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Com carnaval cancelado, turismo e comércio tomam medidas contra crise

Sambódromo da Marquês de Sapucaí vazio
© Tomaz Silva/Agência Brasil (Repro­dução)

Maior atração turística brasileira, carnaval de 2021 será restrito


Pub­li­ca­do em 13/02/2021 — 08:15 Por Luciano Nasci­men­to, Cristi­na Índio do Brasil e Marce­lo Brandão — Repórteres da Agên­cia Brasil — Brasília

O car­naval é con­sid­er­a­do a maior comem­o­ração pop­u­lar do país. É o momen­to esper­a­do por mui­ta gente para via­jar e aproveitar inten­sa­mente a folia. A tradição brasileira reúne mul­ti­dões em diver­sas cidades — cenário per­feito para a trans­mis­são gen­er­al­iza­da do novo coro­n­avírus. A questão san­itária resul­tou no can­ce­la­men­to da fes­ta deste ano.

A pre­ocu­pação com a invi­a­bil­i­dade de grandes car­navais já esta­va em dis­cussão des­de o ano pas­sa­do, quan­do gov­er­nadores e órgãos de tur­is­mo e saúde se reuni­ram em diver­sos esta­dos para dis­cu­tir o cenário. Algu­mas das maiores fes­tivi­dades de rua do Brasil, como as das cidades de São PauloSal­vador e Rio de Janeiro já tin­ham sido avali­adas como imprat­icáveis, que­bran­do tradições que duravam mais de um sécu­lo.

O pre­juí­zo cau­sa­do pelo can­ce­la­men­to não se resume à saudade da folia. O car­naval movi­men­ta a econo­mia brasileira e é, em muitos pon­tos turís­ti­cos, o ápice de arrecadação anu­al e a maior opor­tu­nidade de novos negó­cios para micro, pequenos e médios empresários. Entre­tan­to, a pre­ocu­pação com a pos­si­bil­i­dade de con­tá­gio acel­er­a­do de covid-19 em decor­rên­cia do car­naval resul­tou em medi­das sev­eras para o perío­do.

Tra­bal­hadores de diver­sos setores que depen­dem da movi­men­tação com­er­cial ger­a­da pelo tur­is­mo e pelo con­sumo do car­naval bus­cam alter­na­ti­vas e apoio do gov­er­no para mit­i­gar o impacto das per­das finan­ceiras inevitáveis.

Agên­cia Brasil reuniu as prin­ci­pais medi­das e reflex­os em relação ao can­ce­la­men­to das fes­tivi­dades em locais com grande fluxo de pes­soas e inten­sa movi­men­tação econômi­ca durante o perío­do do car­naval. Con­fi­ra:

Rio de Janeiro

Para as esco­las de sam­ba do grupo espe­cial, con­sid­er­a­do a elite do car­naval do Rio, é grande o baque com a sus­pen­são dos des­files neste ano. O impacto vai des­de a per­da de receitas até os reflex­os na vida dos tra­bal­hadores da exten­sa cadeia que envolve os des­files para a esco­la chegar à pas­sarela do sam­ba no domin­go (14) ou na segun­da-feira (15) de car­naval. Para o pres­i­dente da Liga Inde­pen­dente das Esco­las de Sam­ba do Rio de Janeiro (Liesa), Jorge Cas­tan­heira, a pre­ocu­pação é que grande parte dessas pes­soas não tem emprego fixo durante o ano e só quan­do começa a movi­men­tação dos bar­racões que con­seguem um tra­bal­ho com remu­ner­ação.

“O obje­ti­vo nos­so é dar condição de suporte finan­ceiro às pes­soas que tra­bal­ham no car­naval e que ao lon­go do ano de 2020 e ago­ra no iní­cio de 2021 estão sem ativi­dade. A quan­ti­dade de pes­soas varia, porque alguns tra­bal­ham para mais de uma esco­la, por exem­p­lo, o fer­reiro, o carpin­teiro. Evi­dente que é muito difí­cil para todos nós, mas temos que admin­is­trar em função do que está acon­te­cen­do”, disse Jorge Cas­tan­heira à Agên­cia Brasil.

