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Show de dança mostra cultura Iorubá e força da mulher negra

Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Espetáculo vai até o dia 28 deste mês no SESC Rio


Pub­li­ca­do em 20/05/2023 — 15:20 Por Rafael Car­doso — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Nove mul­heres negras pro­tag­on­i­zam o espetácu­lo de dança Iyame­san, que estre­ou hoje (18) no Sesc Copaca­bana, no Rio de Janeiro. O nome é inspi­ra­do em uma len­da da cul­tura Iorubá, em que uma orixá foi cor­ta­da em nove partes e se tornou mãe de nove fil­hos e de nove céus. No pal­co, as bailar­i­nas movi­men­tam cor­pos e palavras em um rit­mo har­môni­co: core­ografias são entre­laçadas com nar­ra­ti­vas de histórias pes­soais.

A pro­pos­ta é que as difer­entes indi­vid­u­al­i­dades sejam rep­re­sen­ta­ti­vas de exper­iên­cias cole­ti­vas de mul­heres negras no país. O espetácu­lo vai até o dia 28 de maio, com oito dias de apre­sen­tações.

“A gente está trazen­do as nos­sas histórias, que têm a ver com o fato de ser­mos mul­heres negras e de como con­seguimos nos rein­ven­tar a par­tir da arte. Nesse sen­ti­do, é um espetácu­lo extrema­mente políti­co”, con­ta Aline Valentin, uma das nove bailar­i­nas. “Eu sou a mais vel­ha desse elen­co. Estou nes­sa tra­jetória há 20 anos, sou pro­fes­so­ra de dança afro, pesquisado­ra, cri­ado­ra. Para mim é uma opor­tu­nidade lin­da estar aqui com uma nova ger­ação de bailar­i­nas, com difer­entes lin­gua­gens de dança negra”.

A baila­r­i­na e bacharel em dança Bel­las da Sil­veira traz para o pal­co as exper­iên­cias e os desafios que vive como mul­her trans.

Tradições Afro-brasileiras

“Os meus movi­men­tos no pal­co dizem muito sobre mim. E eu falo um pouco do meu proces­so de tran­sição como artista, como mul­her trans e pre­ta, que não tem um cor­po padrão. É um cor­po de tran­sição para o fem­i­ni­no, ain­da andrógi­no. E no pal­co eu tra­go os meus descon­for­tos. É basi­ca­mente um gri­to de liber­dade”.

O espetácu­lo é dirigi­do por Luna Leal, pesquisado­ra de dança afro e pro­du­to­ra cul­tur­al. Ela expli­ca que a ideia do espetácu­lo surgiu de uma roda de con­ver­sa sobre o poder fem­i­ni­no nas tradições afro-brasileiras.

Rio de Janeiro (RJ), 17/05/2023 - A diretora e coreógrafa Luna Leal no ensaio de Iyamesan, em cartaz no festival de dança O Corpo Negro, no Sesc Copacabana. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: Dire­to­ra e coreó­grafa Luna Leal no ensaio de Iyame­san — Foto: Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

“Tudo nasce a par­tir do que elas par­til­haram comi­go lá atrás e da reflexão sobre como as histórias delas se conec­tam. É um espetácu­lo que tem mui­ta ver­dade. Como elas trazem exper­iên­cias delas e não de out­ros per­son­agens, a emoção vai tomar con­ta”, diz Luna. “É sobre a gente poder ser pro­tag­o­nista da nos­sa própria história, con­stru­ir as nos­sas próprias nar­ra­ti­vas, que­brar algu­mas expec­ta­ti­vas padrões que as pes­soas têm de um espetácu­lo de dança afro. Tam­bém é sobre a gente con­seguir ocu­par espaços de poder”.

O espetácu­lo foi con­tem­pla­do no edi­tal Pul­sar Sesc RJ e inte­gra a ter­ceira edição do pro­je­to O Cor­po Negro, volta­do para a val­oriza­ção de artis­tas negros do país. A pro­gra­mação inclui uma var­iedade de even­tos cul­tur­ais ao lon­go do mês de maio e pas­sa por out­ras unidades do Sesc no esta­do: Petrópo­lis, Niterói, Nova Fribur­go e Nova Iguaçu.

Dire­to­ra e bailar­i­nas do Iyame­san reforçam a neces­si­dade de ini­cia­ti­vas e edi­tais como esse para que o tal­en­to de home­ns e mul­heres negros sejam recon­heci­dos, e pos­sam alcançar públi­cos cada vez maiores.

“É muito impor­tante pen­sar que nós nun­ca éramos con­tem­pladas em out­ras opor­tu­nidades. Tem com­pan­hia de teatro que gan­ha o mes­mo edi­tal há anos. Pen­sar em ações afir­ma­ti­va é o mín­i­mo. A gente pre­cisa falar de democ­ra­cia e igual­dade tam­bém den­tro da cul­tura”, diz a dire­to­ra Luna Leal.

Rio de Janeiro (RJ), 17/05/2023 - A bailarina Aline Valentim no ensaio de Iyamesan, em cartaz no festival de dança O Corpo Negro, no Sesc Copacabana. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: Baila­r­i­na Aline Valen­tim no ensaio de Iyame­san — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

“O Cor­po Negro virou um edi­tal per­ma­nente e isso é muito impor­tante porque, infe­liz­mente, ain­da somos sub-rep­re­sen­tadas den­tro das difer­entes esferas artís­ti­cas e nos edi­tais. E nós somos a maio­r­ia da pop­u­lação brasileira. Temos muito a cri­ar e a mostrar. É super impor­tante ter edi­tais como esse e esper­amos que ele con­tin­ue com toda força”, diz a baila­r­i­na Aline Valentin.

“A gente pre­cisa dançar, pre­cisa ques­tionar. Os edi­tais pre­cisam mel­ho­rar muito ain­da. Mas pelo menos esta­mos em um cam­in­ho mel­hor. Edi­tais como esse são uma reparação históri­ca dos nos­sos cor­pos em cena. Vamos estar no pal­co, sim, e vamos faz­er uma arte de qual­i­dade”, afir­ma Bel­las da Sil­veira.

Serviço

Data: entre os dias 18 e 28 de maio, de quin­ta a domin­go

Horário: 19h

Local: Are­na do Sesc Copaca­bana. Multi­u­so do Sesc Copaca­bana

Endereço: Rua Domin­gos Fer­reira, 160, Copaca­bana, Rio de Janeiro — RJ

Ingres­sos: gra­tu­ito

Bil­hete­ria: fun­ciona­men­to de terça a sex­ta (de 9h às 20h); sába­dos, domin­gos e feri­ados (de 14h às 20h)

Clas­si­fi­cação indica­ti­va: livre

Duração: 60 min­u­tos

Infor­mações: (21) 2547–0156

Edição: Valéria Aguiar

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