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Museu do Ipiranga inaugura nova sala com mostra sobre a independência

Repro­dução: © Rove­na Rosa/Agência Brasil

Evento marca comemorações do aniversário da cidade de São Paulo


Pub­li­ca­do em 25/01/2023 — 06:21 Por Elaine Patri­cia Cruz – Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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O Museu Paulista, mais con­heci­do como Museu do Ipi­ran­ga, inau­gu­ra nes­ta quar­ta-feira (25) mais um espaço expos­i­ti­vo, des­ti­na­do a mostras tem­porárias. Para mar­car o aniver­sário da cidade de São Paulo, cel­e­bra­do hoje, e tam­bém a inau­gu­ração do novo espaço, o museu abre a exposição Memórias da Inde­pendên­cia.

A nova mostra do Museu do Ipi­ran­ga pre­tende dialog­ar com o públi­co sobre os proces­sos que levaram o Brasil a declarar inde­pendên­cia de Por­tu­gal, dis­cutin­do sobre o mito de que o fato ten­ha ocor­ri­do de for­ma iso­la­da e em um úni­co dia, assim como ficou grava­do no imag­inário pop­u­lar e como foi retrata­do na pin­tu­ra Inde­pendên­cia ou Morte, de Pedro Améri­co [obra que foi restau­ra­da recen­te­mente e está expos­ta na parte mais anti­ga do museu, chama­da de Edifí­cio Mon­u­men­to].

Memórias da Inde­pendên­cia reúne cer­ca de 130 itens rela­ciona­dos ao proces­so de rup­tura entre Brasil e Por­tu­gal. A mostra dis­cute o pro­tag­o­nis­mo de São Paulo e do gri­to do Ipi­ran­ga como mar­co abso­lu­to da inde­pendên­cia e ressalta que a rup­tura entre os dois país­es foi um lon­go proces­so, envol­ven­do diver­sos per­son­agens e episó­dios que ocor­reram em todo o Brasil.

Exposição “Memórias da Independência”, com curadoria de Jorge Cintra e Paulo Garcez, na nova sala de mostras temporárias do Museu do Ipiranga, no Parque da Independência.
Repro­dução: Com entra­da gra­tui­ta, mostra Memórias da Inde­pendên­cia poderá ser vis­i­ta­da até 26 de março — Rove­na Rosa/Agência Brasil

Divi­di­da em dois eixos temáti­cos, a exposição apre­sen­ta escul­turas, pin­turas, fotografias, estu­dos arquitetôni­cos e pic­tóri­cos, obje­tos dec­o­ra­tivos, selos, desen­hos, cartões-postais, dis­cos, car­tazes de filmes e charges para ilus­trar o imag­inário sobre a data.

O primeiro dos eixos temáti­cos abor­da os esforços de manutenção da memória do Ipi­ran­ga como lugar do gri­to que instau­rou a Inde­pendên­cia. Já o papel do Rio de Janeiro como sede políti­ca do Império e da nova monar­quia inde­pen­dente foi rep­re­sen­ta­do em pin­turas, gravuras e pelo mon­u­men­to a Dom Pedro I, primeiro grande exem­plar da escul­tura do Brasil.

Neste eixo, volta­do para as memórias da inde­pendên­cia do Brasil, obser­vam-se os difer­entes esforços ocor­ri­dos nas cidades de São Paulo, de Sal­vador e do Rio de Janeiro no sen­ti­do de dis­putar a pri­mazia de ser o cen­tro ref­er­en­cial e sim­bóli­co da inde­pendên­cia do Brasil, disse o his­to­ri­ador Paulo Garcez Marins, um dos curadores da exposição, em entre­vista à Agên­cia Brasil.

Ali, mostra-se como São Paulo, onde a inde­pendên­cia foi declar­a­da, o Rio de Janeiro, onde ela foi con­struí­da, e Sal­vador, local de onde os por­tugue­ses foram expul­sos e ven­ci­dos no dia 2 de jul­ho de 1823, dis­putam essa memória sobre a rup­tura de Por­tu­gal.

“São Paulo vai ser pal­co da con­cen­tração dess­es esforços das autori­dades para mon­u­men­talizar o Ipi­ran­ga. No cen­tenário [da Inde­pendên­cia do Brasil] isso vai acon­te­cer mais uma vez e, por fim, no bicen­tenário, tam­bém. A rein­au­gu­ração e a expan­são do Museu do Ipi­ran­ga fazem parte dessa ação cole­ti­va dos agentes públi­cos, pri­va­dos e da própria sociedade para reforçar o Ipi­ran­ga como lugar sim­bóli­co para a nação”, afir­mou o curador.

O segun­do eixo temáti­co desta­ca as memórias rel­a­ti­vas aos movi­men­tos de sep­a­ração, como a Rev­olução Per­nam­bu­cana de 1817, a Con­fed­er­ação do Equador, de 1824, e a Rev­olução Far­roupil­ha, que durou de 1835 a 1845.