Receita

Segun­do o pres­i­dente, a recei­ta anu­al com ven­da de ingres­sos, dire­itos de trans­mis­são tele­vi­sivos e patrocínios varia entre R$ 120 mil­hões e R$ 150 mil­hões. Nada dis­to vai ocor­rer este ano, mas as esco­las Bei­ja-Flor, Grande Rio, Moci­dade e Viradouro rece­berão R$ 150 mil cada para a escol­ha dos sam­ba-enre­dos. O even­to terá trans­mis­são online. Em con­tra­parti­da, as esco­las dev­erão faz­er qua­tro apre­sen­tações durante a clas­si­fi­cação.

Com o tema “Revolution is all we need” (Revolução é tudo o que precisamos, em português), o Sargento Pimenta faz a festa no Aterro do Flamengo, na região central do Rio de Janeiro, tocando músicas dos Beatles em ritmos brasileiros.
Con­sid­er­a­do um dos maiores car­navais do mun­do, folia no Rio de Janeiro é respon­sáv­el por grande parte da movi­men­tação finan­ceira de pequenos com­er­ciantes — Tânia Rêgo/Agência Brasil (Repro­dução)

Os recur­sos serão cap­ta­dos por meio da Lei Aldir Blanc, nos ter­mos do edi­tal Fomen­ta Fes­ti­val RJ. De acor­do com a Sec­re­taria de Esta­do de Cul­tura e Econo­mia Cria­ti­va do Rio de Janeiro, a Liesa tam­bém rece­beu R$ 100 mil com o edi­tal Retoma­da Cul­tur­al RJ, vin­cu­la­do à Lei Aldir Blanc.

A Liga Inde­pen­dente das Esco­las de Sam­ba do Brasil (Liesb), que reúne esco­las da Série A e dos gru­pos da Inten­dente Mag­a­l­hães, na zona norte, será con­tem­pla­da com o mes­mo val­or.

Para as esco­las do grupo espe­cial que não se enquadraram no edi­tal, a sec­re­taria anal­isou a lib­er­ação de val­or igual para cobrir as despe­sas com a escol­ha do sam­ba de for­ma vir­tu­al.

Na visão da secretária Danielle Bar­ros, o car­naval do Rio tem enorme importân­cia cul­tur­al e econômi­ca para a cidade e para o esta­do. “É fun­da­men­tal man­ter ati­va essa indús­tria que gera tan­tos empre­gos e serve de vit­rine para o Brasil e o mun­do”, disse.

Hotelaria

Out­ro setor que sofre impacto com a sus­pen­são do car­naval este ano é o da hote­lar­ia. Emb­o­ra uma prévia da pesquisa do Sindi­ca­to dos Meios de Hospeda­gens do Municí­pio (Hotéis Rio) ref­er­ente à deman­da para o perío­do entre 12 e 16 de fevereiro ten­ha indi­ca­do uma média de ocu­pação de 41% da rede da cap­i­tal, o pres­i­dente da enti­dade, Alfre­do Lopes, está apo­s­tan­do que o per­centu­al vai alcançar 65%.

Hotéis car­i­o­cas se preparam para ocu­pação abaixo da média para o perío­do — Arquivo/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil (Repro­dução)

“É uma ocu­pação muito boa e pro­va a atra­tivi­dade do Rio como cidade inde­pen­dente do car­naval. As pes­soas que fiz­er­am reser­vas já sabi­am que não ia ter car­naval. Elas vêm para cá em tro­ca do que a cidade pode ofer­e­cer: pra­ias, Flo­res­ta da Tiju­ca, roda gigante, museus, shop­pings e restau­rantes. A diver­si­dade do Rio encan­ta as pes­soas, por isso ter­e­mos essa ocu­pação”, disse.

