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Tapetes de Corpus Christi do DF trazem memórias até além da fé

Grupos de jovens chegaram cedo e trabalharam com serragem e tinta

Luiz Clau­dio Fer­reira — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 19/06/2025 — 13:02
Brasília
Brasília - 19/06/2025 - Arquidiocese de Brasília celebra o dia de Corpus Christi. Montagem do tapete no gramado central da Esplanada dos Ministérios. Foto Antônio Cruz/ Agência Brasil.
Repro­dução: © Antônio Cruz/ Agên­cia Brasil.

O pedac­in­ho de gal­ho trans­for­mou-se em pin­cel para o artista plás­ti­co Alexan­dre Sil­va, de 45 anos. Ele chegou à Esplana­da dos Min­istérios, em Brasília, Dis­tri­to Fed­er­al, às 6h30 com a imagem de Maria desen­ha­da no papel e em sua cabeça. Os con­tornos, no final da man­hã des­ta quin­ta (19), gan­haram a for­ma de tapete para a cel­e­bração de Cor­pus Christi. Para ele, o sig­nifi­ca­do é emo­cio­nante. Não é ape­nas um desen­ho cober­to de ser­ragem, pal­ha de arroz, bor­ra de café, sal e tin­ta. As cores têm tonal­i­dades de recomeço.

Ele diz que a vida teve revi­ra­vol­ta depois de aden­trar no movi­men­to hip hop e tam­bém pela fé. Morador de Ceilân­dia, a mais pop­u­losa região admin­is­tra­ti­va do Dis­tri­to Fed­er­al, e de área de per­ife­ria, Alexan­dre recor­da, enquan­to desen­ha, que a ado­lescên­cia foi fei­ta de ima­gens de vio­lên­cia.

“Eu fazia parte de uma gangue que entra­va em con­fli­to com out­ros gangues. Até os 18 anos, muitos dos meus ami­gos mor­reram”.

Apoio

Com medo, o artista foi encam­in­hado por um famil­iar para o Movi­men­to Jovens Orga­ni­zan­do e Insti­tuin­do Amor (Joia), lig­a­do à arquid­io­cese local. “Eu não que­ria ini­cial­mente, mas se tornou impor­tante para mim”. Out­ro cam­in­ho dele, além da fé, foi o apoio de mais artis­tas de Ceilân­dia, do hip hop.

O pres­i­dente do grupo, Getúlio Sil­va, de 48 anos, que é com­er­ciário, ficou emo­ciona­do com a mon­tagem da arte. Com as mãos cober­tas de luva e ser­ragem, lem­brou quan­do a fé, segun­do ele, teria feito a difer­ença: na ocasião em que a fil­ha de oito meses de vida foi oper­a­da do coração. “Hoje ela tem 22 anos”.

Artes na Esplanada

Histórias como essa com­põem o tapete de 130 met­ros de com­pri­men­to (por qua­tro de largu­ra) em que cer­ca de 500 pes­soas, sendo a maio­r­ia de jovens de pelo menos 25 gru­pos, se envolver­am dire­ta­mente para a cel­e­bração da data na cap­i­tal.

O tapete e o altar foram mon­ta­dos no gra­ma­do cen­tral da Esplana­da. Está pre­vis­to para às 16h40 que o cardeal arce­bis­po de Brasília, Dom Paulo Cézar Cos­ta e reli­giosos passem pelo tapete em direção à mis­sa, às 17h.

Brasília - 19/06/2025 - Arquidiocese de Brasília celebra o dia de Corpus Christi. Montagem do tapete no gramado central da Esplanada dos Ministérios. Foto Antônio Cruz/ Agência Brasil.
Arquid­io­cese de Brasília cel­e­bra o dia de Cor­pus Christi. Mon­tagem do tapete no gra­ma­do cen­tral da Esplana­da dos Min­istérios. Foto Antônio Cruz/ Agên­cia Brasil

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Inclusão

Eles vão pas­sar pelo tapete que é feito de tra­jetórias como a do pro­fes­sor de filosofia Mateus Sal­ga­do, de 31 anos, que é sur­do, e pro­je­tou com a esposa, Kar­la Watan­abe, de 30, (que é ouvinte) o desen­ho de mãos reunidas, como um sinal de pedi­do de inclusão (a Deus e à sociedade).

Primeiro, desen­haram no papel. Depois no com­puta­dor. Quem colo­cou no chão de ter­ra foi out­ro inte­grante da pas­toral dos sur­dos, Gus­ta­vo Bus­ta­mante, que gos­ta de desen­har, mas é dig­i­ta­dor no dia a dia.

“A sociedade pre­cisa abraçar mais os sur­dos. Eles são muito esque­ci­dos. A gente pre­cisa uti­lizar toda a for­ma de dar vis­i­bil­i­dade à luta deles”, diz Kar­la. O mari­do esta­va comovi­do com o desen­ho que virou tapete de Cor­pus Christi. “Eu sin­to emoção de trans­mi­tir o que quer­e­mos diz­er”.

Juventude

Mais à frente, gru­pos de jovens dançavam, can­tavam e tocavam vio­lão com músi­cas que falavam sobre fé, amor, união e rec­on­cil­i­ação. Um dos tapetes, com sím­bo­lo de eucaris­tia, era feito por jovens de Samam­ba­ia Sul, out­ra região per­iféri­ca nas cer­ca­nias da cap­i­tal.

A estu­dante de nutrição Rafaela Almei­da, de 21, é cateq­ui­sta no bair­ro e teste­munha que a fé impede os cam­in­hos tor­tu­osos para as dro­gas e crimes. “Todos pre­cisam de apoio uns dos out­ros. Quan­do faze­mos o tapete, é tam­bém dessas trans­for­mações que pas­samos”.

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