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Literatura sáfica dá protagonismo ao amor entre mulheres

Repro­dução: @Agência Brasil / EBC

Estética será debatida nesta segunda em livraria no RJ


Pub­li­ca­do em 26/06/2023 — 07:10 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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A ital­iana Miri­am Squeo se desco­briu bis­sex­u­al aos 28 anos, depois de uma vida het­eros­sex­u­al. “Nesse momen­to de tran­sição, foi muito difí­cil para mim enten­der o que esta­va acon­te­cen­do e rev­olu­cio­nan­do a mídia naque­le momen­to”, disse, em entre­vista à Agên­cia Brasil. Miri­am afir­mou que não con­hecia nada da lit­er­atu­ra sáfi­ca, escri­ta por lés­bi­cas ou por mul­heres que não se enten­dem como lés­bi­cas, mas que gostam de pes­soas do sexo fem­i­ni­no.

Seu primeiro con­ta­to com o amor entre lés­bi­cas foi o filme Azul é a Cor Mais Quente, de 2013, que assis­tiu na tele­visão. “Foi o primeiro filme que dava vis­i­bil­i­dade lés­bi­ca no cin­e­ma de maneira tão aber­ta assim. Foi um ano em que começa­va a sair um pouquin­ho da som­bra a relação entre mul­heres”.

Miriam Squeo, Debate na Janela Livraria sobre literatura sáfica.Foto: Alessandra Limal/Divulgação
Repro­dução: Miri­am Squeo é uma das escritoras que debaterão lit­er­atu­ra sáfi­ca em livraria do Rio de Janeiro. Foto: — Alessan­dra Limal/Divulgação

Mes­mo assim, Miri­am demor­ou muitos anos para se abrir com os pais, que são do sul da Itália. A con­ver­sa acon­te­ceu há duas sem­anas, ela já com 36 anos. “Acho que o livro me deu essa cor­agem”, con­cluiu, referindo-se à primeira obra de sua auto­ria, inti­t­u­la­da “Por trás dos meus cabe­los”, lança­do pela edi­to­ra Auto­grafia, na sem­ana pas­sa­da. Escri­ta em por­tuguês, a obra demon­stra todo o amor que Miri­am sente pelo Brasil, onde mora há três anos e meio. Aqui, ela se sen­tiu mais livre.

No perío­do em que vive no Brasil, Miri­am Squeo se inteirou da lit­er­atu­ra sáfi­ca. Decid­iu escr­ev­er não só porque foi uma ter­apia para ela, mas tam­bém porque gostaria de ter lido algo pare­ci­do quan­do se desco­briu bis­sex­u­al, pelos amores que viveu no cur­so do ano e, tam­bém, porque acred­i­ta que é pre­ciso desmisti­ficar o amor entre mul­heres.

“Hoje, a sociedade vê isso quase como se fos­se uma brin­cadeira”. Afir­mou que, no Brasil, prin­ci­pal­mente, onde “a sociedade é machista e as relações são abu­si­vas, parece que o amor entre mul­heres é como encon­trar saí­da da relação het­eros­sex­u­al”.

Ela entende o sexo fem­i­ni­no como com­plexo e, por essa razão, as relações entre mul­heres são com­plexas. “Elas podem ser tam­bém tóx­i­cas”. Por isso, a escrito­ra ten­tou colo­car essas questões de for­ma aber­ta no livro, para ten­tar traduzir um pouco mais de liber­dade no que acon­tece em um amor sáfi­co. O livro é auto­bi­ográ­fi­co, mas romancea­do tam­bém, esclare­ceu. “O impor­tante para mim era traz­er essa história para os out­ros”.

Debate

Miri­am Squeo é uma das escritoras que par­tic­i­parão de debate sobre a lit­er­atu­ra sáfi­ca e as várias for­mas de amor na nes­ta segun­da-feira (26), às 19h, na Janela Livraria, situ­a­da no Shop­ping da Gávea, na zona sul do Rio. O debate “Lit­er­atu­ra sáfi­ca e a flu­idez da sex­u­al­i­dade fem­i­ni­na, sobre novas nar­ra­ti­vas literárias em torno do amor entre mul­heres e a liber­dade sex­u­al fem­i­ni­na” cel­e­bra o Dia Inter­na­cional do Orgul­ho LGBTQIAPN+, comem­o­ra­do no dia 28 deste mês.

Convite da Janela Livraria sobre literatura sáfica.Foto: Divulgação
Repro­dução: Janela Livraria, no Rio de Janeiro, rece­berá debate sobre lit­er­atu­ra sáfi­ca. Foto: Divul­gação

O even­to terá a par­tic­i­pação tam­bém de Car­la Alves, auto­ra de “Conec­tadas” e “Romance Real”, edi­ta­dos pela Com­pan­hia das Letras. Esse segun­do romance de Car­la foi lança­do recen­te­mente em inglês, nos Esta­dos Unidos. A con­ver­sa será medi­a­da pela jor­nal­ista e edi­to­ra da Revista Bre­jeiras, ded­i­ca­da ao públi­co lés­bi­co, Cami­la Marins.

Vozes lésbicas

Uma das qua­tro sócias da Janela Livraria, Anto­nia Moura expli­cou que a lit­er­atu­ra sáfi­ca é uma lit­er­atu­ra fei­ta, prin­ci­pal­mente, por mul­heres que se iden­ti­fi­cam de algu­ma for­ma como lés­bi­cas ou em um dos gêneros LGBTQIAPN+. “São livros feitos por mul­heres que têm um lugar de fala. Eu acho isso muito impor­tante. Acho que, da mes­ma for­ma que a gente quer que haja mais vozes negras, mais vozes trans, mais vozes de pes­soas com defi­ciên­cia, a gente tam­bém quer que ten­ha mais vozes lés­bi­cas com lugar de fala, que não sejam home­ns escreven­do lit­er­atu­ra que con­ta amores entre mul­heres, porque isso é algo total­mente fora da vivên­cia deles”.

Segun­do Anto­nia, é impor­tante que pes­soas que ain­da se sen­tem à margem ten­ham cada vez mais espaço para con­tar suas exper­iên­cias, que podem emo­cionar, inclu­sive, home­ns e mul­heres het­eros­sex­u­ais. “Tem coisas que são uni­ver­sais, mas tem exper­iên­cias que são muito úni­cas”, desta­cou. Ela acred­i­ta que quan­to mais pes­soas estiverem sen­tan­do à mesa e colo­can­do um pouco da sua visão de mun­do ali, mais inter­es­sante fica o próprio mun­do e a lit­er­atu­ra como um todo.

Essa é a primeira vez que a Janela Livraria está fazen­do debate sobre a lit­er­atu­ra sáfi­ca. Des­de o iní­cio de jun­ho, a livraria tem colo­ca­do em destaque títu­los com temáti­ca LGBTQIAPN+, em função do Mês do Orgul­ho LGBT, porque essa é uma ban­deira impor­tante para a livraria. Das qua­tro mul­heres sócias da Janela, duas são LGBT. “Debates como esse que ocor­rerá nes­ta segun­da-feira são impor­tantes tam­bém para as pes­soas que ain­da estão se ques­tio­nan­do e lutan­do inter­na­mente sobre sua sex­u­al­i­dade, afir­mou Anto­nia Moura.

Edição: Marce­lo Brandão

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