Lopes acres­cen­tou que o tur­is­mo inter­no atual­mente sus­ten­ta o setor. A maior parte de vis­i­tantes vem de São Paulo, Minas Gerais e Espíri­to San­to. O setor de hote­lar­ia se orga­ni­zou para garan­tir segu­rança aos tur­is­tas com medi­das san­itárias, o que influ­en­ciou na escol­ha pelo Rio, afir­mou o diri­gente.

Bares e restaurantes

A pre­ocu­pação do setor de bares e restau­rantes com o can­ce­la­men­to do car­naval este ano é foca­da nos esta­b­elec­i­men­tos do cen­tro da cap­i­tal. Empresários da região da Lapa esti­maram que­da de até 70% em relação ao car­naval do ano pas­sa­do. Já na zona sul, o fat­u­ra­men­to de restau­rantes pode ter per­da de até 50% na com­para­ção com o perío­do de 2020. Na zona norte, restau­rantes esti­maram cresci­men­to nas ven­das.

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Bares e restau­rantes não terão a movi­men­tação tradi­cional durante o perío­do de car­naval — Tomaz Silva/Agência Brasil (Repro­dução)

Comércio

Um estu­do do Insti­tu­to Fecomér­cio de Pesquisas e Anális­es indi­cou que, por causa do can­ce­la­men­to do feri­adão de car­naval, boa parte da pop­u­lação do esta­do do Rio de Janeiro não deve via­jar. Ape­nas 10,6% dos entre­vis­ta­dos pre­ten­dem sair da cidade.

A pesquisa mostrou ain­da que 39,1% dos flu­mi­nens­es ficarão em casa, 21,9% vão tra­bal­har, 11,1% ain­da não decidi­ram o que farão no perío­do e 10,6% pre­ten­dem realizar algu­ma ativi­dade de laz­er. Entre os que vão via­jar, 78,9% vão para lugares den­tro do esta­do e 21,1% para out­ras regiões. A pesquisa foi fei­ta entre os dias 5 e 7 de fevereiro e teve a par­tic­i­pação de 539 con­sum­i­dores do Rio de Janeiro.

Com a fal­ta do car­naval em 2021, a cidade do Rio de janeiro perderá cer­ca de R$ 5,5 bil­hões neste ano, con­forme o estu­do do Insti­tu­to Brasileiro de Econo­mia da Fun­dação Getulio Var­gas (FGV IBRE). Segun­do o lev­an­ta­men­to, as per­das somam 1,4% do Pro­du­to Inter­no Bru­to (PIB) car­i­o­ca.

Se não hou­vesse o can­ce­la­men­to por causa da pan­demia, segun­do a pesquisa, a econo­mia do Rio movi­men­ta­ria R$ 4,4 bil­hões. Destes, 88% seri­am ger­a­dos por tur­is­tas brasileiros, com per­manên­cia média de 6,6 dias na cidade e gas­tos diários de cer­ca de R$ 280,32.

Os 12% restantes viri­am de tur­is­tas estrangeiros, que teri­am esta­dia média de 7,7 dias e gas­tos diários de cer­ca de R$ 334,01. O impacto dos moradores da região met­ro­pol­i­tana do Rio e gas­tos opera­cionais seri­am de pouco mais de R$ 1 bil­hão.

A econ­o­mista Juliana Trece, uma das respon­sáveis pelo estu­do da FGV, desta­ca que a veloci­dade da recu­per­ação econômi­ca vai depen­der do cal­endário de vaci­nação. “Vaci­nar a pop­u­lação é impor­tante para a saúde do brasileiro, mas tam­bém para a saúde da econo­mia. Quan­to mais rápi­do con­seguirmos retomar a nor­mal­i­dade das ativi­dades, mais rap­i­da­mente con­seguire­mos ver uma retoma­da mais con­sis­tente da econo­mia”, comen­tou.

