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Morre no Rio, aos 75 anos, o autor de novelas Gilberto Braga

Repro­dução: Gilber­to Bra­ga, uol.com.br

Ele escreveu obras clássicas da TV, como Dancin’ Days


Pub­li­ca­do em 27/10/2021 — 06:04 Por Dou­glas Cor­rêa — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

Mor­reu nes­sa terça-feira (26), no Hos­pi­tal Copa Star, na zona sul do Rio, o autor de nov­e­las Gilber­to Bra­ga, aos 75 anos. Con­sid­er­a­do um dos maiores nomes da tele­dra­matur­gia brasileira, é autor de obras clás­si­cas da TV como Dancin’ DaysVale TudoCor­po a Cor­po e Paraí­so Trop­i­cal, entre out­ras.

Ele esta­va inter­na­do des­de a últi­ma sex­ta-feira (22) e já vin­ha enfrentan­do prob­le­mas de saúde há alguns anos. Foi para o hos­pi­tal com um quadro de infecção gen­er­al­iza­da, após uma per­furação no esôfa­go. Gilber­to Bra­ga era casa­do com Edgar Moura Brasil, dec­o­rador e seu com­pan­heiro por quase 50 anos.

O tele­dra­matur­go nasceu no Rio de Janeiro em 1º de novem­bro de 1945. Cur­sou a fac­ul­dade de letras na Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca do Rio e começou a tra­bal­har dan­do aulas na Aliança France­sa.

Sucesso

A nov­ela Dancin’ Days (1978) alcançou grande suces­so e mar­cou a estreia de Gilber­to Bra­ga no horário nobre, como autor tit­u­lar, além de ter sido a primeira nov­ela con­tem­porânea e adap­tação de romance con­sagra­do. A tril­ha sono­ra inter­na­cional, basi­ca­mente com canções de dis­cote­ca, foi um suces­so de vendagem, com mais de 1,5 mil­hão de cópias, assim como a tril­ha nacional, com 1 mil­hão de cópias, estim­u­lan­do o cresci­men­to de novas casas do gênero. A nov­ela tam­bém lançou diver­sos mod­is­mos, como voos de asa delta e meias de lurex usadas com sandália.

A Rede Globo infor­mou que Gilber­to chegou a cur­sar dire­ito e a prestar con­cur­so para o Ita­ma­raty, mas não avançou em nen­hu­ma das duas car­reiras. Atu­ou como pro­fes­sor de francês e foi críti­co de teatro e cin­e­ma no jor­nal O Globo, entre out­ras funções, tudo isso antes de se dedicar exclu­si­va­mente à tele­dra­matur­gia.

O nov­el­ista assi­nou – soz­in­ho ou em parce­ria com reno­ma­dos autores – grandes suces­sos e tin­ha como um dos traços mais mar­cantes de suas obras a críti­ca social. Nor­mal­mente, suas histórias eram ambi­en­tadas na cidade do Rio, por onde tin­ha o praz­er e o hábito de cam­in­har pelas ruas, o que fazia dele um grande entende­dor da vida car­i­o­ca.

Seu primeiro tra­bal­ho na Globo foi em 1972, com uma adap­tação de A Dama das Camélias para o pro­gra­ma Caso Espe­cial, com direção de Wal­ter Avanci­ni. A história foi pro­tag­on­i­za­da por Glória Menezes. Depois, vier­am out­ros episó­dios para o pro­gra­ma. Um deles, especi­fi­ca­mente, fez muito suces­so à época: As Pra­ias Deser­tas, que tin­ha no elen­co Dina Sfat, Yoná Mag­a­l­hães e Juca de Oliveira.

A exper­iên­cia de escr­ev­er uma nov­ela veio em 1974. Sob o títu­lo A Cor­ri­da do Ouro, Gilber­to assi­nou a tra­ma ao lado de Lau­ro César Muniz e Janete Clair. Ele tin­ha ape­nas 29 anos e sua grande fonte de inspi­ração e for­mação foi Janete, como fazia questão de diz­er em entre­vis­tas que con­cedeu ao lon­go da car­reira.

Vier­am, então, as adap­tações Hele­na e Sen­ho­ra, ambas exibidas em 1975. Nesse mes­mo ano, assum­iu o desafio de dar con­tinuidade à nov­ela Bra­vo!, de Janete Clair. A auto­ra pre­cisou se dedicar a um novo pro­je­to e Gilber­to pas­sou a assi­nar a auto­ria da tra­ma, que foi ao ar no horário das sete.

Seu primeiro grande suces­so, no entan­to, foi Escra­va Isaura, exibi­da em 1976, um mar­co da tele­dra­matur­gia nacional. Gilber­to assi­nou a adap­tação que o tornou muito con­heci­do quan­do tin­ha ape­nas 31 anos. Escra­va Isaura é uma das obras mais ven­di­das e exibidas no mer­ca­do inter­na­cional.

Em 1977, ele escreveu Dona Xepa, que nar­ra­va a história de uma pop­u­lar feirante, vivi­da por Yara Cortes. Exibi­da no horário das seis, a obra obteve o mel­hor desem­pen­ho de audiên­cia da faixa até então. A estreia no chama­do horário nobre, das 20h, foi em 1978, com Dancin’ Days. Sonia Bra­ga despon­ta­va no papel prin­ci­pal – que tin­ha a per­son­agem de Joana Fomm como antag­o­nista. Em 1980, escreveu Água Viva, que con­tou com a coau­to­ria de Manoel Car­los a par­tir do capí­tu­lo 57. Na nov­ela Bril­hante, de 1981, Gilber­to teve a con­tribuição de Euclydes Mar­in­ho e de Leonor Bassères. O autor repetiu a parce­ria com Leonor em suas duas obras seguintes: Louco Amor (1983) e Cor­po a Cor­po (1984).

Gilber­to escreveu em 1986 sua primeira minis­série, Anos Doura­dos, com direção de Rober­to Tal­ma. Trata­va-se de uma história ambi­en­ta­da durante o gov­er­no JK. O casal pro­tag­o­nista foi vivi­do por Malu Mad­er e Cás­sio Gabus Mendes. Gilber­to tam­bém assi­nou a pro­dução musi­cal da minis­série. O autor nun­ca escon­deu a sua lig­ação com o uni­ver­so da músi­ca. Ele escol­hia grande parte das tril­has sono­ras de suas nov­e­las e os temas dos per­son­agens.

Edição: Graça Adju­to

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