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Faltam mulheres negras em altas lideranças do setor de publicidade

Repro­dução: © Nico­la Labate

Estudo aponta para uma área masculina e branca


Pub­li­ca­do em 12/06/2023 — 18:17 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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O estu­do inédi­to Pub­li­ci­dade Inclu­si­va: Cen­so de Diver­si­dade das Agên­cias Brasileiras 2023, real­iza­do em con­jun­to pela Gestão Kairós — Con­sul­to­ria de Sus­tentabil­i­dade e Diver­si­dade e o Obser­vatório da Diver­si­dade na Pro­pa­gan­da (ODP), con­fir­mou que a pub­li­ci­dade fei­ta no Brasil é bran­ca e mas­culi­na, em sua grande maio­r­ia. “A gente tem algu­mas reflexões quan­do fala de mul­heres no cen­so de pub­li­ci­dade inclu­si­va”, disse à Agên­cia Brasil a pres­i­dente da Gestão Kairós, Lil­iane Rocha (foto em destaque).

Os resul­ta­dos da pesquisa foram men­su­ra­dos no iní­cio deste ano, após a real­iza­ção de entre­vis­tas, no final do ano pas­sa­do, com os líderes das agên­cias respon­dentes, que somam cer­ca de 6,2 mil fun­cionários.

A primeira reflexão é que quan­do se olha para o quadro fun­cional, percebe-se um per­centu­al até expres­si­vo de mul­heres (57%), em sua grande maio­r­ia bran­cas. Quan­do o estu­do estrat­i­fi­ca e vai olhar as mul­heres negras, vê-se que elas são mino­ria no quadro das agên­cias (21%), emb­o­ra este seja um per­centu­al pos­i­ti­vo em com­para­ção com out­ros setores. Lil­iane disse, porém, que ao se pesquis­ar o nív­el profis­sion­al de ger­ente para cima, são 49,8% de mul­heres, em ger­al, ocu­pan­do ess­es car­gos, con­tra 10,3% de negros (pre­tos + par­dos). Para as mul­heres negras, entre­tan­to, esse per­centu­al cai para somente 4,6%. No nív­el de dire­tor pres­i­dente e pres­i­dente (CEO), o número de mul­heres negras é 0%, con­tra 15% de mul­heres bran­cas e 8% de home­ns negros (pre­tos + par­dos).

De acor­do com a pesquisa, o setor de pub­li­ci­dade e pro­pa­gan­da brasileiro é lid­er­a­do por pes­soas bran­cas, que cor­re­spon­dem hoje a 88% da lid­er­ança (nív­el ger­ente e aci­ma) e 92% do nív­el CEO/presidente e por home­ns, que são respec­ti­va­mente 50,2% e 85% dessas posições. Olhan­do as áreas que as rep­re­sen­tantes do sexo fem­i­ni­no ocu­pam nas agên­cias de pub­li­ci­dade e pro­pa­gan­da, con­sta­ta-se que a maio­r­ia delas está no atendi­men­to e não nas áreas de cri­ação, plane­ja­men­to, mídia, dig­i­tal. “O que, por si só, já é uma repro­dução do machis­mo estru­tur­al na sociedade. Quer diz­er, con­trata­mos mul­heres nesse setor, mas para um seg­men­to especí­fi­co rel­a­ti­va­mente menos estratégi­co”, apon­tou Lil­iane.

Dois olhares

“Acho que são dois olhares aí. Um se ref­ere à área que está sendo des­ti­na­da às mul­heres em ger­al, na pub­li­ci­dade e pro­pa­gan­da e, out­ro, como a gente pre­cisa con­ver­sar sobre isso e mudar esse cenário. E quan­do a gente olha para a inter­sec­cional­i­dade de mul­heres negras, elas nem estão chegan­do lá”. O desafio é como faz­er para con­tratar mais mul­heres negras, para ter um pro­tag­o­nis­mo de pes­soas negras, em ger­al, nesse setor, propôs Lil­iane.

O Obser­vatório da Diver­si­dade na Pro­pa­gan­da foi cri­a­do em jul­ho de 2021 com o obje­ti­vo de acel­er­ar a inclusão de gru­pos minoriza­dos na indús­tria da comu­ni­cação. É con­sti­tuí­do por 28 agên­cias sig­natárias, das quais 24 par­tic­i­param do estu­do. Em abril deste ano, as 28 agên­cias foram reunidas pelo Min­istério Públi­co Fed­er­al para assi­nar com­pro­mis­sos e metas no perío­do de cin­co anos, visan­do impul­sion­ar a rep­re­sen­ta­tivi­dade da demografia brasileira, pro­por­cional­mente, nas agên­cias de pub­li­ci­dade e pro­pa­gan­da no Brasil.

Metas

Foram esta­b­ele­ci­das, na ocasião, 36 metas, pro­postas pela Gestão Kairós para o ODP, cuja dire­to­ria está proce­den­do à revisão. Essas metas incluem, no perío­do de cin­co anos, con­tratação de tal­en­tos diver­sos; diver­si­dade no cast­ing e cadeia de fornece­dores; retenção e desen­volvi­men­to; e cul­tura orga­ni­za­cional. Foram apre­sen­tadas três macrofrentes de atu­ação: quadro fun­cional e lid­er­ança em níveis de ger­ente e aci­ma; rep­re­sen­ta­tivi­dade pro­por­cional no quadro; critérios de diver­si­dade para con­tratação de fornece­dores.

Lil­iane Rocha rela­tou que muitas agên­cias que con­tratam mul­heres, negros, pes­soas com defi­ciên­cia, maiores de 50 anos de idade, pes­soas LGBTQIAP + (pes­soas lés­bi­cas, gays, bis­sex­u­ais, pes­soas trans, não binárias e demais ori­en­tações sex­u­ais e de gênero) obser­vam que elas não per­manecem nos empre­gos. “Pre­cisamos olhar para essa questão”. No tópi­co de cul­tura orga­ni­za­cional, desta­cou que é necessário enten­der por que o setor não traz mais dessas pes­soas para os seus quadros e por que elas não ficam nas agên­cias. O obje­ti­vo é ter diver­si­dade e uma pub­li­ci­dade no Brasil mais inclu­si­va.

Edição: Aline Leal

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