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Alcoolismo: especialistas explicam como abordar quem tem dependência

Repro­dução: © Mar­cel­lo Casal Jr / Agên­cia Brasil

Família deve esperar momento de sobriedade para tocar no assunto


Pub­li­ca­do em 18/02/2023 — 15:36 Por Alana Gan­dra e Heloisa Cristal­do — Repórteres da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro e Brasília

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A abstenção da bebi­da alcóoli­ca é a úni­ca for­ma de se livrar do alcoolis­mo. O aler­ta é da psicólo­ga Clau­dia Chang, mem­bro da Sociedade Brasileira de Endocrinolo­gia e Metabolo­gia (SBEM). A medi­da não é fácil e pode até exi­gir inter­nação, afir­ma a espe­cial­ista. Este sába­do (18) é mar­ca­do pelo Dia Nacional de Com­bate ao Alcoolis­mo.

“A fal­ta de bebi­da alcoóli­ca pode causar a sín­drome de abstinên­cia, quan­do a con­cen­tração de álcool no sangue diminui e cos­tu­ma ger­ar irri­tabil­i­dade, ansiedade, taquicar­dia e suor em exces­so. Em casos extremos, pode provo­car con­vul­sões e até levar a óbito”, afir­ma Chang.

Segun­do a psicólo­ga, é fun­da­men­tal bus­car aju­da espe­cial­iza­da. “O apoio de ami­gos e famil­iares é fun­da­men­tal para a recu­per­ação do alcoolis­mo, mas não é todo mun­do que con­segue ter estru­tu­ra emo­cional para lidar com a situ­ação. Alguns vín­cu­los afe­tivos, inclu­sive, podem se romper ou ficar abal­a­dos em face desse prob­le­ma”, disse a psicólo­ga.

Prazer

O pro­fes­sor da Pon­tif­í­cia Uni­ver­si­dade Católi­ca do Rio de Janeiro (PUC-RJ), psiquia­tra Jorge Jaber, disse que para a maio­r­ia da pop­u­lação no mun­do o álcool rep­re­sen­ta praz­er e man­i­fes­tação de ale­gria. No entan­to, para uma parcela cada vez maior, o con­sumo dessa sub­stân­cia pode sig­nificar um sério aba­lo à saúde. Em espe­cial, para as mul­heres.

O psiquia­tra e pres­i­dente do Cen­tro de Infor­mações sobre Saúde e Álcool (CISA), Arthur Guer­ra, afir­ma que “fal­ta praz­er” quan­do o depen­dente fica sem con­sumir a bebi­da alcóoli­ca.

“A primeira con­se­quên­cia [do alcoolis­mo], mais comum e até mais grave, é que a pes­soa não con­segue ficam sem [a bebi­da alcóoli­ca], porque não se sente à von­tade. Não é que ela bebe para ter praz­er, ela bebe porque na fal­ta do álcool tem uma sen­sação de despraz­er, fal­ta praz­er quan­do não tem o álcool. Ela bebe para aliviar essa sen­sação e então fica com a vida fecha­da, depen­dente do álcool”, expli­cou.

Abordagem

Segun­do Arthur Guer­ra, negar a condição faz parte do quadro clíni­co de uma pes­soa depen­dente do álcool.

“É uma abor­dagem muito difí­cil, em primeiro lugar, porque existe um estig­ma grande. Pes­soas que têm dependên­cia de álcool, muitas vezes não se con­sid­er­am depen­dentes. Em ger­al, acred­i­tam que são bebedores mod­er­a­dos e que param de beber quan­do querem. Essa cer­ta onipotên­cia asso­ci­a­da com a negação de que a pes­soa não tem o prob­le­ma é comum, faz parte do quadro clíni­co”, expli­ca.

Segun­do o médi­co, gru­pos de apoio, ativi­dade físi­ca e o trata­men­to medica­men­toso são impor­tantes ali­a­dos na recu­per­ação de uma pes­soa com dependên­cia de álcool. “Parar de beber, o que aju­da: gru­pos de mútua aju­da, como Alcóoli­cos Anôn­i­mos (AA); medica­men­tos que dimin­uem a von­tade de beber ou que fazem com que a pes­soa passe mal caso con­suma bebi­da alcoóli­ca – e ela tem que estar con­sciente dis­so. Ter­apia e o esporte, que aju­dam muito. A espir­i­tu­al­i­dade, seja a religião que for, tam­bém é impor­tante, pois quan­do se acred­i­ta em algu­ma coisa maior, aca­ba dan­do bons resul­ta­dos”, pon­tua.

O admin­istrador Fábio Quin­tas, colab­o­rador do Alcóoli­cos Anôn­i­mos, afir­ma que a par­tic­i­pação de famil­iares e pes­soas próx­i­mas é essen­cial no trata­men­to de depen­dentes quími­cos.

“Quase nen­hum mem­bro dos Alcóoli­cos Anôn­i­mos veio por von­tade própria para bus­car trata­men­to. A gente fala que foi por ‘livre e espon­tânea pressão’. Pressão da família, dos empre­gadores, dos ami­gos. Então pre­cisa exi­s­tir algum tipo de lim­ite e con­sen­ti­men­to das pes­soas à vol­ta, porque a prin­ci­pal car­ac­terís­ti­ca dessas pes­soas que têm prob­le­mas de alcoolis­mo é esse dis­tan­ci­a­men­to da real­i­dade. Ele não con­segue ver, pois pas­sou tan­to tem­po negan­do, min­i­mizan­do, se auto jus­ti­f­i­can­do e racional­izan­do que não con­segue enx­er­gar o taman­ho do prob­le­ma que ele tem e como aqui­lo já cor­roeu as relações e a vida dele”, ressalta.

De acor­do com Quin­tas, o momen­to ade­qua­do para abor­dar o assun­to sobre trata­men­to é quan­do a pes­soa estiv­er sóbria.

“Não adi­anta brigar, ques­tionar ou ten­tar falar que a pes­soa tem um prob­le­ma quan­do ela estiv­er bêba­da. A emoção está muito a flor da pele, a pes­soa não está con­sciente e isso gera uma dis­cussão, uma briga. O ide­al é que a pes­soa ten­ha a con­sciên­cia de esper­ar o momen­to de sobriedade, geral­mente naque­le ‘pós bebe­deira’, ressaca. E nor­mal­mente, em uma primeira abor­dagem, não vai fun­cionar. A família tem que saber que deve ten­tar de novo quan­do o prob­le­ma se repe­tir”, expli­ca.

Edição: Aline Leal

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