...
sexta-feira ,16 janeiro 2026
Home / Noticias / Cartilha mostra como evitar vetores e pragas após alagamentos

Cartilha mostra como evitar vetores e pragas após alagamentos

Repro­dução: © CFQ/Divulgação

Objetivo é prevenir doenças como leptospirose, hepatite e tétano


Pub­li­ca­do em 20/02/2024 — 07:30 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

ouvir:

A pre­visão de novos tem­po­rais e enchentes por todo o país lev­ou o Con­sel­ho Fed­er­al de Quími­ca (CFQ) a elab­o­rar uma car­til­ha aler­tan­do a pop­u­lação para evi­tar e con­tro­lar o surg­i­men­to de pra­gas em casa, prin­ci­pal­mente aque­las que resi­dem ou se deslo­cam em locais propen­sos a alaga­men­tos.

O con­sel­heiro Ubiracir Lima, do CFQ, lem­brou que todo ano, a pop­u­lação brasileira enfrenta prob­le­mas resul­tantes de chu­vas inten­sas, como difi­cul­dade de escoa­men­to e prob­le­mas san­itários, que provo­cam uma série de agravos à saúde. “Em situ­ações de emergên­cia, o essen­cial é tomar cuida­do com a água, ali­men­tos e a própria higiene”, desta­cou Lima em entre­vista à Agên­cia Brasil.

Nes­sas situ­ações, muitas doenças podem ser trans­mi­ti­das, como lep­tospirose, hepatite, tétano, e viros­es como diar­réias agu­das. “E, óbvio, tem deslo­ca­men­to de alguns ani­mais peçon­hen­tos. Eles tam­bém fogem dess­es alaga­men­tos. Deve-se ter espe­cial cuida­do porque o con­ta­to conosco pode orig­i­nar alguns prob­le­mas, prin­ci­pal­mente em locais de enchentes e destroços”.

Além de con­sel­heiro do CFQ, Ubiracir Lima é mem­bro da Câmara Téc­ni­ca de Saneantes (Cates), da Agên­cia Nacional de Vig­ilân­cia San­itária (Anvisa). Ele aler­ta que antes de usar qual­quer pro­du­to desin­fe­tante, o cidadão deve con­ferir se ele foi reg­u­la­do ou não pela Anvisa, no site do órgão.

“Ele pode aces­sar o site da Anvisa para saber o sta­tus de deter­mi­na­do pro­du­to e se aque­le arti­go que ela vai adquirir está reg­u­lar­iza­do ou não na Anvisa, ou se é um pro­du­to clan­des­ti­no. O risco é que o pro­du­to clan­des­ti­no não fun­ciona”. Na rotu­lagem há, inclu­sive, infor­mações pre­cisas sobre como uti­lizar aque­le pro­du­to e quais são os riscos que apre­sen­ta.

Desinfecção

O con­sel­heiro do CFQ avaliou, por out­ro lado, que nem toda pop­u­lação tem aces­so a pro­du­tos indus­tri­al­iza­dos para desin­fecção de água ou ambi­ente quan­do ocor­rem alaga­men­tos, para evi­tar agravos à saúde, ou mes­mo capaci­dade de aquisição dess­es arti­gos. Por isso, indi­cou pro­du­tos que são de baixís­si­mo cus­to. Os prin­ci­pais são água san­itária e sabão. “Na nos­sa car­til­ha, a gente men­ciona algu­mas téc­ni­cas para a própria pes­soa uti­lizar esse desin­fe­tante uni­ver­sal e estratégi­co que nós temos no Brasil com algu­mas diluições, para poder tra­bal­har”.

Para ter aces­so a água potáv­el em situ­ações de emergên­cia em saúde, a recei­ta é fil­trar a água com pano, fer­v­er por alguns min­u­tos e, em segui­da, adi­cionar duas gotas de água san­itária por litro. “Estou pro­duzin­do ago­ra meu desin­fe­tante que pode ser usa­do em situ­ação emer­gen­cial para desin­feção de uma água para con­sumo. Para fru­tas, legumes, ver­duras que ten­ham tido con­ta­to com água de enchente, há pro­du­to indus­tri­al­iza­do e reg­u­la­do pela Anvisa, disse Ubiraci Lima. No entan­to, se o cidadão se encon­trar em uma região de alaga­men­to, com iso­la­men­to de alguns gru­pos, pode recor­rer à água fil­tra­da e fer­vi­da com uma col­her de sopa de água san­itária para cada litro de água, uti­lizan­do essa solução para a desin­fecção de hor­tifruti­granjeiros.

Para a limpeza de pisos e pare­des, após lavá-los com água e sabão, deve-se, em segui­da, bus­car o proces­so de desin­fecção, saben­do que é pre­ciso adi­cionar mais de uma col­her de sopa de água san­itária para cada litro de água. “E vou pas­sar essa solução em pisos e nas próprias pare­des. Eu estou evi­tan­do aque­le micror­gan­is­mo que pos­sa me levar a agravos de saúde”.

