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Tarifas dos EUA devem derrubar preços e afetar setores estratégicos

Especialistas apontam chantagem de Trump em sanções contra o Brasil

Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 09/07/2025 — 21:27
Brasília
Rio de Janeiro - Fotos do porto do Rio de Janeiro
Repro­dução: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

imposição de tar­i­fas com­er­ci­ais de 50% sobre todos os pro­du­tos expor­ta­dos pelo Brasil aos Esta­dos Unidos (EUA) sig­nifi­cará, na práti­ca, um fechamen­to de mer­ca­do entre os dois país­es, com impactos em setores indus­tri­ais estratégi­cos, com reflex­os em empre­gos e tam­bém no preço de ali­men­tos. A avali­ação é de espe­cial­is­tas con­sul­ta­dos pela Agên­cia Brasil.

Em car­ta ao pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula da Sil­va, nes­ta quar­ta-feira (9), o pres­i­dente dos EUA, Don­ald Trump, anun­ciou que as sanções pas­sam a valer a par­tir do dia 1º de agos­to.

“Do total das expor­tações do Brasil, cer­ca de 15% vão para os Esta­dos Unidos. Mas é impor­tante destacar que é sobre­tu­do pro­du­to man­u­fat­u­ra­do e semi­man­u­fat­u­ra­do. Se isso se man­tiv­er, nós vamos ter desem­prego no Brasil, vamos ter uma diminuição da entra­da de dólares no país e isso é muito grave”, apon­ta o pro­fes­sor Rober­to Goulart Menezes, do Insti­tu­to de Relações Inter­na­cionais da Uni­ver­si­dade de Brasília (UnB) e pesquisador do Insti­tu­to Nacional dos EUA (INEU).

Produtos afetados

Em sín­tese, petróleo bru­to, minério de fer­ro, aço, máquinas, aeron­aves e pro­du­tos eletrôni­cos estão entre os mais expor­ta­dos do Brasil para os EUA. Entre essas empre­sas, haverá impacto nas expor­tações da Embraer e tam­bém da Petro­bras.

“Embraer tem um mer­ca­do razoáv­el nos EUA com alguns dos seus jatos, e a Petro­bras expor­ta petróleo para lá. Elas podem dis­si­par essas ven­das para out­ros país­es, mas tra­ta-se de encar­e­cer o mer­ca­do mais impor­tante de todos, que é o norte-amer­i­cano”, obser­va Alexan­dre Pires, pro­fes­sor de relações inter­na­cionais e econo­mia no Ibmec-SP.

No setor de agronegó­cio, açú­car, café, suco de laran­ja e carne rep­re­sen­tam os prin­ci­pais itens da pau­ta brasileira aos norte-amer­i­canos. Um dos efeitos colat­erais, de cur­to pra­zo, deve ser a que­da de preços no mer­ca­do inter­no, espe­cial­mente das com­modi­ties agrí­co­las que deixarão de ser expor­tadas.

“Toda vez que ocorre algum tipo de fechamen­to, mes­mo quan­do é auto embar­go, por questões fitossan­itárias, por exem­p­lo, os preços caem, como é o caso do preço da carne. E é prováv­el que isso acon­teça, seja com carne, suco de laran­ja e café”, desta­ca Alexan­dre Pires.

Pires pro­je­ta uma pressão das elites econômi­cas afe­tadas por uma nego­ci­ação ráp­i­da para a rever­são das tar­i­fas, porque o pior cenário é a manutenção das sanções por um tem­po pro­lon­ga­do.

“Quan­do falam­os de tar­i­fa, ain­da que elas sejam reduzi­das, imag­ine seis meses, um ano ou mais nes­sa situ­ação. O prob­le­ma vai ser depois retomar de vol­ta ess­es mer­ca­dos”, apon­ta.

Ape­sar de Trump ter acu­sa­do o Brasil de man­ter uma relação com­er­cial injus­ta, o fato é que o fluxo com­er­cial dos dois país­es tem um vol­ume de cer­ca de US$ 80 bil­hões por ano. Ao con­sid­er­ar a bal­ança com­er­cial (expor­tações menos impor­tações), os Esta­dos Unidos ain­da man­têm superávit de US$ 200 mil­hões com o Brasil.

Postura chantagista

O anún­cio de Don­ald Trump se soma a out­ras medi­das que seu gov­er­no tem ado­ta­do con­tra diver­sos par­ceiros com­er­ci­ais, inclu­sive sócios históri­cos como Canadá, Méx­i­co, Cor­eia do Sul e Japão. Na avali­ação Rober­to Goulart, pro­fes­sor da UnB, tra­ta-se de um méto­do de chan­tagem, que está mais forte ago­ra do que no manda­to ante­ri­or.

“O que o Don­ald Trump está fazen­do é ten­tar blo­quear o comér­cio Brasil e Esta­dos Unidos, uma chan­tagem. Essas tar­i­fas não são razoáveis. Ago­ra, é pre­ciso aguardar para saber se haverá espaço para nego­ci­ação efe­ti­va”, apon­ta.

Para Alexan­dre Pires, do Ibmec-SP, a tar­i­fa de 50% sobre pro­du­tos brasileiros está, na média, 25% maior do que a Trump apli­cou sobre out­ros país­es, o que teria relação dire­ta com a dimen­são políti­ca do episó­dio.

“Essa tar­i­fa con­tra o Brasil apre­sen­ta vários com­po­nentes, efeito STF, efeito Brics, efeito reg­u­lação das redes soci­ais. E, por últi­mo, supostas razões com­er­ci­ais, de rec­i­pro­ci­dade tar­ifária”.

A decisão de Trump con­tra o Brasil ocorre na mes­ma sem­ana em que Trump e Lula tro­caram críti­cas por con­ta da real­iza­ção da cúpu­la do Brics, blo­co que reúne as maiores econo­mias emer­gentes do plan­e­ta, no Rio de Janeiro. Trump chegou a ameaçar os país­es do grupo com imposição de tar­i­fas com­er­ci­ais, o que ago­ra se mate­ri­al­iza no caso brasileiro.

“Trump con­funde mul­ti­po­lar­i­dade e trans­for­mações na dinâmi­ca da geopolíti­ca glob­al com anti­amer­i­can­is­mo ou anti-EUA. No fun­do, para ele, enfrentar o Brics é uma for­ma de enfrentar a Chi­na, o grande rival com­er­cial”, anal­isa Rober­to Goulart.

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