Marins acres­cen­tou que existe ain­da o eixo Out­ros Cen­tenários, que é volta­do para a com­preen­são de como ess­es movi­men­tos foram comem­o­ra­dos. “Deve­mos imag­i­nar, por­tan­to, que essa com­preen­são seja dos proces­sos de inde­pendên­cia e tam­bém de como eles foram lem­bra­dos, sinal­izan­do uma con­strução da iden­ti­dade nacional muito difí­cil, muito con­tra­ditória, muito ten­sa e que, de algu­ma maneira, mostra suas frat­uras até hoje.”

Segun­do Marins, a exposição aju­dará a con­hecer mais sobre ess­es acon­tec­i­men­tos, trazen­do, com isso, reflexões sobre o futuro do país. “Pre­cisamos enten­der o Brasil como um país múlti­p­lo, plur­al. Ain­da é um desafio para nós enten­der que somos o resul­ta­do de um lon­go proces­so de acú­mu­lo de pop­u­lações, de práti­cas cul­tur­ais, de ten­sões políti­cas”, disse ele.

“O Brasil é cheio de difer­enças. Den­tro da própria sociedade, a con­strução de nos­sa nacional­i­dade é uma con­strução difí­cil. Essas ten­sões que [a exposição] Memórias da Inde­pendên­cia sinal­iza se arras­tam por dois sécu­los na nos­sa con­strução nacional. Nos­so índice de desen­volvi­men­to humano mostra que o Brasil ain­da é um país não só cheio de difer­enças, mas cheio de desigual­dade. Então, refle­tir sobre ess­es proces­sos é nos capac­i­tar a mel­ho­rar o nos­so país, torná-lo mais jus­to socioe­co­nomi­ca­mente e, sobre­tu­do, dar vis­i­bil­i­dade e recon­hecer os difer­entes agentes e pro­tag­o­nistas do nos­so país”, enfa­ti­zou.

Marins defend­eu o envolvi­men­to de todos na con­strução de uma sociedade mais igual­itária, na con­strução de uma per­spec­ti­va de trans­for­mação. “Nesse sen­ti­do, acho que os museus de história sinal­izam não ape­nas as difi­cul­dades desse proces­so, mas tam­bém de enga­ja­men­to social, para con­stru­ir pata­mares mais jus­tos para a nos­sa sociedade.”

Novo espaço

A nova sala expos­i­ti­va, que não exis­tia antes da refor­ma do museu, tem cer­ca de 900 met­ros quadra­dos e fica insta­l­a­da abaixo do Edifí­cio Mon­u­men­to. Como é toda clima­ti­za­da – o que não ocor­ria em out­ras partes do com­plexo, que é tomba­do – isso vai per­mi­tir que o Museu do Ipi­ran­ga pos­sa final­mente rece­ber obras emprestadas por out­ros museus. “A sala não exis­tia. Ela foi con­struí­da jun­to com todo o piso-jardim. É uma área que se gan­hou em direção ao norte do anti­go edifí­cio, uma área que foi con­struí­da para o bicen­tenário da inde­pendên­cia do Brasil”, expli­cou o curador.

Para a nova exposição, foram emprestadas peças de 12 impor­tantes insti­tu­ições cul­tur­ais e de coleções par­tic­u­lares do país. Entre elas, o Car­ro com Escul­tura da Cabo­cla, de Domin­gos Cos­ta Baião, obra de 1846. O car­ro da cabo­cla é um obje­to usa­do no corte­jo de 2 de jul­ho, quan­do é cel­e­bra­da a inde­pendên­cia na Bahia. “Na exposição, temos a hon­ra de ter aqui o Car­ro da Cabo­cla e a própria Cabo­cla, que faz esse per­cur­so no cen­tro de Sal­vador des­de 1840. Foi uma cessão tem­porária do Insti­tu­to Geográ­fi­co Históri­co da Bahia. Ela só esteve em São Paulo uma vez antes, no Museu Afro.”

“Vier­am tam­bém obras do Museu Júlio de Castil­hos, de Por­to Ale­gre. Tive­mos tam­bém emprés­ti­mos impor­tantes do Museu Antônio Par­reiras, de Niterói, que está fecha­do ao públi­co para obras. Tam­bém con­ta­mos com pin­turas que vier­am do Museu Nacional de Belas Artes e da Pina­cote­ca do Esta­do”, acres­cen­tou Marins.

“Da Pina­cote­ca, é uma feli­ci­dade ter aqui no museu, por alguns meses, uma pin­tu­ra que rep­re­sen­ta a col­i­na do Ipi­ran­ga como ela era antes das grandes refor­mas para o cen­tenário de 1822, com o mon­u­men­to lá em cima e a rep­re­sen­tação de um bar­ran­co cheio de estradas de ter­ra na frente, como a região era efe­ti­va­mente [na época]”, disse o curador.

Out­ro destaque da mostra são os desen­hos orig­i­nais do pin­tor Pedro Améri­co, com os esboços para a con­strução dos per­son­agens do quadro Inde­pendên­cia ou Morte.

Memórias da Inde­pendên­cia fica em car­taz até o dia 26 de março, e a entra­da é gra­tui­ta. A visi­ta pode ser mar­ca­da ante­ci­pada­mente no site do museu. Algu­mas sen­has tam­bém estão sendo dis­tribuí­das no local, de acor­do com a lotação da sala.

O uso de más­cara é obri­gatório no local.

Edição: Nádia Fran­co

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