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Pacientes com câncer colorretal são diagnosticados em estágio avançado

Demora no diagnóstico reduz de forma acentuada possibilidade de cura

Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 27/11/2025 — 08:07
Brasília
Brasília (DF) 04/08/2025 - Câncer colorretal. Foto: Câmara Municipal de Afonso Claudio/Divulgação
Repro­dução: © Câmara Munic­i­pal de Afon­so Claudio/Divulgação

Lança­do nes­ta quin­ta-feira (27), quan­do se comem­o­ra o Dia Nacional de Com­bate ao Câncer, o estu­do Câncer col­or­re­tal no Brasil – O desafio invisív­el do diag­nós­ti­co, da Fun­dação do Câncer rev­ela que, dos 177 mil casos da doença reg­istra­dos em hos­pi­tais públi­cos e pri­va­dos do país, no perío­do de 2013 a 2022, mais de 60% foram diag­nos­ti­ca­dos em está­gios avança­dos da doença.Os dados mostram que o avanço da doença e a demo­ra no diag­nós­ti­co, reduz de for­ma acen­tu­a­da a pos­si­bil­i­dade de cura.

Em entre­vista à Agên­cia Brasil, o dire­tor-exec­u­ti­vo da Fun­dação do Câncer, cirurgião oncológi­co Luiz Augus­to Mal­toni, chama a atenção o vol­ume de casos de câncer col­or­re­tal (CCR) que chegam no sis­tema em está­gio avança­do”, con­fir­mou em entre­vista à Agên­cia Brasil o dire­tor-exec­u­ti­vo da Fun­dação do Câncer, cirurgião oncológi­co Luiz Augus­to Mal­toni.

“Se anal­is­ar­mos o país como um todo, os dados mostram que 50% das pes­soas chegam no está­gio já metastáti­co, está­gio 4, e mais 25% no está­gio 3.  Soman­do os está­gios, são mais de 70%, o que é uma catástrofe.”

Os dados reforçam a importân­cia do diag­nós­ti­co pre­coce. Mal­toni indi­cou que, uma vez iden­ti­fi­ca­do qual­quer tipo de sin­toma, por mais leve que seja. a pes­soa deve procu­rar um serviço de saúde para inves­ti­gar e ver o que existe, ou mes­mo faz­er o ras­trea­men­to com um profis­sion­al.

“Aque­la inter­venção fei­ta pelo Esta­do para chamar a pop­u­lação alvo para que faça exam­es, para que a gente pos­sa detec­tar o mais pre­co­ce­mente pos­sív­el, é fun­da­men­tal. Porque não só um tumor, mas são as lesões pre­cur­so­ras que podem desen­volver o câncer. Isso é fun­da­men­tal, é isso que vai mudar essa história”.

No Brasil, como ocorre tam­bém em out­ros país­es, o primeiro exame para detecção prrecoce do CCR é a pesquisa de sangue ocul­to nas fezes, menos cus­tosa. Quan­do essa pesquisa de sangue ocul­to se mostra pos­i­ti­va, alter­a­da, aí sim é indi­ca­do prosseguir na inves­ti­gação por meio do exame de colono­scopia.

Atual­mente, isso é feito para pes­soas aci­ma de 50 anos. Mal­toni disse, entre­tan­to, que a análise de dados sinal­iza que o pico de faixa etária de pes­soas com câncer col­or­re­tal é exata­mente entre os 50 e 60 anos.

“Se a gente começar a faz­er ras­trea­men­to só com 50 anos, corre o risco de chegar tarde. É procu­rar ante­ci­par.  A maneira de a gente faz­er isso é, obvi­a­mente, baixar um pouco a faixa etária do chama­do  para testes de ras­trea­men­to.”

AFun­dação do Câncer sug­ere ante­ci­par a faixa etária para 45 anos ou 40 anos, even­tual­mente, para que se pos­sa iden­ti­ficar as lesões pre­cur­so­ras bem ini­ci­ais, e poder tratar até mes­mo antes de um ade­no­ma, por exem­p­lo, e um pólipo do intesti­no se trans­for­mar em um car­ci­no­ma do intesti­no.

Out­ra medi­da impor­tante que o estu­do mostra é a pre­venção primária, quer diz­er, hábito de vida. Isso sig­nifi­ca evi­tar exces­so de peso. De acor­do com o bole­tim, há uma cor­re­lação dire­ta entre o vol­ume de câncer col­or­re­tal e de pes­soas obe­sas. Nas regiões do país onde tem uma taxa de obesi­dade maior, há tam­bém uma maior taxa de câncer col­or­re­tal, assim como o tabag­is­mo tem cor­re­lação dire­ta com a doença.

“São aque­las medi­das que a gente vive falan­do, de evi­tar sobrepe­so, evi­tar fal­ta de ativi­dade físi­ca, exces­so de bebi­da alcoóli­ca, não fumar. Isso é fun­da­men­tal, porque a gente sabe que isso aju­da a reduzir casos novos de câncer. No caso do câncer col­or­re­tal, isso é uma ver­dade”, afir­mou o dire­tor-exec­u­ti­vo.

