...
quinta-feira ,15 janeiro 2026
Home / Cultura / Fliparacatu premia alunos em concurso de redação e desenho

Fliparacatu premia alunos em concurso de redação e desenho

Repro­dução: © Fotos Asses­so­ria de impren­sa

Mostra homenageia 21 professores negros da rede pública da cidade


Publicado em 31/08/2024 — 14:30 Por Francislene Pereira de Paula — Repórter da Rádio Nacional — Paracatu

ouvir:

Quan­tas histórias cabem nos muros invisíveis? Alunos da rede públi­ca e pri­va­da de Para­catu foram insti­ga­dos a dar respostas à essa per­gun­ta. Após vis­i­tar a mostra Muros Invisíveis: Pro­fes­sores Negros, eles foram con­vi­da­dos a desen­volver uma fan­f­ic, ou seja, inven­tar histórias a par­tir de out­ras já exis­tentes. A ideia era rev­e­lar tal­en­tos, além de pro­mover o gos­to pela leitu­ra e pela escri­ta.

A pre­mi­ação ocor­reu nes­ta man­hã de sába­do (31), den­tro da pro­gra­mação do Fes­ti­val Literário Inter­na­cional de Para­catu, e cele­brou os vence­dores das cat­e­go­rias de desen­ho e redação. Foram 18 vence­dores, nas seis cat­e­go­rias do con­cur­so.

Paracatu-MG 31/08/2024 premiação de crianças do Fliparacatu. Fotos Assessoria de imprensa
Repro­dução: Alu­na e pro­fes­so­ras em pre­mi­ação de tex­to no Fli­para­catu. Fotos — Fotos Asses­so­ria de impren­sa

Bár­bara Kamyl­lia Tenório, de 17 anos, ficou com o primeiro lugar na cat­e­go­ria de estu­dantes de 15 a 18 anos. Ela está no ter­ceiro ano do ensi­no médio e estu­da na Esco­la Estad­ual Neusa Pimentel Bar­bosa. Sua redação rece­beu o títu­lo “Uma impre­scindív­el mul­her”.

“Eu fiquei muito sur­pre­sa com o primeiro lugar. Eu sabia que eu tava no pódio, mas não imag­i­na­va que seria logo o primeiro. Eu escrevi sobre uma pro­fes­so­ra negra e sobre que­brar muros, que­brar bar­reiras. Porque ser negro no Brasil é muito difí­cil, por causa do nos­so históri­co, e ter forças para que­brar os muros, como a gente viu na exposição, é muito boni­to”, fala.

A pro­fes­so­ra de por­tuguês, redação e lit­er­atu­ra Kélia Nunes Rabe­lo, acom­pan­hou o proces­so da Bár­bara e disse que foi muito difí­cil sele­cionar o tex­to, taman­ha qual­i­dade dos tex­tos pro­duzi­dos.

“Nós visi­ta­mos a exposição, fize­mos uma aula ao ar livre e ficamos sur­preen­di­dos com a qual­i­dade dos nos­sos alunos. Des­de o iní­cio, está­va­mos con­fi­antes no primeiro lugar, porque a redação da Bár­bara ficou muito boa, orig­i­nal, cria­ti­va e acho que cumpriu com o propósi­to do con­cur­so”.

Com o títu­lo “A heroí­na da edu­cação”, Andres­sa Gabriel­ly, da Esco­la Estad­ual Alti­na de Paula Guimarães, con­quis­tou o ter­ceiro lugar da cat­e­go­ria de 12 a 14 anos. Ela gos­ta de ler, escr­ev­er e já par­ticipou de out­ros con­cur­sos de redação. “Eu usei a pro­fes­so­ra Laisa como per­son­agem prin­ci­pal e o super poder dela é do con­hec­i­men­to e da edu­cação. Os pro­fes­sores podem não ter o poder da invis­i­bil­i­dade, ou de voar, mas pas­sam todo o con­hec­i­men­to que eles têm”.

A dire­to­ra da esco­la da Andres­sa, Sueli Batista Gomes, acred­i­ta que o apoio da esco­la, da pro­fes­so­ra e da família foram fun­da­men­tais. Para ela, o que fica do Fli­para­catu, é “imen­su­ráv­el na cul­tura, con­hec­i­men­to, arte que é lev­a­da às cri­anças e ado­les­centes”.

A segun­da edição do Prêmio de Redação teve 44 desen­hos inscritos e 47 redações. Cer­ca de 32 mil alunos forem envolvi­dos. Os primeiros lugares rece­ber­am pre­mi­ações em din­heiro de R$ 300, R$ 500 e R$ 1 mil. A comis­são jul­gado­ra foi com­pos­ta pelo jor­nal­ista Cláu­dio Oliveira, a his­to­ri­ado­ra Helen Ulhoa Pimentel e os pro­fes­sores José Ivan Lopes e Viní­cius Paz de Araújo.

