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Inmet quer participar de projeto para construção de elevador espacial

Repro­dução: © Marce­lo Camargo/Agência Brasil

Pedido foi encaminhado à Nasa e a empresa japonesa


Pub­li­ca­do em 08/01/2023 — 09:08 Por Pedro Peduzzi — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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Uma ideia que, a princí­pio, parece absur­da, a par­tir de 2045 poderá começar a se tornar real­i­dade: a cri­ação de um ele­vador espa­cial que, aprovei­tan­do a força cen­trífu­ga da rotação da Ter­ra, man­terá esti­ca­do um cabo de 100 mil quilômet­ros, de for­ma a via­bi­lizar o primeiro ele­vador espa­cial da História. Se tudo der cer­to, entre os colab­o­radores deste fan­tás­ti­co empreendi­men­to estará o Insti­tu­to Nacional de Mete­o­rolo­gia (Inmet).

O pedi­do para par­tic­i­pação no empreendi­men­to já foi apre­sen­ta­do pelo Inmet à agên­cia espa­cial norte-amer­i­cana (Nasa) e à empre­sa japone­sa Obayashi. A Chi­na tam­bém desen­volve pesquisas visan­do o desen­volvi­men­to de uma estru­tu­ra desse tipo. Os estu­dos atu­ais abrangem con­ceitos, con­strução, implan­tação e oper­ação do ele­vador. Segun­do o Inmet, um pro­je­to dessa mag­ni­tude pos­si­bil­i­taria, ao Brasil, “um grande salto” econômi­co, social e tec­nológi­co.

Vantagens

Entre as van­ta­gens pro­je­tadas estão a redução do cus­to de envio de car­gas úteis para o espaço; a pos­si­bil­i­dade de trans­porte diário e em quan­ti­dade ilim­i­ta­da de qual­quer mate­r­i­al ao espaço; a cri­ação de novas estações espa­ci­ais; lança­men­to de estru­turas frágeis, como satélites de ener­gia solar para o fornec­i­men­to de ener­gia limpa e ren­ováv­el; pon­tos “insu­peráveis” de obser­vação da Ter­ra para apli­cações mil­itares e de inteligên­cia; e avanços nas áreas de tele­co­mu­ni­cações, mete­o­rolo­gia e meio ambi­ente.

No caso especí­fi­co da área de atu­ação do Inmet, além de pos­si­bil­i­tar o envio de novos satélites mete­o­rológi­cos ao espaço (amplian­do a capaci­dade de mon­i­tora­men­to da atmos­fera), o ele­vador espa­cial aux­il­iará na cober­tu­ra de áreas remo­tas sobre oceanos e con­ti­nentes, e favore­cerá “de maneira sig­ni­fica­ti­va”, o desen­volvi­men­to da agri­cul­tura brasileira.

“Em resumo, o ele­vador será uma estru­tu­ra de trans­porte per­ma­nente alter­na­ti­vo para o espaço com pega­da de car­bono zero, poden­do movi­men­tar mil­hões de toneladas de car­ga com abor­dagem ambi­en­tal neu­tra, além de per­mi­tir mis­sões ambi­en­tais sig­ni­fica­ti­vas que vão mel­ho­rar o meio ambi­ente da Ter­ra”, infor­mou o Inmet.

Cabo

Para facil­i­tar a com­preen­são dessa estru­tu­ra, bas­ta enten­der que o ele­vador espa­cial é uma espé­cie de tele­féri­co ver­ti­cal lig­a­do a um cabo sob ten­são. Com a rotação da Ter­ra, ele se man­te­ria esti­ca­do em um pro­ced­i­men­to sim­i­lar ao que se tem ao amar­rar uma pedra em uma lin­ha e girá-la.

“Os estu­dos mais avança­dos sobre o tema defen­d­em a insta­lação de uma estação base na super­fí­cie ter­restre, onde o cabo ficaria pre­so e se esten­de­ria até 100 mil quilômet­ros (km) de alti­tude. Com isso, uma das pon­tas per­manece­ria fixa à base, enquan­to a out­ra con­tin­uar­ia flu­tuan­do no espaço pre­sa a um con­trape­so, o que man­te­ria o cabo sem­pre esti­ca­do ao seguir o movi­men­to de rotação do plan­e­ta. Isso porque as forças con­cor­rentes da gravi­dade na extrem­i­dade infe­ri­or e a acel­er­ação cen­trífu­ga na extrem­i­dade mais dis­tante man­têm o cabo sob ten­são e esta­cionário em uma úni­ca posição na Ter­ra”, expli­cou, em nota, o Inmet.

Segun­do o insti­tu­to, a estação base, chama­da de ânco­ra, ficará provavel­mente insta­l­a­da em alto mar, no Atlân­ti­co Sul, próx­i­mo à lin­ha do Equador, onde não há reg­istros de tem­pes­tades e raios.

Estações

De acor­do com os pesquisadores, os ele­vadores poderão, ao lon­go do per­cur­so de 100 mil km, faz­er “paradas estratég­i­cas nas órbitas da Ter­ra, onde, inclu­sive, dev­erão ser insta­l­adas estações espa­ci­ais com inúmeras final­i­dades”.

Foguetes e naves espa­ci­ais poderão ser lança­dos aprovei­tan­do essa estru­tu­ra. Para supor­tar taman­ho peso, o mate­r­i­al a ser uti­liza­do será “alta­mente resistente e de baixís­si­ma den­si­dade”.

Um dos mate­ri­ais indi­ca­dos é o monocristal de grafeno (com­pos­to por seis car­bonos lig­a­dos infini­ta­mente), tam­bém chama­do de “fol­ha de grafeno”, que é cer­ca de 100 vezes mais forte do que o aço, sendo capaz de supor­tar tem­per­at­uras extremas, ven­tos fortes, radi­ação e mete­ori­tos.

De acor­do com os estu­dos ini­ci­ais, o cabo poderá ser escal­a­do por “meios mecâni­cos (ascen­sores por tração) para a órbi­ta da Ter­ra usan­do um sis­tema de feixe de ener­gia a laser que atin­girá os painéis foto­voltaicos dos ascen­sores e ener­gizará um motor elétri­co”. A insta­lação do ele­vador poderá ser fei­ta em várias eta­pas e com a aju­da de grandes foguetes con­ven­cionais e estru­turas de espaçon­aves.

“Na eta­pa ini­cial, o trans­porte de todo o cabo de 100 mil km seria feito até a órbi­ta ter­restre baixa, onde os satélites estão abaixo de 2 mil km. Neste pon­to, a espaçon­ave seria mon­ta­da e, em segui­da, subiria com o cabo até a órbi­ta geossín­crona (35.800 km de alti­tude ou cer­ca de um quar­to da dis­tân­cia até a Lua). De lá, ini­cia­ria o des­do­bra­men­to de ambas extrem­i­dades do cabo até a infe­ri­or atin­gir a super­fí­cie da Ter­ra e a supe­ri­or atin­gir a altura de 100 mil km. O con­trape­so na pon­ta supe­ri­or seria um con­jun­to for­ma­do pela espaçon­ave e ascen­sores, que, pos­te­ri­or­mente, reforçari­am o cabo”, detal­hou o Inmet.

Edição: Valéria Aguiar

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