Pernambuco

O can­ce­la­men­to do car­naval em Per­nam­bu­co não afe­tou ape­nas o folião. A medi­da mexeu tam­bém com uma grande cadeia econômi­ca, que pas­sa por agremi­ações, artis­tas, músi­cos, comér­cio, setor hoteleiro e de tur­is­mo. Atingiu até os cata­dores de latas de alumínio, que aumen­tam a ren­da nos dias de folia.

Segun­do a Asso­ci­ação Brasileira da Indús­tria de Hotéis (ABIH), o cenário é pre­ocu­pante com a média de ocu­pação mais baixa que em anos ante­ri­ores, menor procu­ra nas cap­i­tais e maior deman­da por des­ti­nos menores. Com o can­ce­la­men­to das prévias e das fes­tas de car­naval pelas autori­dades, a ocu­pação hoteleira durante o perío­do — que em anos ante­ri­ores, nos prin­ci­pais des­ti­nos do esta­do (Recife e Por­to de Gal­in­has) chega­va a 97% — em 2021 não deve ultra­pas­sar os 60%. No iní­cio deste ano, a que­da chegou a 60%.

Recife - Bonecos gigantes, tradição do carnaval pernambucano, desfilaram pelas ruas de Olinda (Sumaia Villela/Agência Brasil)
Olin­da (PE) — Bonecos gigantes, tradição do car­naval per­nam­bu­cano, não ocu­parão ruas da cidade neste ano — Suma­ia Villela/Agência Brasil (Repro­dução)

“Ain­da esper­amos para 2021 uma retoma­da. Para que as empre­sas con­tin­uem suas ativi­dades, pre­cisamos do apoio em todos os níveis e a coop­er­ação dos gov­er­nos munic­i­pais e estad­u­ais com medi­das de redução de impos­tos, como o IPTU — despe­sa com forte impacto nos cus­tos dos hotéis — e de tar­i­fas — como a de água e ener­gia. [Essas medi­das servem] para não só amenizar os efeitos econômi­cos do momen­to, mas tam­bém preser­var empre­gos e ren­da, já que muitas unidades hoteleiras encer­raram suas ativi­dades em todo o país”, disse o pres­i­dente da ABIH Nacional, Manoel Lin­hares.

Auxílio

O impacto finan­ceiro na indús­tria car­navalesca de Per­nam­bu­co lev­ou o gov­er­nador do esta­do, Paulo Câmara, a cri­ar um auxílio finan­ceiro em caráter emer­gen­cial para artis­tas vin­cu­la­dos ao ciclo car­navale­sco do esta­do.

A medi­da, encam­in­ha­da para a Assem­bleia Leg­isla­ti­va de Per­nam­bu­co, pre­vê o paga­men­to de auxílios que vão de R$ 3 mil a R$ 15 mil. O auxílio deve ben­e­fi­ciar cer­ca de 450 artis­tas e agremi­ações. No total, serão investi­dos R$ 3 mil­hões para a con­cessão do bene­fí­cio, que deve ser pago até abril. Os recur­sos sairão do Tesouro estad­ual.

A ini­cia­ti­va foi segui­da pelas duas maiores rep­re­sen­tantes do car­naval per­nam­bu­cano, Olin­da e Recife, que tam­bém decidi­ram can­ce­lar o pon­to fac­ul­ta­ti­vo.

Com a sus­pen­são do car­naval, a prefeitu­ra de Olin­da anun­ciou que tam­bém terá um auxílio emer­gen­cial no municí­pio. O val­or disponív­el é de cer­ca de R$ 1 mil­hão, fru­to dos cofres da prefeitu­ra.