Muros invisíveis

Com curado­ria das líderes quilom­bo­la, Rose Bis­po e Kas­sius Kennedy, a mostra hom­e­nageia 21 pro­fes­sores negros da rede públi­ca de Para­catu. A exposição é real­iza­da pelo Min­istério Públi­co do Esta­do de Minas Gerais, através da pro­mo­to­ra de Para­catu, Mar­i­ana Leão.

Sel­ma Bis­po dos Anjos Sil­va, uma das escol­hi­das, afir­ma que foi inde­scritív­el par­tic­i­par e con­ta que foi mar­avil­hosos con­tar a sua história, o racis­mo sofri­do. Para ela, é um pro­je­to que vai mudar a história de Para­catu e do povo negro.

“Ser con­vi­da­da foi uma sur­pre­sa. Porque, geral­mente não se hom­e­nageia pro­fes­sores, e ain­da mais pro­fes­sores negros, com uma história comum e, para a maio­r­ia, uma história sem importân­cia. Sen­ti que seria uma for­ma de nos mostrar para a sociedade e que a gente pode tudo. E tam­bém hom­e­nagear os nos­sos antepas­sa­dos. A sen­sação que a gente tin­ha, na inau­gu­ração, é que tin­ha várias e várias ger­ações ali conosco”.

Sel­ma dá aulas para o ensi­no infan­til e fun­da­men­tal na esco­la munic­i­pal Maria de Trindade Rodrigues, na zona Rur­al de Para­catu. A esco­la do Jean Car­los dos Reis Sil­va, de 11 anos, vence­dor da cat­e­go­ria PCD com um desen­ho onde ele retra­tou alunos de mãos dadas, com a pro­fes­so­ra. Jean disse que está “muito feliz” com o prêmio e que pre­tende con­tin­uar desen­han­do.

Paracatu (MG), 28.08.2024 - 2° edição do Festival Literário Internacional de Paracatu. Foto: Festival Literário Internacional de Paracatu/Divulgação
Repro­dução:  Pre­mi­ação ocor­reu nes­ta man­hã de sába­do (31), com 18 vence­dores pre­mi­a­dos nas seis cat­e­go­rias do con­cur­so.  Foto — Fes­ti­val Literário Inter­na­cional de Paracatu/Divulgação

Para Sel­ma, ter a história recon­ta­da pelos alunos foi muito espe­cial. Em uma delas, foi retrata­da como como uma prince­sa; em out­ra, foi com­para­da a Car­oli­na Maria de Jesus. Por fim, ela lem­bra ain­da que uma das alu­nas, de cin­co anos, viu a foto na mostra e per­gun­tou: tia, a sen­ho­ra é negra? E Sel­ma respon­deu, “sim, somos, você tam­bém é negra? Ela olhou pra mim e disse: uai, eu sou da cor da sen­ho­ra, então eu sou, né?”.

Con­ceição Evaris­to, que começou a car­reira como pro­fes­so­ra infan­til no Rio de Janeiro, disse que con­cur­sos como este são “o momen­to alto dos even­tos de lit­er­atu­ra”.

Con­ceição ressaltou a importân­cia de hom­e­nagear pro­fes­sores negros como um res­gate históri­co. E, em espe­cial, as pro­fes­so­ras negras.

“Talvez as primeiras pro­fes­so­ras foram as mul­heres negras, den­tro da casa grande. Elas cui­davam da pro­le da casa grande. Exer­ci­am papel de edu­cado­ra, inclu­sive da lín­gua fal­a­da no Brasil”, disse a escrito­ra.

Ao encer­rar a pre­mi­ação, Ail­ton Kre­nak, hom­e­nagea­do do Fes­ti­val, deu um car­in­hoso con­sel­ho às cri­anças.

“Man­ten­ham seus coraçõez­in­hos nos lugares onde sem­pre estiver­am: seguros. A beleza de vocês é o que dá sen­ti­do ao mun­do. Os desen­hos, os tex­tos, isso é o sen­ti­do da lit­er­atu­ra, do desen­ho, da arte. Bem-vin­dos a esse mun­do incrív­el, cheio de muros invisíveis, que vocês vão aju­dar a desmon­tar”, afir­mou Kre­nak.

*Repórter via­jou a con­vite da orga­ni­za­ção do fes­ti­val

Edição: Maria Clau­dia

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d