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Menor IMC para bariátrica foi maior avanço de resolução, diz médico

Especialista adverte que cirurgia é tratamento e não cura da obesidade

Ana Cristi­na Cam­pos — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 21/05/2025 — 17:57
Rio de Janeiro
Brasília (DF) 18/03/2025 - Conselho Federal de Medicina (CFM). Foto: CFM
Repro­dução: © CFM

Médi­cos e espe­cial­is­tas avaliaram como pos­i­ti­vas as mudanças nas regras do Con­sel­ho Fed­er­al de Med­i­c­i­na (CFM) para real­iza­ção de cirur­gias bar­iátri­c­as. Na opinião do médi­co Alfre­do Mar­tins Fontes, chefe do serviço de cirur­gia bar­iátri­ca do Hos­pi­tal São Vicente de Paulo, no Rio de Janeiro, o prin­ci­pal avanço da Res­olução 2.429/25 foi incluir pacientes com Índice de Mas­sa Cor­pórea (IMC) aci­ma de 30 para a cirur­gia, des­de que ten­ham algu­mas condições especí­fi­cas.

“Ess­es pacientes vão se ben­e­fi­ciar muito da cirur­gia bar­iátri­ca. Quan­do se con­sid­era o trata­men­to da obesi­dade, a gente con­sid­era que o paciente fez uma série de trata­men­tos antes e o resul­ta­do foi pífio ou o paciente está expos­to a um risco muito alto e aca­ba haven­do a recomen­dação da cirur­gia bar­iátri­ca”, defend­eu.

As condições pre­vis­tas para que o paciente pos­sa faz­er a cirur­gia com o IMC a par­tir de 30 são dia­betes tipo 2, doença car­dio­vas­cu­lar grave com lesão em órgão alvo (como coração ou rim), doença renal crôni­ca pre­coce em decor­rên­cia do dia­betes tipo 2, apneia do sono grave, doença gor­durosa hep­áti­ca não alcoóli­ca com fibrose, afecções com indi­cação de trans­plante e refluxo gas­troe­sofági­co com indi­cação cirúr­gi­ca ou osteoartrose grave.

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Antes da res­olução, a cirur­gia era fei­ta em pes­soas com IMC aci­ma de 35. O espe­cial­ista ressalta que há um grupo de pacientes dia­béti­cos que não tin­ha o IMC aci­ma de 35 que não estavam con­tem­pla­dos pelas nor­ma­ti­vas até então exis­tentes.

“Mas os médi­cos ver­i­fi­cavam que todos os pacientes tin­ham uma mel­ho­ra muito grande do dia­betes e começaram a perce­ber que a cirur­gia pode­ria ser bené­fi­ca tam­bém para ess­es pacientes”,explicou o cirurgião.

Lev­an­ta­men­to da Sociedade Brasileira de Cirur­gia Bar­iátri­ca e Metabóli­ca mostra que, entre 2020 e 2024, foram real­izadas no Brasil 291.731 mil cirur­gias bar­iátri­c­as, sendo 260.380 cirur­gias por meio dos planos de saúde e 31.351 pro­ced­i­men­tos pelo Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS). O número de cirur­gias par­tic­u­lares gira em torno de 10 mil pro­ced­i­men­tos.

Risco de vida

O CFM tam­bém pas­sou a recon­hecer a real­iza­ção da cirur­gia em pacientes a par­tir dos 14 anos de idade nos casos de obesi­dade grave (IMC maior que 40) asso­ci­a­da a com­pli­cações clíni­cas, des­de que com a dev­i­da avali­ação da equipe mul­ti­dis­ci­pli­nar e con­sen­ti­men­to dos respon­sáveis. Ado­les­centes entre 16 e 18 anos que este­jam enquadra­dos nos critérios esta­b­ele­ci­dos para os adul­tos têm aces­so à cirur­gia e tam­bém os respon­sáveis e a equipe médi­ca devem con­cor­dar com o pro­ced­i­men­to.

“São pacientes em que nen­hum trata­men­to con­seguiu ter resul­ta­dos sat­is­fatórios, têm IMC aci­ma de 40, asso­ci­a­dos com com­pli­cações que podem levar esse paciente à morte. Num con­jun­to de decisões entre pais e médi­cos, pode se indicar a cirur­gia para ess­es pacientes. Mas são casos raros. A maior parte dos pacientes tem aci­ma de 18 anos”, disse Fontes.

A pres­i­dente do con­sel­ho delib­er­a­ti­vo da Asso­ci­ação Brasileira para o Estu­do da Obesi­dade e Sín­drome Metabóli­ca (ABESO) e dire­to­ra do depar­ta­men­to de Obesi­dade da Sociedade Brasileira de Endocrinolo­gia e Metabolo­gia (SBEM), Cin­tia Cer­ca­to, desta­ca que a cirur­gia para ado­les­centes a par­tir de 14 anos é para casos muito excep­cionais, com risco de vida. “Mas a gente está ten­do um aumen­to impor­tante de casos de obesi­dade na infân­cia e ado­lescên­cia”, ressaltou.

