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Ato reivindica direito de pessoas trans existirem em todos os lugares

Repro­dução: © Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Dia da Visibilidade Trans foi comemorado na Praia do Leme


Pub­li­ca­do em 29/01/2023 — 17:16 Por Ake­mi Nita­hara – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Em um dia de muito sol e calor no verão car­i­o­ca, um grupo de ami­gos e ami­gas resolveu comem­o­rar o seu dia de uma for­ma muito comum e nat­ur­al para tem­per­at­uras aci­ma dos 30 º Cel­sius (ºC): indo à pra­ia. Mas, para esse grupo, o ato cor­riqueiro para a maio­r­ia das pes­soas de ir à pra­ia é um ato políti­co. Eles e elas são ativis­tas, home­ns e mul­heres tran­sex­u­ais e trav­es­tis.

O coor­de­nador da Mar­cha Trans e Trav­es­ti do Rio de Janeiro, Gab Van, desta­ca que o ato Ocu­pa Leme, pra­ia na zona sul da cidade, foi pen­sa­do para expor os cor­pos con­sid­er­a­dos “fora do padrão”, na comem­o­ração do Dia da Vis­i­bil­i­dade Trans, que é cel­e­bra­do em 29 de janeiro.

“Hoje, ocu­par esse espaço, ocu­par o Leme, para a gente é um ato de mil­itân­cia. Porque muitas pes­soas nun­ca vier­am depois da sua tran­sição [de gênero]. Não voltaram às pra­ias. Então, voltar com uma out­ra per­spec­ti­va, com um out­ro olhar, com uma out­ra pre­sença, e se sentin­do acol­hi­do e per­ten­cente a esse lugar, traz não só uma qual­i­dade de vida, para além do sen­ti­men­to de per­tenci­men­to. O sen­ti­men­to de exi­s­tir. Eu pos­so exi­s­tir em todos os lugares”, disse Gab.

No Dia da Visibilidade Trans, pessoas transexuais e travestis vão à praia do Leme pelo direito de existir nos espaços com liberdade e segurança para todos os corpos.
Repro­dução: Ir à pra­ia para pes­soas tran­sex­u­ais e trav­es­tis pode rep­re­sen­tar peri­go e agressão — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Atu­ante na ONG Capac­i­trans, Ága­ta Tari­ga, disse que o Dia da Vis­i­bil­i­dade Trans remete à 2004, quan­do foi lança­da em ato em Brasília a cam­pan­ha Trav­es­ti e Respeito. Para ela, ir à pra­ia cotid­i­ana­mente pode rep­re­sen­tar peri­go e agressão.

“Nós não somos cor­pos muito passáveis, somos cor­pos diver­sos. E por ser mul­heres e home­ns trans, muitos não mas­tec­tomiza­dos, e out­ras trans com cor­pos fora do padrão, então a gente fica meio receoso de vir à pra­ia, porque só o fato de vir à pra­ia a gente já é olha­do com out­ros olhares, xinga­men­tos ou o assé­dio sex­u­al. Então se a gente ocu­par a pra­ia, todo mun­do jun­to, vai se sen­tir mais à von­tade. A gente nota que até os olhares mudam, porque muitos estão aqui. Se é uma só, um só, real­mente são difer­ente os olhares”, disse.

Ága­ta lem­bra que, nas últi­mas décadas, alguns dire­itos foram alcança­dos pela pop­u­lação trans, como faz­er a ter­apia hor­mon­al pelo SUS, o nome social nos doc­u­men­tos e o dire­ito à reti­fi­cação de nome e gênero na cer­tidão de nasci­men­to.

Bancada trans

No Dia da Visibilidade Trans, a deputada estadual eleita Dani Balbi vai com transexuais e travestis à praia do Leme pelo direito de existir nos espaços com liberdade e segurança para todos os corpos.
Repro­dução: A dep­uta­da estad­ual elei­ta Dani Bal­bi comem­o­rou a eleição de par­la­mentares trans — Fer­nan­do Frazão/Agência Brasil

Dep­uta­da estad­ual elei­ta, Dani Bal­bi comem­o­ra este históri­co 29 de janeiro, às vésperas da posse da primeira ban­ca­da trans na Câmara Fed­er­al. Os par­la­mentares eleitos em out­ubro serão empos­sa­dos na quar­ta-feira (1º).

“Nós temos ali a Duda Sal­abert, a Éri­ca Hilton, ocu­pan­do aque­le espaço com toda a qual­i­dade políti­ca, com toda a história e den­si­dade. Para diz­er que mul­heres trans, trav­es­tis, pes­soas LGBTQIA+ pre­cisam estar ali para falar de si, mas para falar tam­bém de pau­tas urgentes que inter­sec­cionam a existên­cia de pes­soas trans­sex­u­ais e trav­es­tis. E aqui no esta­do do Rio de Janeiro, eu, em out­ros lugares, em Natal a min­ha com­pan­heira Lin­da Brasil. Então são muitas exper­iên­cias, é um avanço tími­do e a gente espera que cada vez mais a gente con­tin­ue avançan­do”, disse a dep­uta­da estad­ual elei­ta.

De acor­do com Dani Bal­bi, a esti­ma­ti­va é que no Rio de Janeiro cer­ca de 15 mil pes­soas se declar­em tran­sex­u­ais. Essas pes­soas têm deman­das especí­fi­cas a serem aten­di­das pelas políti­cas públi­cas.

“A gente espera faz­er um mapea­men­to qual­i­ta­ti­va­mente den­so, não só quan­ti­ta­ti­va­mente, para que a par­tir daí a gente pos­sa balizar as políti­cas públi­cas. São fun­da­men­tais, prin­ci­pal­mente aque­las que garan­tem aces­so à edu­cação for­mal, porque a maio­r­ia das pes­soas tran­sex­u­ais e trav­es­tis aca­ba sendo eva­di­da da esco­la. E tam­bém saúde públi­ca. Porque a saúde das pes­soas tran­sex­u­ais e trav­es­tis é pecu­liar, exige algum grau de pecu­liari­dade, de especi­fi­ci­dade e de for­mação”.

Out­ros even­tos mar­cam o Dia da Vis­i­bil­i­dade Trans no Rio de Janeiro, como a feira de empreende­doris­mo 1º Mer­ca­do Mun­do Trans, no Museu de Arte do Rio na Praça Mauá e inter­venções artís­ti­cas da cena Ball­room no even­to Tran­scen­tral­i­dades, na Lapa.

Edição: Fábio Mas­sal­li

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