...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Cultura / Com programação presencial, CineOP destaca cinema indígena

Com programação presencial, CineOP destaca cinema indígena

Repro­dução: © Pedro Vilela/MTur

Evento recebe o público hoje na cidade histórica de Ouro Preto


Pub­li­ca­do em 22/06/2022 — 10:04 Por Léo Rodrigues — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Em sua 17ª edição, a Mostra de Cin­e­ma de Ouro Pre­to (CineOP) vol­ta a movi­men­tar o prin­ci­pal des­ti­no turís­ti­co do inte­ri­or mineiro. Após dois anos explo­ran­do o for­ma­to online em decor­rên­cia da pan­demia de covid-19, o even­to irá nova­mente rece­ber ciné­fi­los de todo o país na cidade históri­ca. A pro­gra­mação, que se ini­cia hoje (22) e vai até a próx­i­ma segun­da-feira (27), colo­ca em destaque filmes pro­duzi­dos por dire­tores indí­ge­nas.

“Fize­mos um mer­gul­ho nos acer­vos e tive­mos aces­so a um vol­ume muito grande de tra­bal­hos. Foi um esforço de pesquisa e bus­camos ofer­e­cer uma pro­gra­mação que ten­ha uma diver­si­dade tan­to de temas como povos rep­re­sen­ta­dos”, con­ta o curador Cle­ber Eduar­do. Além da pro­dução indí­ge­na, o even­to pos­si­bil­i­tará o con­ta­to com uma cin­e­matografia diver­sa que pas­sa, por exem­p­lo, por ficções ambi­en­tadas nos anos 1980 e 1990 e por doc­u­men­tários sobre os cineas­tas Glauber Rocha e Ruy Guer­ra e sobre o músi­co Bel­chior.

Além das ativi­dades pres­en­ci­ais, haverá uma pro­gra­mação vir­tu­al disponi­bi­liza­da por meio do site da CineOP. A decisão foi toma­da a par­tir da avali­ação pos­i­ti­va das exper­iên­cias de 2020 e 2021. “Acho que é algo que vai exi­s­tir sem­pre ago­ra nos fes­ti­vais”, avalia Cle­ber Eduar­do.

A orga­ni­za­ção do even­to espera um públi­co de 15 mil pes­soas em Ouro Pre­to. Con­sideran­do a pro­gra­mação pres­en­cial e vir­tu­al, serão exibidos ao todo 151 filmes, sendo 20 lon­gas-metragem, 14 médias e 117 cur­tas. São tra­bal­hos prove­nientes de 21 esta­dos brasileiros, além de out­ros 7 país­es. Estão pre­vis­tos ain­da debates, ofic­i­nas, exposições, lança­men­tos de pub­li­cações, per­for­mances e shows. Toda pro­gra­mação é gra­tui­ta.

Emb­o­ra as primeiras ativi­dades do even­to este­jam começan­do hoje, a aber­tu­ra ofi­cial ocorre ape­nas aman­hã (23), às 19h30, quan­do os cineas­tas indí­ge­nas Ariel Orte­ga e Patri­cia Fer­reira Yxapy serão hom­e­nagea­d­os na Praça Tiradentes e rece­berão o Troféu Vila Rica.

“A definição pelo tra­bal­ho de ambos, nasci­dos na cidade argenti­na de Mis­siones, na aldeia Tekoa Verá Guaçu, se dá espe­cial­mente pela for­ma como as questões cul­tur­ais e políti­cas em seus filmes surge de natureza dis­tin­tas, sendo pon­tu­adas pela própria aprox­i­mação da cidade em relação às ter­ras de seu povo”, reg­is­tra o site do even­to.

Na sessão de aber­tu­ra, o públi­co assi­s­tirá Bici­cle­tas de Nhan­derú, um doc­u­men­tário de 48 min­u­tos dirigi­do por Ariel Orte­ga e Patri­cia Fer­reira Yxapy e final­iza­do em 2011. No filme, os dire­tores real­izam uma imer­são na espir­i­tu­al­i­dade pre­sente no cotid­i­ano dos Mbyá-Guarani da aldeia Koen­ju, em São Miguel das Mis­sões (RS).