Olinda - Cortejo de abertura do carnaval de Olinda percorre ladeiras da Cidade Alta (Sumaia Villela/Agência Brasil )
O car­naval de Olin­da, um dos mais tradi­cionais do Brasil, não terá des­files e folias de rua em 2021 — Suma­ia Villela/Agência Brasil (Repro­dução)

De acor­do com a prefeitu­ra, os artis­tas, agremi­ações e gru­pos rece­berão 35% do val­or pago no car­naval do ano pas­sa­do. O lim­ite esta­b­ele­ci­do é de R$ 10 mil. O auxílio será ofer­e­ci­do ape­nas aos artis­tas e agremi­ações de Olin­da. O bene­fí­cio será con­ce­di­do com base na lista de con­tratação do car­naval do ano pas­sa­do.

Além dos artis­tas e agremi­ações, a prefeitu­ra disse ain­da que vai incluir os cata­dores de reci­cláveis entre os ben­e­fi­ci­a­dos pela lei de auxílio emer­gen­cial. Serão uti­liza­dos os cadas­tros de coop­er­a­ti­vas que já tra­bal­ham na cidade, no perío­do de folia. O val­or será de R$ 250.

Recife

Na cap­i­tal per­nam­bu­cana, a prefeitu­ra tam­bém disse que pagará um bene­fí­cio para artis­tas, agremi­ações e out­ras pes­soas que fazem parte da cadeia pro­du­ti­va do car­naval de Recife, bati­za­do de auxílio munic­i­pal emer­gen­cial (AME). Está pre­vis­to o paga­men­to de até R$ 10 mil para os ben­e­fi­ci­a­dos.

No total, a prefeitu­ra plane­ja inve­stir cer­ca de R$ 4 mil­hões para o paga­men­to desse bene­fí­cio. Desse total, R$ 1,5 mil­hão são prove­nientes da ini­cia­ti­va pri­va­da. O auxílio será con­ce­di­do para as agremi­ações sedi­adas no Recife e que inte­graram a pro­gra­mação ofi­cial do car­naval 2020.

A expec­ta­ti­va é que sejam ben­e­fi­ci­adas cer­ca de 27 mil pes­soas de 160 agremi­ações e 900 atrações. De acor­do coma prefeitu­ra, o paga­men­to deve ser de 50% da sub­venção no caso de agremi­ações, e de 50% do cachê, no caso de atrações artís­ti­cas pagas no car­naval de 2020, respei­tan­do o teto de R$ 10 mil para cada paga­men­to.

Nen­hu­ma con­tra­parti­da obri­gatória será exigi­da aos con­tem­pla­dos pelos recur­sos, des­ti­na­dos à sobre­vivên­cia das class­es artís­ti­cas às quais a maior cel­e­bração do cal­endário fes­ti­vo per­nam­bu­cano cos­tu­ma asse­gu­rar pal­co e pas­sarela, tra­bal­ho e ren­da.

Agên­cia Brasil tam­bém bus­cou saber a exten­são das per­das no comér­cio vare­jista do esta­do. Procu­ra­da, a Fed­er­ação do Comér­cio de Bens, Serviços e Tur­is­mo de Per­nam­bu­co (Fecomér­cio-PE) não retornou.

Salvador

O pon­to fac­ul­ta­ti­vo na cidade de Sal­vador, dec­re­ta­do todos os anos des­de 1981, foi sus­pen­so. O comér­cio fun­cionará nor­mal­mente e os cir­cuitos por onde pas­sari­am os trios elétri­cos estarão aber­tos à cir­cu­lação dos car­ros.

Shows e apre­sen­tações devem ocor­rer ape­nas em lives de artis­tas pela inter­net. A prefeitu­ra recon­hece que há um pre­juí­zo finan­ceiro com esta decisão, mas garan­tiu que não voltará atrás. “Para Sal­vador é muito pior do que para out­ras cap­i­tais, nós não temos grandes indús­trias, a maior ativi­dade aqui é o tur­is­mo, é a cul­tura, e o car­naval rep­re­sen­ta muito”, disse Fábio Mota, secretário de Cul­tura da cidade.

Segun­do Mota, o car­naval de 2020 lev­ou 16,5 mil­hões de pes­soas à cap­i­tal da Bahia, com a injeção de R$ 1,8 bil­hão no perío­do e ger­ação de 2,5 mil empre­gos.