Con­tra vetores e pra­gas urbanos, a indi­cação do con­sel­heiro do CFQ é evi­tar amon­toa­d­os de madeiras e de resí­du­os orgâni­cos, que são restos de ali­men­tos. A ori­en­tação é colo­car ess­es mate­ri­ais em sacos iso­la­dos e ten­tar remover da região onde a pes­soa se encon­tra, bus­can­do caçam­bas ou situ­ações que ten­ham sido pen­sadas pela própria comu­nidade para ten­tar armazenar ess­es resí­du­os. “Dessa for­ma, eu vou ten­tar evi­tar ao máx­i­mo o aparec­i­men­to dess­es vetores”. Indi­cou tam­bém repe­lentes, pes­ti­ci­das indus­tri­al­iza­dos que são reg­u­la­dos pela Anvisa.

Descarte

No caso de enx­ur­radas, mate­ri­ais que absorvem água, como colchões e trav­es­seiros devem ser descar­ta­dos, porque ficam impreg­na­dos. Já os obje­tos que não absorvem água podem rece­ber o proces­so de limpeza ime­di­a­to com água e sabão em abundân­cia, lem­bran­do que essa água foi fil­tra­da e fer­vi­da e rece­beu algu­mas gotas de água san­itária, deixan­do os obje­tos em con­ta­to por cer­ca de 30 min­u­tos.

Depois, pode-se usar álcool 70% nos obje­tos não absorventes ou a solução de água com duas col­heres de água san­itária por litro.

Se a caixa d’água encheu e entrou um pouco de lama, Lima recomen­da que ela seja esvazi­a­da e higi­en­iza­da, lavando‑a com água fil­tra­da e fer­vi­da mis­tu­ra­da com duas gotas de água san­itária para cada litro. Depois dis­so, enche-se a caixa d’água, adi­cio­nan­do-se duas col­heres de sopa, de novo, de água san­itária por litro.

“Vou mul­ti­pli­can­do o número de col­heres de acor­do com a quan­ti­dade de litros que con­tém min­ha caixa d’água. E vou deixar em con­ta­to por, no mín­i­mo, 30 min­u­tos. Depois, vou remover essa água com sabão e lavar a caixa de novo com água fil­tra­da e fer­vi­da, mais uma vez com duas gotas de água san­itária por litro”, expli­ca.

No caso de cis­ter­nas, entre­tan­to, a ori­en­tação é bus­car um espe­cial­ista, ou mes­mo um agente ofi­cial da região ou da prefeitu­ra, antes de usar. “Para faz­er uma análise micro­bi­ológ­i­ca, para ver­i­ficar se existe algum tipo de con­t­a­m­i­nante, ou seja, algum tipo de micror­gan­is­mo.

Prevenção

As cam­pan­has do CFQ são feitas anual­mente, mas, segun­do Ubiracir Lima, essas situ­ações de emergên­cia em saúde públi­ca pode­ri­am ser evi­tadas se as autori­dades fos­sem pró-ati­vas e começassem a pen­sar na tem­po­ra­da de chu­vas no iní­cio do ano, antes da estação de verão, porque, talvez, se enten­desse quais são as comu­nidades mais sen­síveis e despro­te­gi­das e fos­sem mon­tadas cam­pan­has prévias.

“E elab­o­rassem políti­cas públi­cas que fos­sem pre­ven­ti­vas aos agravos que acon­te­cem todo ano”. Limpeza de ruas, manutenção de sis­temas de escoa­men­to são medi­das de pre­venção e con­t­role que dev­e­ri­am ser feitas, apon­tou. “O gov­er­no fed­er­al pode con­tar com nos­sa aju­da e nos­so suporte, ele sendo o capitão dessas ativi­dades estru­tu­radas”, con­cluiu Ubiracir Lima.

Cartilha

A car­til­ha foi elab­o­ra­do em parce­ria com a Asso­ci­ação dos Con­tro­ladores de Vetores e Pra­gas Urbanas (Aprag), o Sindi­ca­to das Empre­sas de Con­t­role de Vetores e Pra­gas Urbanas (Sind­prag) e a Asso­ci­ação Brasileira das Indús­trias de Pro­du­tos de Higiene, Limpeza e Saneantes (Abi­pla).

O mate­r­i­al apre­sen­ta estraté­gias e cuida­dos necessários para evi­tar infes­tações de pra­gas e vetores urbanos, em uma lin­guagem sim­ples e acessív­el. As car­til­has se assemel­ham com histórias em quadrin­hos e podem ser aces­sadas em for­ma­to dig­i­tal, no site do CFQ.

Edição: Sab­ri­na Craide

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

Decisão ocorre após pedido do procurador-geral da República Pedro Rafael Vilela — Repórter da Agên­cia …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d