Técnicas cirúrgicas

As cirur­gias mais indi­cadas pelos espe­cial­is­tas são a Bypass gástri­co em Y de Roux e a gas­trec­to­mia ver­ti­cal (sleeve gástri­co). “Essas cirur­gias são atual­mente as oper­ações com maior embasa­men­to cien­tí­fi­co na lit­er­atu­ra mundi­al, sendo alta­mente recomen­dadas na maio­r­ia abso­lu­ta das situ­ações clíni­cas dev­i­do à segu­rança e eficá­cia”, esclarece o CFM.

Cirur­gias alter­na­ti­vas, com indi­cação pri­mor­dial para pro­ced­i­men­tos revi­sion­ais (quan­do o paciente teve algu­ma com­pli­cação ou recu­per­ou muito peso depois de uma cirur­gia), tam­bém são definidas na nor­ma, sendo elas: duo­de­nal switch com gas­trec­to­mia ver­ti­cal, bypass gástri­co com anas­to­mose úni­ca, gas­trec­to­mia ver­ti­cal com anas­to­mose duo­de­no-ileal e gas­trec­to­mia ver­ti­cal com bipar­tição do trân­si­to intesti­nal.

A Res­olução CFM 2.429/25 enu­mera como cirur­gias desacon­sel­hadas a ban­da gástri­ca ajustáv­el e a cirur­gia de scopinaro, antes per­mi­ti­das. Para o CFM, ess­es pro­ced­i­men­tos apre­sen­taram resul­ta­dos insat­is­fatórios e “per­centu­al proibiti­vo de com­pli­cações graves pós-oper­atórias”.

A endocri­nol­o­gista diz que no Brasil a téc­ni­ca mais uti­liza­da é Bypass gástri­co em Y de Roux, mas que tem cresci­do muito a indi­cação para a gas­trec­to­mia ver­ti­cal . Ela acres­cen­ta que as téc­ni­cas ban­idas pelo CFM estão em desu­so no meio médi­co seja porque tin­ham baixa eficá­cia ou porque trazi­am um risco maior ao paciente.

Restrições

O CFM esta­b­ele­ceu que o médi­co habil­i­ta­do a faz­er esse pro­ced­i­men­to é o cirurgião ger­al ou cirurgião do apar­el­ho diges­ti­vo, com habil­i­tação para cirur­gia bar­iátri­ca.

A Res­olução CFM 2.429/25 é mais especí­fi­ca em relação às car­ac­terís­ti­cas do local de real­iza­ção da cirur­gia, definin­do que deve ser real­iza­da em hos­pi­tal de grande porte, com capaci­dade para cirur­gias de alta com­plex­i­dade, com UTI e plan­ton­ista 24 horas.

Cirur­gias em pacientes com IMC supe­ri­or a 60 devem ser real­izadas em hos­pi­tais com capaci­dade físi­ca, como camas, macas, mesa cirúr­gi­ca, cadeira de rodas e out­ros equipa­men­tos, e equipe mul­ti­dis­ci­pli­nar prepara­dos para atendi­men­to a ess­es pacientes “por serem mais propen­sos a even­tos adver­sos dev­i­do a maior com­plex­i­dade de sua doença”, desta­ca o CFM.

Antes, a exigên­cia era que o pro­ced­i­men­to fos­se real­iza­do em hos­pi­tal com UTI e com condições para aten­der pacientes com obesi­dade mór­bi­da.

Cirurgia não é cura

Os médi­cos são unân­imes em afir­mar que a cirur­gia bar­iátri­ca não vai curar a obesi­dade. Segun­do Cin­tia Cer­ca­to, a obesi­dade é uma doença crôni­ca, com­plexa, neu­ro­quími­ca.

“A cirur­gia é a prin­ci­pal for­ma de trata­men­to com maior eficá­cia e maior efe­tivi­dade no lon­go pra­zo. No entan­to, a gente tem a recor­rên­cia da obesi­dade em alguns casos porque a cirur­gia não cor­rige a causa base da doença. Ela aux­il­ia no con­t­role. Quan­do se faz a cirur­gia, há um ajuste de hor­mônios que mel­ho­ram o con­t­role da fome e da saciedade. A gente tem um grau que não é desprezív­el de pes­soas que, mes­mo oper­adas, depois de alguns anos, voltam a recu­per­ar o peso porque a doença con­tin­ua. A cirur­gia é uma fer­ra­men­ta de trata­men­to”, com­ple­ta a endocri­nol­o­gista.

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