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Entenda de onde vem a tradição de dar doces no dia de Cosme e Damião

Repro­dução: pt.wikipedia.org/

Santos católicos estão associados a orixás da umbanda e candomblé


Pub­li­ca­do em 27/09/2021 — 10:10 Por Beat­riz Albu­querque – Repórter da Radioagên­cia Nacional — Brasília

Quan­do falam­os em São Cosme e São Damião lem­bramos, na hora, da tradição de dis­tribuir doces para as cri­anças no dia 27 de setem­bro. Na família da jor­nal­ista Aline Mon­teiro, isso acon­tece há muitos anos. A mãe fez uma promes­sa a ess­es san­tos pela saúde dos fil­hos e, des­de então, ofer­ece gulo­seimas para os pequenos no mês de setem­bro. A promes­sa acabou e Aline ain­da vai para rua dar con­tinuidade à tradição que a mãe começou anos atrás.

“Hoje em dia já não é mais a promes­sa, mas a gente con­tin­ua a tradição. Acred­i­to que mais em agradec­i­men­to, à per­pet­u­ação, à reper­cussão da fé que con­tin­ua. E claro, pedin­do mais e mais saúde”, con­ta Aline.

Mas você sabe como começou esse hábito? Ou até mes­mo quem foram ess­es san­tos para quem tan­tas pes­soas fazem promes­sas?

O pro­fes­sor Agnal­do Cuo­co Por­tu­gal, do Depar­ta­men­to de Filosofia da Uni­ver­si­dade de Brasília (UnB), expli­cou que, na religião católi­ca, Cosme e Damião eram dois irmãos gêmeos, con­sid­er­a­dos curan­deiros — médi­cos na comu­nidade onde vivi­am.

Para o catoli­cis­mo, não havia nen­hu­ma lig­ação entre os irmãos e as cri­anças ou a dis­tribuição de doces. Essa práti­ca veio da asso­ci­ação que os escravos fiz­er­am de Cosme e Damião a orixás da umban­da e do can­domblé: os Ibejis, fil­hos gêmeos de Xangô e Ian­sã.

O pro­fes­sor expli­cou que, como havia mui­ta repressão na época da escravidão no Brasil aos cul­tos africanos, os negros pre­cisavam ado­rar suas divin­dades sem­pre asso­cian­do a algum san­to católi­co. E foi isso que acon­te­ceu com são Cosme e são Damião.

“Naque­la época, os escravos africanos não tin­ham a pos­si­bil­i­dade de cul­tu­ar os seus orixás, as suas divin­dades livre­mente. Eles tin­ham que faz­er essa asso­ci­ação com alguns san­tos católi­cos, pra não serem persegui­dos. A tradição de dar doces tem a ver com ess­es dois orixás cri­anças que foram asso­ci­a­dos a Cosme e Damião”, expli­ca o pro­fes­sor.

Agnal­do Cuo­co disse ain­da que muitas dos nos­sos cos­tumes hoje têm relação com a religião, que é um traço muito mar­cante no Brasil. Locais sagra­dos, fes­tas e tradições estão sem­pre muito lig­adas a uma história reli­giosa.

“A religião tem um papel de raiz, de fonte de vários ele­men­tos da cul­tura. Per­mite a você mar­car o dia, por exem­p­lo. Esse dia espe­cial, que está lig­a­do a tal coisa. Ou os lugares, tal lugar é espe­cial, é um tem­p­lo, é uma cat­e­dral, é um ter­reiro, é uma casa de san­to. Então, a religião está lig­a­da à cul­tura de diver­sas maneiras”, resume o pro­fes­sor.

Em 1969, a religião católi­ca alter­ou o dia de são Cosme e são Damião para o dia 26 de setem­bro para não chocar com a data que se cel­e­bra são Vicente de Paula. Mas, pela tradição, a maio­r­ia das pes­soas ain­da comem­o­ra no dia 27.

Edição: Denise Griesinger

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