Cinema indígena

Dos 151 títu­los incluí­dos na pro­gra­mação, 35 são dirigi­dos por indí­ge­nas de 17 povos dis­tin­tos. Segun­do Cle­ber Eduar­do, tra­ta-se de uma mostra que bus­ca ofer­e­cer um olhar ret­ro­spec­ti­vo da cin­e­matografia indí­ge­na.

“Emb­o­ra seja uma pro­dução ain­da muito recente, que começa no final dos anos 1990, já pos­sui um per­cur­so de mais de 20 anos. E den­tro desse perío­do há algu­mas mudanças. Por exem­p­lo, no começo os filmes eram copro­duzi­dos com indí­ge­nas e não indí­ge­nas. Pro­gres­si­va­mente, os indí­ge­nas começam a assumir soz­in­hos a direção. Hoje, achamos que já existe um vol­ume de filmes que per­mi­ta obser­var alguns recortes de temas recor­rentes, de for­matos recor­rentes, da difer­enças entre povos”, diz o curador.

Cléber obser­va que a potên­cia do cin­e­ma se artic­u­la com o dra­ma da situ­ação indí­ge­na na atu­al­i­dade e con­sid­era que há dois macroseg­men­tos temáti­cos. Um deles está rela­ciona­do com a tradição espir­i­tu­al e rit­u­alís­ti­ca e com a iden­ti­dade de povo, rev­e­lando um esforço pela preser­vação de sua cul­tura. O out­ro envolve o con­ta­to con­fli­tu­oso com a cul­tura urbana e com a cul­tura não indí­ge­na, do qual derivam intim­i­dações políti­cas, invasões de ter­ra e ações vio­len­tas.

“São prob­le­mas con­cre­tos que muitas vezes ameaçam a vida dess­es povos”, diz. Ele ressalta que as abor­da­gens são bas­tante vari­adas, mas que é pos­sív­el ver, nos dois macroseg­men­tos, um movi­men­to de resistên­cia, seja políti­co ou cul­tur­al.

Histórico

A CineOP é orga­ni­za­da pela Uni­ver­so Pro­dução, que tam­bém responde pela tradi­cional Mostra de Cin­e­ma de Tiradentes. Sua real­iza­ção tam­bém con­ta com o apoio da Sec­re­taria Espe­cial da Cul­tura do Min­istério do Tur­is­mo e da Sec­re­taria de Cul­tura e Tur­is­mo de Minas Gerais.

Refer­ên­cia no cal­endário cin­e­matográ­fi­co nacional, o even­to surgiu em 2006 e tem como difer­en­cial a estru­tu­ração em três eixos: patrimônio, edu­cação e história. Para cada um deles, há uma vas­ta pro­gra­mação que mobi­liza cineas­tas, pesquisadores, restau­radores, pro­fes­sores, críti­cos, estu­dantes e ciné­fi­los em ger­al.

Den­tro do eixo patrimônio, é real­iza­do o Encon­tro Nacional de Arquiv­os e Acer­vos Audio­vi­suais Brasileiros. Tra­ta-se de um dos prin­ci­pais fóruns onde se dis­cutem políti­cas públi­cas voltadas para preser­vação dos filmes nacionais. A pau­ta envolve temas como pri­or­i­dades para a restau­ração, proces­sos de dig­i­tal­iza­ção, aces­so da pop­u­lação aos filmes e orga­ni­za­ção de ban­cos de dados.

No eixo edu­cação, o cin­e­ma indí­ge­na tam­bém estará no cen­tro das dis­cussões. Con­vi­da­dos inter­na­cionais irão debater sobre as pos­si­bil­i­dades de práti­cas pedagóg­i­cas dos filmes.

Edição: Maria Clau­dia

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d