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Especialista vê desequilíbrio em abordagem da imprensa sobre submarino

Repro­dução: © Foto: Ocean­gate

Repercussão de acidente com centenas de refugiados foi menor


Pub­li­ca­do em 24/06/2023 — 10:00 Por Daniel Mel­lo — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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Nas últi­mas sem­anas, duas tragé­dias marí­ti­mas gan­haram reper­cussão mundi­al. Cin­co pes­soas mor­reram enquan­to fazi­am uma expe­dição turís­ti­ca,  em um sub­mari­no, próx­i­mo aos destroços do navio Titan­ic, que naufragou no iní­cio do sécu­lo pas­sa­do. No Mar Mediter­râ­neo, próx­i­mo à Gré­cia, um navio com imi­grantes vin­dos da África naufragou, deixan­do ao menos 78 mor­tos. No entan­to, sobre­viventes relatam que a embar­cação trans­portaria cen­te­nas de pes­soas.

Nos jor­nais, por­tais de notí­cia e na tele­visão, estão disponíveis infor­mações sobre quem eram os mil­ionários que estavam a bor­do do sub­mari­no, detal­h­es sobre como era fei­ta a viagem, além de uma cober­tu­ra diária dos esforços de res­gate. No caso do bar­co dos migrantes, não foram feitos per­fis dos sobre­viventes ou sequer foram divul­gadas as nacional­i­dades daque­las pes­soas.

“Dos imi­grantes africanos você não tem a indi­vid­u­al­iza­ção, não tem a história daque­las pes­soas — porque elas estão fazen­do aqui­lo, qual é a razão que leva ao deses­pero de enfrentar aque­las condições pre­vi­sivel­mente trág­i­cas”, enfa­ti­za o jor­nal­ista Lau­rindo Lalo Leal Fil­ho, pro­fes­sor aposen­ta­do da Esco­la de Comu­ni­cação e Artes da Uni­ver­si­dade de São Paulo.

Para o espe­cial­ista, o fato dos dois aci­dentes terem ocor­ri­do com prox­im­i­dade tem­po­ral deixa explíci­ta a difer­ença de trata­men­to da mídia em relação aos dois casos. “O fato deles acon­te­cerem de for­ma simultânea evi­den­cia o trata­men­to desigual que se dá quan­do as víti­mas de um aci­dente são inte­grantes de class­es soci­ais difer­entes”, desta­ca.

Ele pon­dera que os ele­men­tos pouco usuais da viagem dos mil­ionários ao fun­do do mar para vis­i­tar o cenário de uma anti­ga e con­heci­da tragé­dia aca­ba atrain­do a cober­tu­ra para esse fato. Porém, mes­mo assim, Lalo avalia que há uma desme­di­da no trata­men­to das situ­ações. “O caso da nave do Titan­ic foi uma exper­iên­cia inusi­ta­da. Isso, real­mente, do pon­to de vista jor­nalís­ti­co, merece um destaque. Não na dimen­são como vem sendo feito”, anal­isa.

Do out­ro lado, a repetição dos aci­dentes que matam migrantes no mar na ten­ta­ti­va de chegar à Europa aca­ba, segun­do o jor­nal­ista, ten­do um efeito con­trário nos meios de comu­ni­cação e na opinião públi­ca. “A morte de imi­grantes vem viran­do roti­na, por mais ter­rív­el que isso pos­sa pare­cer. Ela prati­ca­mente deixa de ser um assun­to novo para o públi­co, infe­liz­mente”, con­trapõe.

Estrutura dos meios de comunicação

A difer­ença da cober­tu­ra acon­tece, na visão de Lalo, dev­i­do a questões estru­tu­rais dos grandes meios de comu­ni­cação. “Faz parte da estru­tu­ra dess­es meios de comu­ni­cação que estão muito volta­dos para pro­duzir infor­mações a par­tir e para as class­es dom­i­nantes da sociedade, para os grandes gru­pos econômi­cos” diz. “É um jor­nal­is­mo que tem uma vin­cu­lação muito grande com o setor mais priv­i­le­gia­do da sociedade, que pro­duz infor­mações e para o qual são dadas as infor­mações”, acres­cen­ta.

Para o espe­cial­ista, exis­tem diver­sos pon­tos que pre­cis­ari­am ser apro­fun­da­dos em relação aos naufrá­gios envol­ven­do migrantes. “Qual é o grau de respon­s­abil­i­dade que ess­es país­es da Europa têm em relação a ess­es país­es africanos? Qual é a her­ança colo­nial que ain­da per­du­ra e leva a essas tragé­dias?”, ques­tiona.

Edição: Aline Leal

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