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Car­naval de Sal­vador movi­men­ta mer­ca­do bil­ionário e é a prin­ci­pal atração turís­ti­ca da região — Say­onara Moreno/Agência Brasil (Repro­dução)

O setor hoteleiro tam­bém sofreu impacto com a decisão, mas soluções alter­na­ti­vas para atrair tur­is­tas para roteiros tradi­cionais têm aju­da­do. “Esta­mos com mais de 50% de ocu­pação nos hotéis e 70% nos fins de sem­ana. É uma ação da prefeitu­ra nes­sa lin­ha de incen­ti­var o tur­ista local a con­hecer a cap­i­tal da cidade. Isso tem sur­tido efeito. Evi­dente que para o hotel car­naval é uma espé­cie de déci­mo ter­ceiro, mas está todo mun­do enten­den­do”, afir­mou.

Ele garante que o tur­is­mo fora de época de car­naval, com vis­i­tas a pon­tos turís­ti­cos e históri­cos, não gera aglom­er­ações. “Não tem tido aglom­er­ação durante os finais de sem­ana e não terá tam­bém na época do car­naval. Os pon­tos históri­cos estão em várias partes da cidade, então con­seguimos diluir bem a quan­ti­dade de pes­soas.”

Segun­do o secretário, ain­da há pos­si­bil­i­dade de um car­naval fora de época caso o proces­so de imu­niza­ção este­ja adi­anta­do a par­tir do ter­ceiro trimestre de 2021. “Esta­mos com o plane­ja­men­to pron­to. Vai depen­der da imu­niza­ção das pes­soas com a vaci­na e o con­t­role da pan­demia.”

Interior de Minas Gerais

O car­naval sobre as ladeiras íngremes da históri­ca Ouro Pre­to tam­bém está can­ce­la­do. Os even­tos públi­cos e pri­va­dos estão proibidos na cidade. A prefeitu­ra dev­erá inve­stir em even­tos online, como con­cur­sos de march­in­has de car­naval.

As pou­sadas locais não estão fun­cio­nan­do com máx­i­ma capaci­dade, o que só dev­erá ocor­rer quan­do os casos de covid-19 dimin­uírem na cidade. A prefeitu­ra tem fis­cal­iza­do os esta­b­elec­i­men­tos para garan­tir que eles não este­jam lota­dos.

Viz­in­ha a Ouro Pre­to, o municí­pio de Mar­i­ana tam­bém can­celou a folia. O pon­to fac­ul­ta­ti­vo foi sus­pen­so e estão proibidos even­tos em ruas, casas de fes­tas, bares, sítios e locais sim­i­lares.

Em Dia­man­ti­na, as fes­tas de car­naval tam­bém estão sus­pen­sas. A prefeitu­ra não pro­moverá even­tos e, no momen­to, real­iza uma cam­pan­ha de con­sci­en­ti­za­ção para que a pop­u­lação não faça fes­tas e nem aglom­er­ações; seja nas ruas ou em locais pri­va­dos e fecha­dos. Agentes pub­li­cos farão a fis­cal­iza­ção durante o feri­ado.

Em Tiradentes o cenário se repete. Não haverá quais­quer cel­e­brações na cidade. Para não deixar a data pas­sar em bran­co, a prefeitu­ra está orga­ni­zan­do um con­cur­so de march­in­has de car­naval. O enre­do é “Tiradentes em tem­pos de coro­n­avírus”.

Em Lavras, fes­tas estão proibidas. Não haverá pon­to fac­ul­ta­ti­vo na cidade. No entan­to, na segun­da-feira de car­naval (14) será comem­o­ra­do o feri­ado local do Dia do Com­er­ciário. Neste dia o comér­cio ficará fecha­do e as cel­e­brações per­manecerão proibidas.

Edição: Pedro Ivo de Oliveira

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