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Mulheres veem no Natal a data para deixar a saudade e unir a família

Levantamento do Instituto Locomotiva explica poder do feriado

Luiz Cláu­dio Fer­reira — repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 24/12/2025 — 13:15
Brasília
Brasília (DF), 22/12/2025 – O que as pessoas acham do natal, Joselita da Conceição (mãe) (e) e Joseli da Conceição (filha) (d). Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Repro­dução: © Val­ter Campanato/Agência Brasil

Atrav­es­sar um mar de cadeiras e esper­ar o tem­po pas­sar. Até o momen­to do embar­que, os desafios da diarista Maria dos Nave­g­antes, de 51 anos, morado­ra de Val­paraí­so de Goiás (GO), eram segu­rar a ansiedade e orga­ni­zar as duas caixas e três malas para a viagem. 

Com o nome de batismo que faz jus aos seus desafios cotid­i­anos de encar­ar as ondas de solidão e do din­heiro cur­to, Maria chegou cedo à rodoviária de Brasília (DF), prestes a encar­ar os mais mais de 700 quilômet­ros por estra­da até Fru­tal (MG), para pas­sar o Natal com a fil­ha, Gabriela, de 26, e as netas, Eloá, de 5 anos, e Isabela, de 3.

As pas­sagens de ida e vol­ta cus­tam mais de R$ 1 mil e não tor­nam viáv­el via­jar out­ras vezes durante o ano. Mas foi pos­sív­el trans­for­mar a saudade em pacotes que cabem no bagageiro do ônibus.

“Nas min­has caixas, o que mais tem são pre­sentes que eu fui com­pran­do para elas ao lon­go deste ano em que não nos vimos. Não vejo a hora de abraçá-las. É o meu pre­sente de Natal”, afir­mou a diarista enquan­to fazia as con­tas do tem­po para bei­jar as meni­nas.

Brasília (DF), 22/12/2025 – O que as pessoas acham do natal, Maria dos Navegantes Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Repro­dução: Diarista Maria dos Nave­g­antes aguar­da para embar­car em Brasília Foto: Val­ter Campanato/Agência Brasil

Apego à família

O zelo pelo feri­ado do Natal, que trans­for­ma ter­mi­nais de pas­sageiros em mares de gente, tem mais do que um aspec­to reli­gioso. Segun­do o lev­an­ta­men­to real­iza­do pelo Insti­tu­to Loco­mo­ti­va, essa é a prin­ci­pal data de encon­tro famil­iar no Brasil. Cer­ca de 61% dos brasileiros dizem estar sem­pre com a família nes­sa ocasião, e out­ros 32% afir­mam que isso acon­tece às vezes.

De acor­do com o lev­an­ta­men­to, as mul­heres demon­stram mais atenção a ess­es encon­tros famil­iares. Elas tam­bém relatam par­tic­i­pação mais fre­quente em encon­tros famil­iares men­sais, com 65% (enquan­to que são 58% dos home­ns que estão pre­sentes).

A pesquisa, que ouviu mais de 4 mil brasileiros com mais de 18 anos, rev­el­ou que 68% dos brasileiros con­sid­er­am impor­tantes os rit­u­ais famil­iares e as datas comem­o­ra­ti­vas. Para 75%, a feli­ci­dade só é com­ple­ta quan­do com­par­til­ha­da com quem se ama.

Adiantado

São tão impor­tantes ess­es rit­u­ais que fiz­er­am com que a família da ped­a­goga brasiliense Laís­sa Mace­do, de 26 anos, adi­antasse a fes­ta de Natal para o dia 21 de dezem­bro, já que ela escol­heu ter uma ativi­dade difer­ente em 2025.

Brasília (DF), 22/12/2025 – O que as pessoas acham do natal, Laissa Macedo Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Repro­dução: Lais­sa Mace­do fará tra­bal­ho mis­sionário no Natal e adiantou comem­o­ração da família Val­ter Campanato/Agência Brasil

Resolveu par­tic­i­par de uma ação mis­sionária social na cidade de Con­ceição da Paraí­ba, a quase 2 mil quilômet­ros de dis­tân­cia de casa. Ela vai entre­gar mate­ri­ais esco­lares e de higiene para comu­nidades em vul­ner­a­bil­i­dade.

“Será um Natal difer­ente para mim. Min­ha família sen­tiu, mas enten­deu que só vou voltar no final de janeiro”.

Uma cole­ga da mes­ma ativi­dade, a cuidado­ra de idosos Rosiane Mar­tins, de 23, des­pediu-se de cada um dos seis irmãos. “Esta­mos pen­san­do que podemos ter uma ceia difer­ente e relação de família tam­bém com quem não con­hece­mos”.

Amor a distância

A pesquisa do Insti­tu­to Loco­mo­ti­va, encomen­da­da pelo clube de bene­fí­cios Famil­hão, mostrou tam­bém que 65% dos brasileiros afir­mam pas­sar menos tem­po com a família do que gostari­am, e que nove em cada 10 pes­soas no País têm famil­iares que moram longe.

Uma dessas histórias é da agricul­to­ra Adeli­na Maria de Jesus, de 67 anos, chorosa na rodoviária de Brasília em não poder reunir os qua­tro fil­hos no Natal. Ela expli­ca que tem uma ren­da men­sal de um salário mín­i­mo e os herdeiros estão dis­per­sos em difer­entes regiões do país para tra­bal­har. Duas delas vivem em Águas Lin­das de Goiás (GO).

Adeli­na e o mari­do moram em um assen­ta­men­to sem-ter­ra na cidade de Rubi­ata­ba, a mais de 400 km de dis­tân­cia. “Eu ten­ho esper­ança de que um dia ter­e­mos din­heiro para nos reunir­mos de ver­dade. Seria meu son­ho de Natal”. Há mais de 15 anos, eles não con­vivem.

A praia e a mesa cheia

Con­vivên­cia é o que bus­ca man­ter com sua família “enorme”, em Itu­berá (BA), a diarista Joseli­ta da Con­ceição, de 51 anos de idade (foto em destaque). Ela, a fil­ha, Josielle, e os dois netos estavam ansiosos não só para seguir de ônibus, em suas 19 horas de viagem, mas para olhar de novo o mar de per­to, mol­har os pés.

Estavam todos felizes para chegar à fes­ta de Natal que os espera. “Quero que meus fil­hos ten­ham con­vivên­cia com os pri­mos. No final do ano, é tem­po para isso”.

Nos dedos, eles lem­bram de cada um dos 30 famil­iares com quem farão a ceia. Aque­le momen­to que faz pare­cer que o tem­po não pas­sou. “Já são 15 anos que estou dis­tante, porque tra­bal­hamos duro aqui. Mas o mar nos espera”, sor­riu Joseli­ta.

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