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Baile Charme do viaduto de Madureira comemora 35 anos

Evento reúne DJs residentes no Rio e convidado especial

Fran­ciel­ly Bar­bosa*
Pub­li­ca­do em 17/05/2025 — 13:00
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (RJ) 18/11/2024 – O Viaduto de Madureira, onde acontece o Baile Charme, está em uma região marcada por diversas manifestações negras, como as escolas de samba Portela e Impérío Serrano, o Jongo da Serrinha e a Feira das Yabás. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

O Viadu­to Prefeito Negrão de Lima, local­iza­do no bair­ro de Madureira, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, recebe neste sába­do (17) um dos pre­cur­sores do gênero musi­cal rhythm and blues (R&B) no Brasil em cel­e­bração dos 35 anos do Baile Charme, real­iza­do local.

Entre os anos 1980 e 1990, Mar­co Aurélio Fer­reira, mais con­heci­do como DJ Corel­lo, pop­u­lar­i­zou a expressão charme nos bailes de black music (músi­ca negra) pro­movi­dos pela pop­u­lação negra na cap­i­tal flu­mi­nense.

O even­to, que tam­bém cel­e­bra os 45 anos do Movi­men­to Charme no Brasil, começa às 22h e reúne os DJs res­i­dentes do Viadu­to de Madureira — DJ Michell, Fer­nand­in­ho, Vig, Gab e Guto — e o Cole­ti­vo Sam­pa Charme, com o DJ Sam­my como con­vi­da­do espe­cial.

“O Movi­men­to Charme, que começou nos anos 1980, já começou com a pega­da de uma músi­ca den­tro da out­ra. Essa sonori­dade pegou out­ra ger­ação, que não era a ger­ação do soul, com o ouvi­do virgem. Eu con­segui cate­quizar essa ger­ação para o Movi­men­to Charme”, disse o DJ Corel­lo à Agên­cia Brasil, à época da cel­e­bração dos 50 anos da black music no país.

Patrimônio imaterial

O Baile Charme do viadu­to de Madureira começa no iní­cio dos anos 1990, quan­do entu­si­as­tas do sam­ba con­heci­dos como Leno, Pedro, Edin­ho e Xan­do­ca se orga­ni­zaram e fun­daram o blo­co car­navale­sco Pagodão de Madureira, que era real­iza­do.

“O espaço começou a ser ocu­pa­do pelo blo­co car­navale­sco Pagodão de Madureira em 1º de maio de 1990 e logo depois se ini­cia o Charme, crian­do uma relação tão forte que se tornou um espaço de resistên­cia e rep­re­sen­ta­tivi­dade para a juven­tude negra e per­iféri­ca”, lem­bra o DJ Michell, nome artís­ti­co de Michel Jacob Pes­soa.

Segun­do o artista, os bailes no viadu­to começaram de maneira despre­ten­siosa, com um grupo de camelôs que que­ria ape­nas um baile mais sim­ples para cur­tir. “Com o tem­po, a fes­ta se for­t­ale­ceu e se profis­sion­al­i­zou, até que em 2000 nasceu o Espaço Cul­tur­al Rio Hip Hop Charme, recon­heci­do como Bem Cul­tur­al de Natureza Ima­te­r­i­al da Cidade do Rio de Janeiro em 2013.”

Um local que dita tendência

Além de even­tos sem­anais, com entre­ga de prêmios, o espaço tam­bém ofer­ece opor­tu­nidades para novos tal­en­tos musi­cais volta­dos para a black music.

“Podemos con­sid­er­ar o baile do viadu­to como um local que dita tendên­cia, seja na moda ou na músi­ca. Músi­cas que começam a tocar ali, depois de algum tem­po, viral­izam e looks que são lança­dos por muitos jovens e, às vezes, caem no gos­to pop­u­lar. É um espaço úni­co e onde a juven­tude pre­ta e per­iféri­ca pode ser autên­ti­ca sem ser recrim­i­na­da”, diz o DJ.

Hoje, ape­sar da var­iedade de fes­tas que sur­gi­ram com o tem­po no Rio de Janeiro, o Baile Charme do viadu­to de Madureira man­tém a importân­cia ao con­stru­ir um lega­do de resistên­cia e rep­re­sen­ta­tivi­dade, acres­cen­ta o artista. “Quan­do você entra naque­le lugar, você se sente per­ten­cente a ele, e nen­hum out­ro espaço con­segue pas­sar a mes­ma impressão. É mági­co e inex­plicáv­el.”.

Para o músi­co, inclu­sive, cel­e­brar os 35 anos do even­to rep­re­sen­ta a força que o Charme adquir­iu com o tem­po e tem atual­mente. “São 35 anos fazen­do a mes­ma coisa, sem mudar a essên­cia, ape­nas se atu­al­izan­do de acor­do com as ger­ações, mas cel­e­bran­do o charme, enquan­to músi­ca e cul­tura. Não é qual­quer lugar que con­segue exi­s­tir por tan­to tem­po sem perder o seu propósi­to”, afir­ma.

*Estag­iária sob super­visão de Gilber­to Cos­ta

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