como patrono o jor­nal­ista e romancista Pardal Mal­let, e teve como tit­u­lares o advo­ga­do Herá­cli­to Graça, o médi­co Antônio Aus­tregési­lo e o ensaís­ta, filól­o­go e lex­i­có­grafo Aurélio Buar­que, além de Nél­i­da Piñon.

Feminista

Uma das prin­ci­pais vozes do fem­i­nis­mo brasileiro, con­sid­er­a­da a maior int­elec­tu­al públi­ca do país, Heloísa Buar­que de Hol­lan­da é for­ma­da em letras clás­si­cas pela Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca (PUC-Rio), com mestra­do e doutora­do em lit­er­atu­ra brasileira na UFRJ e pós-doutora­do em soci­olo­gia da cul­tura na Uni­ver­si­dade de Colum­bia, em Nova York. É dire­to­ra do Pro­gra­ma Avança­do de Cul­tura Con­tem­porânea (PACC-Letras/UFRJ), onde coor­de­na o Lab­o­ratório de Tec­nolo­gias Soci­ais, do pro­je­to Uni­ver­si­dade das Que­bradas, e o Fórum M, espaço aber­to para o debate sobre a questão da mul­her na uni­ver­si­dade.

Seu cam­po de pesquisa priv­i­le­gia a relação entre cul­tura e desen­volvi­men­to, área em que se tornou refer­ên­cia, ded­i­can­do-se às áreas de poe­sia, relações de gênero e étni­cas, cul­turas mar­gin­al­izadas e cul­tura dig­i­tal. Nos últi­mos anos, vem tra­bal­han­do com o foco nas pro­duções das per­ife­rias das grandes cidades, no fem­i­nis­mo, bem como no impacto das novas tec­nolo­gias dig­i­tais e da inter­net na pro­dução e no con­sumo cul­tur­ais.

Entre os livros pub­li­ca­dos, desta­ca-se a históri­ca coletânea “26 Poet­as Hoje”, de 1976, que rev­el­ou uma ger­ação de poet­as “mar­gin­ais” que entrou para a história da lit­er­atu­ra brasileira, como Ana Cristi­na Cesar, Caca­so e Cha­cal. Essa antolo­gia é con­sid­er­a­da um divi­sor de águas entre uma poe­sia canôni­ca e uma poe­sia con­tem­porânea e per­for­máti­ca. Segun­do a auto­ra, o livro cau­sou furor na época.

“Em tem­pos de cen­sura e de repressão, ple­na ditadu­ra, no ano de 1976, em uma época bati­za­da por Zuenir Ven­tu­ra de vazio cul­tur­al, publiquei uma antolo­gia que cau­sou furor, avaliou Heloísa em nota.

A ABL desta­ca que livro 26 Poet­as Hoje trazia a atmos­fera colo­quial e irrev­er­ente que mar­caria a déca­da de 1970, tam­bém chama­da de ger­ação mimeó­grafo ou ger­ação mar­gin­al. Eram poet­as que estavam à margem do cir­cuito das grandes edi­toras e que pro­duzi­am seus livros de maneira arte­sanal, em casa, em peque­nas tira­gens ven­di­das em cen­tros cul­tur­ais, bares e nas por­tas dos cin­e­mas. O livro foi uma respos­ta dire­ta aos anos de chum­bo e se tornou um clás­si­co da poe­sia brasileira, refer­ên­cia incon­tornáv­el para escritores e leitores de poe­sia.

Heloísa Buar­que de Hol­lan­da pub­li­cou tam­bém: Macu­naí­ma, da lit­er­atu­ra ao cin­e­ma; Cul­tura e Par­tic­i­pação nos anos 60; Pós-Mod­ernismo e Políti­ca; O Fem­i­nis­mo como Críti­ca da Cul­tura; Guia Poéti­co do Rio de Janeiro; Asdrúbal Trouxe o Trom­bone: memórias de uma trupe solitária de come­di­antes que abalou os anos 70; entre out­ros.

Edição: Aline Leal

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