No estu­do feito com os 177 mil casos da doença, cole­ta­dos nos reg­istros hos­pi­ta­lares de câncer, ver­i­fi­cou-se que o de cólon e de reto é mais comum em bran­cos (34,6%), segui­dos de negros (30,9%).

As regiões Sud­este e Sul con­cen­tram o maior vol­ume de equipa­men­tos hos­pi­ta­lares de diag­nós­ti­co e trata­men­to, bem como de casos de CCR. Por out­ro lado, segun­do o médi­co, quan­do se anal­isa o deslo­ca­men­to da pop­u­lação no Brasil, nota-se que a Região Cen­tro-Oeste é o local onde ele é maior: per­to de 18% dos pacientes des­ta região têm que sair para faz­er o seu trata­men­to em out­ra local­i­dade do país. Em segun­do lugar, vem a Região Norte, com 6,5%.

Política permanente

A Fun­dação do Câncer esti­ma aumen­to de 21% no número de casos entre 2030 e 2040, alcançan­do cer­ca de 71 mil casos novos e cer­ca de 40 mil óbitos.

Mal­toni con­sid­era o vol­ume “alar­mante”, emb­o­ra seja real­i­dade, con­sideran­do que a pop­u­lação está crescen­do e, sobre­tu­do, envel­he­cen­do.

“Não temos uma estraté­gia bem esta­b­ele­ci­da e firme para a pre­venção e o diag­nós­ti­co pre­coce”. Segun­do o médi­co, é pre­ciso mudar esse cenário nos próx­i­mos 15 anos, tra­bal­har muito forte­mente a questão da pre­venção, da detecção pre­coce, do ras­trea­men­to.

Ministério da Saúde

Na avali­ação do dire­tor-exec­u­ti­vo da Fun­dação do Câncer, a mudança deve ser cap­i­tanea­da pelo Min­istério da Saúde. O sis­tema de saúde inglês, por exem­p­lo, os pacientes recebem em casa um kit para col­her amostra das fezes. Se o resuslta­do der alter­ado, a pes­soa é chama­da para faz­er a colono­scopia.

“Pre­cisamos dar ess­es pas­sos. É óbvio que em um país das dimen­sões do Brasil, com as difi­cul­dades region­ais, com as difer­enças, há difi­cul­dades. Mas a gente sabe que é pos­sív­el. Se tomar a decisão de faz­er e quis­er faz­er, é pos­sív­el faz­er”.

Segun­do Mal­toni, isso só fun­ciona com uma políti­ca de Esta­do. Quan­to mais infor­mação qual­i­fi­ca­da hou­ver e maior for a pos­si­bil­i­dade de colo­car o tema em debate, isso aju­da a nortear essas políti­cas públi­cas porque, iso­lada­mente, não é nen­hu­ma cam­pan­ha que con­seguirá alcançar esse obje­ti­vo.

“Tem que ter uma políti­ca públi­ca, uma políti­ca de esta­do per­ma­nente, que inde­pen­da de quem este­ja no gov­er­no, para que ess­es resul­ta­dos acon­teçam. A gente tem exem­p­lo dis­so na políti­ca de con­t­role do taba­co, que virou uma políti­ca de Esta­do que ao lon­go dos últi­mos 35 anos, 40 anos, tem sido colo­ca­da de maneira pri­or­itária por qual­quer gov­er­no que entre. Não tem out­ra maneira de faz­er e isso vale para qual­quer lugar do mun­do.”

Incidência

O estu­do apon­ta para uma relação entre tabag­is­mo e obesi­dade e incidên­cia de câncer col­or­re­tal. As cap­i­tais Flo­ri­anópo­lis, Por­to Ale­gre, Curiti­ba e Cam­po Grande, todas com pro­porção de fumantes supe­ri­or a 12%, pos­suem altas taxas de incidên­cia da doença, o que reforça a relevân­cia do tabag­is­mo como fator de risco para o CCR.

O mes­mo ocorre em relação à obesi­dade e sua asso­ci­ação ao aumen­to da incidên­cia do câncer col­or­re­tal. Cap­i­tais como Por­to Ale­gre, Cam­po Grande, Rio de Janeiro e São Paulo, todas com prevalên­cia de obesi­dade igual ou supe­ri­or a 24%, estão entre aque­las com as maiores taxas de incidên­cia do tumor. Daí a importân­cia de políti­cas voltadas para ali­men­tação saudáv­el e ativi­dade físi­ca.

O bole­tim da Fun­dação do Câncer rev­ela tam­bém que quase metade dos casos reg­istra­dos no país está con­cen­tra­da na Região Sud­este (49,4%) e que 85,9% dos pacientes têm 50 anos ou mais, reforçan­do a importân­cia de estraté­gias de ras­trea­men­to voltadas para faixas etárias menores.

Em relação à esco­lar­i­dade, o bole­tim mostra que 47,7% dos pacientes pos­suem ape­nas o ensi­no fun­da­men­tal e que a cirur­gia segue sendo a prin­ci­pal for­ma de trata­men­to ini­cial, seja de maneira úni­ca ou asso­ci­a­da a out­ras modal­i­dades.

O estu­do com­ple­to pode ser aces­sa­do aqui.

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