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Associação alerta para uso de substâncias psicoativas por motoristas

Repro­dução: © Mar­cel­lo Casal Jr / Agên­cia Brasil

Certos medicamentos afetam a capacidade de conduzir veículos


Pub­li­ca­do em 21/02/2024 — 10:08 Por Paula Labois­sière – Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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Emb­o­ra o uso de remé­dios este­ja asso­ci­a­do à pre­venção e ao trata­men­to de doenças, os efeitos colat­erais de cer­tas med­icações podem afe­tar dire­ta­mente a habil­i­dade de diri­gir. O aler­ta é da Asso­ci­ação Brasileira de Med­i­c­i­na do Tráfego (Abram­et).

A enti­dade pub­li­cou uma dire­triz de con­du­ta médi­ca que avalia o uso de diver­sos medica­men­tos – sobre­tu­do os que con­têm sub­stân­cias psi­coa­t­i­vas – e suas con­se­quên­cias para quem vai con­duzir veícu­los.

O doc­u­men­to cita a asso­ci­ação entre o uso de medica­men­tos, o desem­pen­ho na con­dução veic­u­lar e aci­dentes, com foco pre­dom­i­nante nos ansi­olíti­cos, seda­tivos, hip­nóti­cos, anti­de­pres­sivos, anal­gési­cos opióides e anti-his­tamíni­cos.

“Out­ros remé­dios pre­scritos e/ou adquiri­dos sem pre­scrição tam­bém podem afe­tar a capaci­dade de con­dução segu­ra, caso de anfe­t­a­m­i­nas, antip­sicóti­cos e relax­antes mus­cu­lares”.

Em nota, a Abram­et infor­mou que a dire­triz, des­ti­na­da a médi­cos do tráfego e demais profis­sion­ais do sis­tema de saúde, tem como propósi­to ori­en­tar políti­cas públi­cas ao chamar a atenção para os cuida­dos que o paciente deve ter quan­do assumir a direção.

A enti­dade avalia que os efeitos do uso de remé­dios sobre o ato de diri­gir devem entrar no radar tam­bém de autori­dades do Exec­u­ti­vo e do Leg­isla­ti­vo.

Recomendação

Em 2009, a asso­ci­ação chegou a recomen­dar à Agên­cia Nacional de Vig­ilân­cia San­itária (Anvisa) a uti­liza­ção de um sím­bo­lo de aler­ta nas embal­a­gens dos chama­dos Medica­men­tos Poten­cial­mente Prej­u­di­ci­ais ao Con­du­tor de Veícu­los Auto­mo­tores.

“A pre­ocu­pação da Abram­et vem da obser­vação do cenário nacional: para se ter uma ideia, dados divul­ga­dos pela Fun­dação Insti­tu­to de Admin­is­tração em con­jun­to com o Insti­tu­to Brasileiro de Exec­u­tivos de Vare­jo & Mer­ca­do de Con­sumo reg­is­tram que a com­pra de remé­dios já responde por 6,5% dos gas­tos das famílias brasileiras.”

“O Sindi­ca­to da Indús­tria de Pro­du­tos Far­ma­cêu­ti­cos divul­gou que a ven­da de medica­men­tos psiquiátri­cos dis­parou no Brasil após a pan­demia de covid-19: o con­sumo de remé­dios para ansiedade cresceu 10% de 2019 a 2022; o de seda­tivos, usa­dos para dormir, aumen­tou 33%; e o de anti­de­pres­sivos saltou 34%.”

Em 2015, o con­sumo de remé­dios foi incluí­do entre os fatores de risco para sin­istros de trân­si­to pela Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde (OMS). Já em 2018, a Orga­ni­za­ção das Nações Unidas (ONU) agre­gou esse entendi­men­to em res­olução sobre segu­rança viária. “No Brasil, até o momen­to, nen­hu­ma leg­is­lação abor­da os riscos da inter­face entre medica­men­tos e a direção de veícu­los”, desta­cou a Abram­et.

Classificação de substâncias

A dire­triz avalia um con­jun­to de medica­men­tos comu­mente usa­dos pela pop­u­lação e apon­ta os riscos asso­ci­a­dos à direção segu­ra. No doc­u­men­to, a Abram­et apre­sen­ta a clas­si­fi­cação de diver­sos princí­pios ativos no que­si­to segu­rança.

Con­fi­ra a seguir as class­es de medica­men­tos e seus respec­tivos efeitos prej­u­di­ci­ais à direção:

- anti­de­pres­sivos: sonolên­cia, hipoten­são, ton­tu­ra, diminuição do lim­i­ar con­vul­si­vo, pre­juí­zo nas funções psi­co­mo­toras;
— anti-his­tamíni­cos: sedação, aumen­to do tem­po de reação e desem­pen­ho psi­co­mo­tor prej­u­di­ca­do;
— ben­zo­di­azepíni­cos: quase todos os domínios cog­ni­tivos do desem­pen­ho do con­du­tor são afe­ta­dos;
— hip­nóti­cos Z: sedação, lap­sos de atenção, erros de ras­trea­men­to, diminuição do esta­do de aler­ta, insta­bil­i­dade cor­po­ral;
— opiáceos: sedação, diminuição do tem­po de reação, de reflex­os e de coor­de­nação, déficit de atenção, miose (pupi­las con­traí­das) e diminuição da visão per­iféri­ca.

Orientações

O doc­u­men­to tam­bém ofer­ece um con­jun­to de ori­en­tações não ape­nas para médi­cos do tráfego, como tam­bém para os demais profis­sion­ais de saúde que pre­screvem medica­men­tos e para os próprios motoris­tas usuários dessas med­icações.

Ao médi­co do tráfego, a Abram­et define um pas­so a pas­so no exame de aptidão, desta­can­do os pon­tos de atenção a serem obser­va­dos pelo espe­cial­ista.

“A enti­dade infor­ma que não cabe ao médi­co do tráfego ques­tionar o uso de medica­men­tos pelo can­dida­to a con­du­tor, mas sim, avaliar os riscos e infor­má-los.”

Já para o médi­co que pre­screve a medição, a asso­ci­ação recomen­da que ele informe aos pacientes os impactos poten­ci­ais da med­icação sobre a con­dução veic­u­lar e ori­ente sobre o cuida­do redo­bra­do durante o uso do remé­dio.

“Para muitas doenças há opções de trata­men­to, opte por pre­scr­ev­er medica­men­tos que ten­ham demon­stra­do ser desprovi­dos de efeitos prej­u­di­ci­ais sobre capaci­dade de con­dução”, reforça a dire­triz.

Por fim, a enti­dade faz um aler­ta ao motorista, esclare­cen­do que tipo de medica­men­to pode afe­tar sua capaci­dade de diri­gir:

“Podem prej­u­dicar o motorista: remé­dios para dor, depressão, dormir, epilep­sia, aler­gia, doenças dos olhos, ema­gre­cer, gripe, entre out­ros, cau­san­do ton­turas, difi­cul­dades de con­cen­tração, mania, con­fusão, alu­ci­nações, con­vul­sões, dis­túr­bios visuais, bem como sonolên­cia e sedação.”

“Per­gunte sem­pre ao seu médi­co se o medica­men­to por ele receita­do pode prej­u­dicar a direção”, con­cluiu a Abram­et.

Edição: Denise Griesinger

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