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Não há uma única prova que ligue Bolsonaro a golpe de 8/01, diz defesa

Para Vilardi, Bolsonaro foi “dragado” para fatos investigados pela PF

Paula Labois­sière – Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 03/09/2025 — 11:10
Brasília
Brasília (DF) 03/09/2025 O Advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Celso Vilardi, durante segundo dia de sessão do STF do julgamento dos primeiros oito réus da trama golpista Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Repro­dução: © Fabio Rodrigues-Pozze­bom/ Agên­cia Brasil

A defe­sa do ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro afir­mou, durante o segun­do dia de jul­ga­men­to no Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF), que “não há uma úni­ca pro­va” da par­tic­i­pação dele na tra­ma golpista. Para o advo­ga­do Cel­so Vilar­di, Bol­sonaro foi “dra­ga­do” para os fatos inves­ti­ga­dos pela Polí­cia Fed­er­al. “O ex-pres­i­dente não aten­tou con­tra o Esta­do Democráti­co de Dire­ito”.

“Um proces­so com base em uma delação e em uma min­u­ta encon­tra­da em um celu­lar de uma pes­soa que hoje é colab­o­rado­ra da Justiça. Esse é o epi­cen­tro, essa é a pedra de toque do proces­so. A min­u­ta e a colab­o­ração. Daí em diante, o que acon­te­ceu com a inves­ti­gação da Polí­cia Fed­er­al e, depois, com a denún­cia do Min­istério Públi­co é, na ver­dade, uma sucessão ina­cred­itáv­el de fatos.”

“Foi acha­da uma min­u­ta do Pun­hal Verde e Amare­lo, uma min­u­ta ou planil­ha de uma Oper­ação Lune­ta e, como todos nós sabe­mos, ocor­reu o trági­co episó­dio de 8 de janeiro”, disse.

“Não há uma úni­ca pro­va que atrele o pres­i­dente ao Pun­hal Verde e Amare­lo, à Oper­ação Lune­ta e ao 8 de janeiro. Aliás, nem o dela­tor, que eu sus­ten­to que men­tiu, chegou a diz­er ‘par­tic­i­pação em Pun­hal, em Lune­ta, em Copa, em 8 de janeiro’. Nem o dela­tor. Não há uma úni­ca pro­va.”

Para Vilar­di, o ex-aju­dante de ordens e dela­tor Mau­ro Cid não é “con­fiáv­el” e mudou de ver­são diver­sas vezes em seus inter­ro­gatórios. Para ele, as con­tradições do tenente-coro­nel são motivos para anu­lação da colab­o­ração pre­mi­a­da.

A Primeira Tur­ma do Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF) começou a a jul­gar ontem (2) o ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro e mais sete ali­a­dos pela tra­ma golpista. Eles fazem parte do núcleo cru­cial da denún­cia apre­sen­ta­da pela Procu­rado­ria-Ger­al da Repúbli­ca (PGR).

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Muito material e pouco tempo

Segun­do o advo­ga­do, a defe­sa rece­beu 70 ter­abytes de mate­r­i­al. “Quan­do esta­mos ter­mi­nan­do a instrução, no dia 17 de maio, a gente recebe um e‑mail dizen­do que hou­ve uma fal­ha no arqui­vo do gen­er­al Mário Fer­nan­des. Um e‑mail que rece­bi da Polí­cia Fed­er­al. Já tin­ha acaba­do a instrução. Às por­tas do inter­ro­gatório”.

“Não tive­mos aces­so a provas. E, muito menos, pra­zo sufi­ciente”, reforçou Cel­so Vilar­di.

“Nós não tive­mos o tem­po que o Min­istério Públi­co e a Polí­cia Fed­er­al tiver­am. E não nós tive­mos aces­so a provas durante a instrução.”

“Com 34 anos, é a primeira vez que ven­ho à tri­buna, com toda humil­dade, para diz­er o seguinte: não con­heço a ínte­gra desse proces­so. O con­jun­to da pro­va? Eu não con­heço. São bil­hões de doc­u­men­tos. Numa instrução de menos de 15 dias, segui­da de inter­ro­gatório. A instrução começou em maio, nós esta­mos em setem­bro. 15 dias de pra­zo para a defe­sa.”

Denúncia

Em fevereiro deste ano, a PGR denun­ciou o ex-pres­i­dente Jair Bol­sonaro e mais 33 pes­soas ao Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al (STF) pelos crimes de golpe de Esta­do, abolição vio­len­ta do Esta­do Democráti­co de Dire­ito e orga­ni­za­ção crim­i­nosa.

O procu­rador-ger­al da Repúbli­ca, Paulo Gonet, afir­mou que o ex-pres­i­dente e o gen­er­al Bra­ga Net­to, ex-min­istro e vice na cha­pa com Bol­sonaro — der­ro­ta­da nas eleições de 2022, exerce­r­am papel de lid­er­ança para real­iza­ção de uma “tra­ma con­spir­atória arma­da e exe­cu­ta­da con­tra as insti­tu­ições democráti­cas”.

Ontem (2), primeiro dia de jul­ga­men­to no Supre­mo, Gonet desta­cou que teste­munhos, reg­istros e doc­u­men­tos provam que o ex-pres­i­dente lid­er­ou uma ten­ta­ti­va de golpe de Esta­do para se man­ter no poder.

“Não há como negar fatos prat­i­ca­dos pub­li­ca­mente, planos apreen­di­dos, diál­o­gos doc­u­men­ta­dos e bens públi­cos dete­ri­o­ra­dos”, obser­vou Gonet.

“Se as defe­sas ten­taram min­i­mizar a con­tribuição indi­vid­ual de cada acu­sa­do e bus­car inter­pre­tações dis­tin­tas dos fatos, estes mes­mos fatos, con­tu­do, não tiver­am como ser nega­dos”, reforçou.

No iní­cio de sua sus­ten­tação oral, Gonet fez tam­bém um dis­cur­so enfáti­co con­tra a impunidade, afir­man­do ser “imper­a­ti­vo” para a manutenção do regime democráti­co que Bol­sonaro e seus ali­a­dos sejam con­de­na­dos pela ten­ta­ti­va de golpe.

O procu­rador-ger­al da Repúbli­ca bus­cou demon­strar como reuniões, ameaças e falas do ex-pres­i­dente teri­am sido cal­cu­ladas e coor­de­nadas para “insu­flar a mil­itân­cia”.

Gonet citou reunião min­is­te­r­i­al real­iza­da em 5 de jul­ho de 2021, na qual Bol­sonaro aparece em vídeo con­cla­man­do seus aux­il­iares a atacar e espal­har desin­for­mação sobre o sis­tema eletrôni­co de votação. Out­ro episó­dio men­ciona­do pelo PGR foi o dis­cur­so do ex-pres­i­dente em comem­o­ração do 7 de setem­bro, em 2021.

Na ocasião, Bol­sonaro ameaçou min­istros do Supre­mo e do Tri­bunal Supe­ri­or Eleitoral (TSE) dizen­do em dis­cur­so a apoiadores na Aveni­da Paulista, em São Paulo, que “só saio pre­so, mor­to ou com vitória”.

“As palavras pro­feri­das no dia da cel­e­bração nacional da Inde­pendên­cia não podem ser con­fun­di­das com um arroubo iso­la­do, mas expun­ham o pro­je­to autoritário”, disse Gonet.

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